832 - TORREENSE

A 1 de Maio de 1917, num tempo em que o desporto estava em franca expansão em Portugal, nascee na zona Oeste uma colectividade que, durante anos a fio, iria dinamizar a prática das mais diversas modalidades. Futebol, basquetebol, atletismo ou ciclismo seriam algumas das bandeiras do, à altura, baptizado como Sport União Torreense.
Claro está que, sendo a adesão repartida por todas as modalidades, houve uma que, pela popularidade atingida durante esses anos, conseguiria chamar a atenção de mais pessoas. O “jogo da bola” rapidamente obteria uma serie de fiéis seguidores. Curiosamente, a inscrição do emblema “saloio” na Associação de Futebol de Lisboa não seria permitida. Sem a devida autorização e com o intuito de competir, os responsáveis do clube optariam por outra solução e o Torreense passaria a disputar as provas da Associação de Futebol de Leiria.
Só muitos anos após a sua fundação é que o ingresso do clube na AF Lisboa voltaria a ser equacionado. Com 7 títulos de campeão nos “regionais” leirienses, conseguidos durante as décadas de 30 e 40, a cotação do Torreense cresceria bastante. O respeito que a colectividade havia alcançado, alicerçado nas referidas conquistas, faria com que os responsáveis pelo organismo “alfacinha” avaliassem e acabassem por anuir a um novo pedido de filiação. Como é compreensível, a popularidade do clube também não parava de aumentar. As boas campanhas conseguidas nos Campeonatos Nacionais muito ajudariam a isso e acabariam por lançar o emblema na senda da divisão maior do nosso futebol.
O desfecho desse crescimento aconteceria no final de 1954/55. Já depois de na derradeira jornada dessa campanha, o clube ter conseguido assegurar a promoção, o início da época seguinte marcaria a estreia da cidade de Torres Vedras na 1ª divisão. Orientados por Oscar Tellechea e com Morais, Joaquim Fernandes ou os argentinos Forneri e Belen a ajudarem à construção de um plantel de boa qualidade, 1955/56 tornar-se-ia na melhor temporada da história do Torreense. Muito para além da 7ª posição alcançada na tabela classificativa do Campeonato Nacional, recorde repetido um ano depois, seria a participação na Taça de Portugal que levaria o conjunto às primeiras páginas dos jornais. Depois de uma caminhada irrepreensível, durante a qual eliminaria os “colossos” Sporting e Belenenses, a qualificação para a final, levá-lo-ia a defrontar o FC Porto. No Jamor, mesmo com o devido louvor pela presença, o jogo não correria de feição para o grupo “saloio” e, com 2 golos de Hernâni, os “Dragões” levariam o troféu para a cidade “Invicta”.
Para além das 4 primeiras temporadas no escalão máximo do nosso futebol, todas elas seguidas, o Estádio Manuel Marques ainda assistiria a mais algumas campanhas na 1ª divisão. O recinto do Torreense, inaugurado em 1925, seria o palco de mais embates primodivisionários nas épocas de 1964/65 e 1991/92. Como é fácil de adivinhar, essas últimas duas participações não correriam de feição e, em ambos os casos, o clube não conseguiria escapar à despromoção.
Hoje em dia (2017/18), dando seguimento a uma história maioritariamente feita nos “nacionais”, o Sport Clube União Torreense disputa o Campeonato de Portugal (3º escalão). Tendo dado passos importantes no sentido de resolver a grave crise financeira em que esteve mergulhado, o responsáveis pelo clube têm agora como principal objectivo aproximar cada vez mais a colectividade das pessoas, da cidade e da região.

CENTENÁRIOS 2017 - TORREENSE

Nunca será demais relembrar certas efemérides e, nesse sentido, os 100 anos de existência de uma colectividade nunca poderão ser esquecidos.
Este ano, naquilo que é o panorama futebolístico nacional, o Torreense atingiu essa memorável marca. É por isso que, para homenagear a fundação do clube saloio, o mês de Dezembro será dedicado aos “Centenários”.

831 - PETER BEARDSLEY


Tendo começado a sua carreira profissional nas divisões inferiores, Peter Beardsley, ainda assim, conseguiria chamar à atenção de emblemas de maior nomeada. Mesmo não possuindo um físico impressionante, a sua técnica apurada, visão de jogo e capacidade finalizadora, levariam o atleta, ao cabo de 3 temporadas, a deixar o Carlisle United. A aposta na sua contratação acabaria por vir do Manchester United. O atacante, que tinha intercalado a sua experiência no já referido clube com passagens pelos canadianos dos Vancouver Whitecaps, chegaria assim ao patamar máximo do futebol inglês.
A sua passagem por Old Trafford acabaria por ficar muito aquém do que o atleta esperaria. Poucas vezes chamado a jogo, no final dessa época de 1982/83, acabaria por ser vendido ao Newcastle. Curiosamente, o emblema que agora abria as portas ao avançado era o mesmo que, alguns anos antes, o tinha dispensado das suas camadas jovens. Desta feita, a história acabaria por escrever-se de maneira bem diferente e St. James Park serviria para catapultar a sua carreira.
Enquanto integrante do Newcastle, Peter Beardsley seria chamado à selecção. Já depois da sua estreia frente ao Egipto e de uma série de outros “amigáveis”, o avançado veria o seu nome arrolado para o Campeonato do Mundo de 1986. Todavia, já por essa altura o avançado era visto como um dos favoritos no clube. Tendo, uns anos antes, assumido um papel de extrema importância no regresso dos “Magpies” ao escalão máximo, o jogador era adorado por todos os adeptos. Claro está que, estando com a cotação em alta, o atleta começaria a ser bastante cobiçado por outros emblemas. Foi nesse sentido que Kenny Dalglish decidiria fazer uma oferta pela sua aquisição. A maquia, recorde nas transferências em Inglaterra, levá-lo-ia para Liverpool.
Tendo chegado a Merseyside no Verão de 1987, o atacante, daí em diante, iria partilhar o balneário com estrelas como Bruce Grobbelaar, John Barnes, Jan Molby, John Aldridge ou Ian Rush. Tamanha “constelação de estrelas” só poderia resultar em diversos títulos. Aquele que seria o período mais prolífero no percurso profissional de Beardsley, acabaria por trazer ao seu currículo 2 Ligas (1987/88; 1989/90), 1 FA Cup (1988/89) e 3 Charity Shields (1988/89; 1989/90; 1990/91). Para além desse rol de troféus, e que atesta bem a importância do avançado durante os anos em que jogaria pelo conjunto de Anfield, seriam as diversas nomeações para o “PFA Team of the Year”.
Mesmo sendo um dos atletas com presença obrigatória na selecção inglesa, tendo sido chamado ao Euro 88 e Mundial de 1990, o seu espaço no Liverpool começaria a diminuir. Preterido por nomes como o do galês Dean Saunders, a solução para a falta de utilização seria a sua saída do clube. Numa transferência que, por certo, pouco agradou à maioria dos adeptos “Reds”, Peter Beardsley acabaria por mudar-se para os rivais do Everton, na temporada de 1991/92. Numa passagem que, no sentido colectivo, não traria grandes motivos de destaque, só o seu regresso ao Newcastle, 2 anos após a sua ida para Goodison Park, é que o devolveria à equipa nacional.
Já depois desse período no emblema do Nordeste, onde chegou a envergar a braçadeira de capitão, a carreira de Beardsley, tendo já há muito ultrapassado a barreira dos 30 anos, entraria numa fase de enorme errância. Bolton Wanderers, Manchester City, Fulham ou até mesmo a sua passagem pelos australianos do Melbourne Knights, preencheriam um percurso que terminaria na época de 1998/99. Já depois de se afastar dos relvados, a vida do antigo internacional continuaria relacionada com a modalidade. Principalmente ligado ao Newcastle, mas também com uma curta passagem pela selecção inglesa, a sua experiência como treinador tem sido construída nas camadas jovens ou como adjunto.

830 - KENNY DALGLISH

Se uma carreira de sucesso é traduzida pelo número de títulos ganhos, então Kenny Dalglish é um dos melhores exemplos de que o êxito. Todavia, para o antigo avançado não foram só os troféus que o levaram ao topo do futebol britânico e mundial. Quase que arrisco a dizer que o atacante escocês, só pela habilidade mostrada dentro de campo, conseguiria sempre assegurar um lugar na história da modalidade.
Ora, tudo começou na zona de Glasgow, de onde é natural. Tendo estudado em diversas instituições na área metropolitana da referida cidade escocesa, seria no âmbito do desporto escolar que Dalglish daria os primeiros passos na prática do futebol. Curiosamente, e ao contrário do que viria a ser durante o percurso profissional, um dos primeiros lugares que ocuparia seria o de guarda-redes. Mais tarde, e já em posições mais adiantadas, as qualidades que mostrava levá-lo-iam a ser chamado aos “Scottish Schollboys”. O destaque aí conseguido faria com que diversos emblemas tentassem a sua contratação. Liverpool e West Ham convidá-lo-iam para prestar provas. No entanto, o jovem atleta não agradaria e a mudança para Inglaterra abortaria em ambos os casos. Pouco tempo depois seria o Celtic a tentar a sua contratação. Engraçado, é que o jovem atleta até era adepto dos rivais do Rangers. Diz-se que no dia em que o emblema de Parkhead mandou a sua casa um emissário, Dalglish, mal soube da sua chegada, terá corrido para o quarto para retirar da parede os “posters” dos seus ídolos!
Apesar da aposta feita, os primeiros tempos de Kenny Dalglish com os “The Bhoys” não seriam fáceis. Para começar, o avançado, ainda em idade júnior, seria cedido ao Cumbernauld United. Depois, e quando o empréstimo estava prestes a ser renovado, o seu pedido para voltar ao clube levá-lo-ia à equipa de “reservas”. Já a sua inclusão no plantel principal, mesmo tendo feito algumas partidas em campanhas anteriores, aconteceria apenas 3 épocas após o referido regresso. A integração em definitivo aconteceria na temporada de 1971/72 e, imediatamente, mostrariam um atleta de excelência.
No cômputo das 7 temporadas em que Dalglish vestiu a camisola verde e branca, o conjunto de Glasgow beneficiou muito da sua pontaria afinada. Os golos conseguidos pelo avançado seriam um dos principais motores para o sucesso do Celtic. No campo das vitórias, é inegável a importância que o atleta acabaria por ter numa série de títulos. 6 Ligas, 5 Taças da Escócia, 2 Taça da Liga e, já no plano individual, o prémio de Melhor Marcador em 1975/76 é o saldo desses anos a jogar pelo emblema escocês.
O seu nome está também associado a uma boa fase da selecção escocesa. É certo que sem ganhar qualquer competição, a qualificação da equipa nacional para diversas fases finais seria o reflexo dessas boas prestações. Já depois de, em Novembro de 1971, ter conseguido estrear-se pelos “AA”, seria a chamada ao Mundial de 1974 que cimentaria o seu trajecto como atleta internacional. Para além do certame organizado na antiga Alemanha Ocidental, a sua presença em mais 2 Campeonatos do Mundo (1978; 1982) ajudá-lo-iam a tornar-se num dos grandes futebolistas dos anos 70 e 80. A acrescentar a essas participações, os 102 jogos feitos por Dalglish com as cores da Escócia, transformá-lo-iam no atleta com mais partidas disputadas pelo seu país.
Com tudo o que já foi dito, e se, ainda assim, a sua carreira estivesse associada apenas ao Celtic e à selecção escocesa, não seria possível dizer-se que a mesma tivesse terminado desprovida de grandes momentos. Claro está que, para justificar o estrelato a que o atacante chegou, falta um pouco mais. Esse “mais” chama-se Liverpool. Nesse sentido, o nome de Kenny Dalglish está, mais uma vez, associado a um dos melhores períodos da história de um emblema. Tendo chegado a Anfield Road para a temporada de 1977/78, e com a responsabilidade de substituir Kevin Keegan, o avançado também contribuiria para elevar os “Reds” à condição de grande potência do futebol europeu. A testemunhá-lo estão os inúmeros troféus ganhos, entre os quais 3 Taças dos Campeões Europeus, 8 Ligas, 2 Taça de Inglaterra, 4 Taças da Liga e 7 Charity Shields.
Nessa sua passagem por Inglaterra, Dalglish rapidamente provaria que nada o conseguiria desviar da glória. Logo no seu jogo de estreia na Liga, o avançado escocês mostraria porque é que a sua contratação havia fixado um novo recorde em termos monetários. O golo marcado frente ao Middlesbrough, daria início a uma contagem que ultrapassaria a centena de remates certeiros. Curiosamente, no seu palmarés não consta qualquer prémio de Melhor Marcador do referido campeonato. Por outro lado, as suas exibições, levá-lo-iam a vencer o troféu de Jogador do Ano em 1982/83.
Tendo o seu trajecto como futebolista terminado em 1989/90, ele que já era o treinador-jogador fazia 5 anos, Dalglish passa a assumir em exclusivo as funções de “manager”. É Interessante pensar que a maioria dos títulos que ganhou enquanto técnico é referente às campanhas em que o ainda dividia tarefas entre o “banco” e o rectângulo de jogo! É igualmente verdade que, como técnico, nunca haveria de atingir o sucesso que antes havia conseguido como atleta. Ainda assim, as duas passagens por Anfield, pelo Blackburn, Newcastle e Celtic transformariam o seu trajecto num currículo bastante respeitável.

 

829 - BODO ILLGNER

Já após ter terminado a sua formação no FC Köln, Bodo Illgner faria a sua estreia na equipa principal na temporada 1985/86. Depois de, nessa partida frente ao Bayern de Munique, ter entrado para o lugar do expulso Harald Schumacher, seria também em substituição do mítico guarda-redes alemão que, a partir de 1987/88, o atleta chegaria à titularidade.
É durante a campanha em que assegura um lugar na baliza do seu clube, que o jovem futebolista chega à principal selecção da República Federal Alemã. Tendo já vencido um Campeonato da Europa s-16 pela “Mannschaft”, esse amigável frente à Dinamarca marcaria um trajecto que em nada o envergonharia. Logo no final dessa temporada, Illgner é chamado ao Euro 88. Apesar de não ter jogado qualquer partida, sendo o suplente Eike Immel, o torneio organizado no seu país natal como que serviria de prelúdio para um dos melhores feitos na sua carreira.
Ora, é também com a camisola da sua nação que participa no Mundial de 1990. Em Itália, onde seria o dono absoluto da baliza germânica, o guardião daria o seu contributo para que o conjunto orientado por Franz Beckenbauer chegasse à final. No derradeiro jogo do referido torneio, a Alemanha Ocidental encontrar-se-ia com a selecção da Argentina. Em género de desforra, como que a vingar o acontecido 4 anos antes, Illgner consegue manter as suas redes invioláveis, ajudando a sua selecção a consagrar-se campeã do mundo.
Pelo FC Köln, ao contrário do êxito conseguido com as cores da “Mannschsft”, o guarda-redes não ganharia qualquer triunfo colectivo. Mesmo tendo participado em campanhas de relativo sucesso, o melhor que conseguiria testemunhar seria o 2º lugar na “Bundesliga” de 1990/91 e, numa derrota frente ao Real Madrid, a presença na final da Taça UEFA de 1985/86. Mesmo assim, e afastado dos “títulos caseiros”, as suas qualidades seriam frequentemente reconhecidas. Nesse sentido não é difícil compreender que, entre 1989 e 1992, Illgner tenha sido sempre eleito como o Melhor guarda-redes da Liga alemã.
Onde ganharia muitos títulos seria na sua mudança para Espanha. Transferido para o Real Madrid no Verão de 1996, onde chegaria a jogar com Luís Figo, as vitórias começariam a chegar ao seu percurso. Logo para começar, nessa campanha de estreia, os “Merengues” sagrar-se-iam campeões nacionais. Depois, num total de 5 anos na capital espanhola, contribuiria também para 2 “Champions Leagues” (1997/98; 1999/00), 1 Taça Intercontinental (1997/98), 1 Supercopa de Espanha (1997/98) e, para terminar, a “La Liga” de 2000/01.
Seria na equipa “madridista” que Illgner acabaria por pôr um ponto final na carreira de futebolista. Já com as lesões a afectar o seu desempenho e, por consequência, a sua presença no “onze” titular, o guardião começaria a ser substituído por Iker Casillas. “Penduraria as luvas” no final da temporada de 2000/01 e, desde então, tem-se mantido longe dos grandes palcos. Ainda que distante da dos “holofotes”, o antigo guardião não conseguiria afastar-se completamente da atenção do público. Para além de comentador desportivo no canal alemão “Premiere”, o ex-internacional, em parceria com a sua esposa, escreveria o livro “Alles”.

828 - PETER SHILTON

Tendo terminado a formação no Leicester, seria também no emblema sediado nas East Midlands que, com apenas 16 anos, faria a transição para o patamar sénior. Todavia, na baliza morava o mítico Gordon Banks. Com tamanha concorrência, e apesar das suas elogiadas qualidades, o jovem guardião teria ainda de esperar algum tempo para conseguir conquistar um lugar no “onze” inicial. A oportunidade acabaria mesmo por chegar e a transferência do campeão do mundo de1966 para o Stoke City, abriria as portas da titularidade a Peter Shilton.
Com o primeiro jogo pela equipa sénior do Leicester a surgir na temporada de 1965/66, os quase dez anos que passaria ao serviço dos “Foxes” trariam ao atleta uma série de diferentes experiências. Mesmo com o emblema quase sempre num plano competitivo discreto, a verdade é que as exibições do guarda-redes não passariam despercebidas aos mais altos responsáveis do futebol britânico. Nesse campo, a sua participação na final da FA Cup de 1968/69 ou a conquista do Charity Shield em 1971/72 haveria de ajudá-lo muito. Depois, e numa altura em que o seu clube até andava afastado do escalão máximo, Alf Ramsey decide convocá-lo para a selecção.
O amigável frente à Alemanha de Leste, disputado em Novembro de 1970, marcaria um longo percurso com a camisola de Inglaterra. Com 125 internacionalizações, Peter Shilton ainda é o atleta que mais vezes representou a equipa dos “Three Lions”. Para além desses jogos, há ainda a participação em diversas fases finais de grandes certames. Os Europeus de 1980 e 1988, mas, principalmente, a sua presença nos Mundiais de 1982, 1986 e 1990, fariam dele um dos grandes nomes do futebol.
Voltando aos emblemas que representou, a sua ida para o Stoke City, seguindo os passos de Banks, transformariam a sua transferência num recorde mundial. As £325.000 pagas pelo seu novo clube, fariam dele o guarda-redes mais caro de sempre. Maquia bem empregue, pois Peter Shilton estava também cotado como um dos melhores a jogar na sua posição. O seu valor era de tal ordem que o Manchester United, sensivelmente dois anos após a sua chegada, tentaria a sua contratação. Os dois emblemas chegariam a um acordo, mas o salário pedido pelo guardião, que iria fazer dele o mais bem pago no plantel, é recusado e a sua saída para os “Red Devils” inviabilizar-se-ia.
Foi com a sua transferência para o Nottingham Forest que Peter Shilton terá, sem sombra de dúvidas, vivido os melhores anos da sua carreira. Com Brian Clough à frente dos destinos do clube, o grupo conseguiria diferentes feitos nacionais e internacionais. Como é lógico a vitória na Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1978/79 e 1979/80 terão de vir à cabeça do rol de troféus conseguidos. Contudo, há muito mais e a Supertaça Europeia de 1979/80, a Liga Inglesa de 1977/78, a League Cup e o Charity Shield, ambos conquistados em 1978/79, também fazem parte dessa lista de brilharetes.
Outro dos episódios marcantes no seu percurso profissional, haveria de o viver nos anos em que já representava o Southampton. Mesmo com o emblema do sul de Inglaterra a quedar-se pelo 14º lugar, o final da temporada de 1985/86 mostraria o seu nome no lote de atletas escolhidos por Bobby Robson, para disputar o Mundial de 1986. No certame organizado no México, e já na fase de eliminatórias, à Inglaterra calha em sorte a Argentina. Todavia, esse embate dos quartos-de-final ficaria marcado por um lance bastante polémico. Na disputa de uma jogada aérea com Maradona, Shilton sai-se à bola a soco. A verdade é que “El Pibe” consegue ganhar o lance e introduz o esférico na baliza. Os ingleses reclamam da ilegalidade cometida pelo avançado. Contudo, o golo é validado e, quando questionado pelos jornalistas, o astro argentino haveria de responder que o tento tinha sido conseguido “ um pouco com a cabeça e o resto com a mão de Deus”.
A sua última internacionalização haveria de chegar no decorrer do Mundial de 1990. Por essa altura, e com Peter Shilton já com mais de 40 anos de idade, era notório que o seu trajecto profissional devia estar a aproximar-se do fim. Ainda assim, e depois de deixar o Derby County, o guardião continuaria por mais alguns anos. Seguir-se-ia o Plymouth Argyle, onde desempenharia as funções de treinador-jogador. Depois, ainda houve tempo para mais uma série de emblemas e, dessa forma, a carreira do guarda-redes estender-se-ia até à temporada de 1996/97, no fim da qual tomaria a decisão de arrumar as luvas.

827 - BUTRAGUEÑO

Filho de um grande adepto do Real Madrid, logo um dia após o seu nascimento já o pai o filiava como sócio do clube. Ora, tal acto parecia querer anunciar a futura ligação de um dos mais ovacionados jogadores “merengue” com o emblema da capital espanhola. Curiosamente, seria noutra colectividade que Emilio Butragueño daria os primeiros passos no futebol.
No Real Club Deportivo Casariche Balompié, ainda em idade escolar, o atacante acabaria por participar em diversos torneios para jovens. Após um deles, no qual conseguiria destacar-se, o seu progenitor decide levá-lo a prestar provas no Real Madrid. Não agradou! A recusa do emblema “blanco” não o levaria a desistir de perseguir o sonho de se tornar profissional. Nos rivais do Atlético Madrid agradaria e acabaria por ficar a treinar. Quem não ficou satisfeito com tal solução foi, logicamente, o seu pai. É então que o mesmo decide falar com os dirigentes “madridistas”. Convence-os a dar nova oportunidade ao filho e, dessa feita, o jovem atleta lá consegue agradar como… centrocampista!!!
No evoluir do seu percurso, a importância que começa a ter acentua-se com a sua chegada ao Castilla. No emblema “b” do Real Madrid, Butragueño junta-se a Michel, Martín Vásquez, Sanchís e Pardeza. O sucesso do conjunto, onde os referidos jogadores haveriam de merecer o maior destaque, leva a que imprensa desportiva espanhola, pela mão do jornalista Julio César Iglesias, baptize o grupo como a “Quinta del Buitre”. Apesar do peso que toda essa cobertura mediática poderia ter criado no atleta, a sua chegada à equipa principal não decepcionaria ninguém. Com um estilo de jogo muito peculiar, onde se destacavam as suas velozes movimentações dentro da grande área, o atacante rapidamente conseguiria conquistar um lugar no “onze” inicial. Ao lado do mexicano Hugo Sanchez, Butragueño tornar-se-ia num dos mais respeitados jogadores saídos do futebol espanhol. Fosse com as assistências para os seus colegas ou como finalizador, o avançado conseguiria conquistar a admiração de adeptos, colegas e adversários.
Também com a camisola “Roja” o atleta construiria uma história deveras digna. Pela selecção, já depois de ter ajudado os s-21 a chegar à final do Europeu da categoria, é convocado por Miguel Muñoz ao Euro 84. Ainda sem qualquer internacionalização “A”, e sem sair do banco, Butragueño vê o seu país, mais uma vez, a ser derrotado na derradeira partida do torneio. Já a sua estreia pela principal equipa de Espanha aconteceria apenas passados alguns meses. A 17 de Outubro de 1984, num amigável frente ao País de Gales, o avançado enceta o seu percurso com o conjunto nacional espanhol. O jogador abrilhanta essa vitória com um remate certeiro. Depois vêm as participações no Euro 88 e nos Mundiais de 1986 e 1990. Destaque para o seu desempenho no certame organizado no México, onde, numa partida referente aos oitavos-de-final, marca 4 dos 5 golos com que a sua equipa derrotaria a Dinamarca.
Ao contrário daquilo que é o seu palmarés pela selecção, com a qual não venceria qualquer troféu de relevo, as conquistas ao serviço do clube ornamentariam, e bem, o seu currículo desportivo. Contribuindo para uma fase de grande hegemonia do Real Madrid, Butragueño veria a sua carreira ficar enriquecida pela vitória em 6 Ligas (nas quais está o “penta” conseguido entre 1985/86 e 1989/90), 2 Copas del Rey, 4 Supercopas e em 2 Taças UEFA. Para além deste registo conseguido em 12 temporadas pela equipa principal do Real Madrid, faltará fazer referência à conquista do “Pichichi” de 1990/91, prémio atribuído ao Melhor Marcador do campeonato espanhol.
Contrariando, por certo, o desejo de muitos adeptos, o final da carreira de Emilio Butragueño aconteceria bem longe do Santiago Bernabéu. Convidado pelo Atlético Celaya, o avançado atravessaria o Atlântico para, no México, terminar a sua história como futebolista. Partilharia o balneário, numa altura em que para o “país dos Aztecas” foram vários craques europeus, com os seus antigos companheiros Michel e Hugo Sanchez. Apesar de não ter conseguido ajudar o emblema na conquista de qualquer título, a sua presença acabaria por tornar o clube num recordista de audiências televisivas.
Já depois de terminar a carreira, o antigo craque dedicar-se-ia a outros papéis. Aproveitando o facto de possuir graduações académicas em Ciências Económicas e Empresárias e também em Gestão de Entidades Desportivas, Butragueño assumiria cargos como o de Assessor no Conselho Superior de Desporto de Espanha ou como Director Geral da “Escuela de Estudios Universitarios Real Madrid”. Também pelo clube “merengue”, o ex-atacante chegaria a desempenhar a função de “Managing Director”.

826 - LINEKER

Tendo nascido em Leicester, no exacto mesmo dia (em anos diferentes!!!) que Winston Churchill, seria no emblema local que Lineker daria os primeiros passos como futebolista profissional. Mesmo com o clube, no final dos anos 70, a disputar as divisões inferiores da “FA”, o atacante começaria a destacar-se pelos golos que conseguia. Com temporada de 1983/84, e a chegada dos “Foxes” ao patamar máximo, o destaque que passaria a merecer cresceria exponencialmente. As qualidades que exibia, já depois de ter sido chamado ao conjunto “B”, levá-lo-iam, pela mão de Bobby Robson, à estreia na principal selecção inglesa. Ainda assim, a confirmação de que era um ponta-de-lança de topo viria na época seguinte, com o atleta a assegurar o lugar cimeiro na tabela dos goleadores.
Tal distinção faria com que o Everton, à altura o campeão em título, decidisse apostar na sua contratação. Contudo, a passagem pelo Goodison Park duraria pouco tempo. Depois de ter chegado para a temporada de 1985/86, e ajudado pela presença no Mundial do México, o avançado vê um dos colossos do futebol a ponderar a sua aquisição. Claro que o interesse do Barcelona seria alimentado pela conquista de mais um título de Melhor Marcador da Liga Inglesa. No mesmo sentido, o atleta também conseguiria sagrar-se o goleador máximo do referido certame para selecções. Ora, todos esses factores fariam do jogador um dos alvos mais apetecidos e, no Verão de 1986, Gary Lineker muda-se para a Catalunha.
Com Terry Venables como treinador dos “Blaugrana”, a primeira temporada em Espanha, no plano estritamente pessoal, seria de grande sucesso para o avançado. Na campanha seguinte o seu estatuto de titular manter-se-ia, mas, ainda assim, continuou a faltar a conquista da “La Liga”. Por esse motivo, a mudança de treinadores acabaria por tornar-se numa constante. Já a chegada de Johan Cruyff ao comando do Barcelona faria com que o estatuto de Lineker mudasse um pouco. Ainda assim, não se pode dizer que essa terceira temporada ao serviço do emblema catalão ficasse desguarnecida de qualquer êxito. Já depois de ter vencido o FA Charity Shield pelo emblema da cidade de Liverpool e de, na época anterior ter ajudado a vencer a Copa del Rey, a campanha de 1988/89 ficaria marcada pela vitória na Taça dos Vencedores das Taças.
Com a perda da titularidade no Barcelona dá-se o regresso a território britânico. Com o Manchester United também na corrida pela sua contratação, acabaria por ser o Tottenham a conseguir aliciar o jogador. Na passagem pelo emblema londrino, a conquista de mais um título colectivo mereceria grande destaque. A vitória na FA Cup de 1990/91 embelezaria o seu currículo. Todavia, aquilo que notabilizava o avançado eram os remates certeiros. Nesse campo, a conquista de mais um prémio de Melhor Marcador da Liga (1989/90) sublinhá-lo-ia, ainda mais, como um dos grandes dos avançados a nível mundial. Para salientar esse estatuto, falta ainda referir a sua presença no Itália 90. Com 4 tentos conseguidos, o ponta-de-lança tornar-se-ia no maior goleador inglês em fases finais do Campeonato do Mundo. Aliás, por altura do fim do seu percurso como futebolista, Lineker, apenas com Bobby Charlton à sua frente, estava cotado como o segundo atleta com mais golos conseguidos pela camisola dos “Three Lions”.
Já depois de, ao serviço dos japoneses do Nagoya Grampus Eight, ter disputado as últimas temporadas como jogador, a sua ligação ao futebol manter-se-ia, mas noutros campos. Gary Lineker tem-se destacado como comentador desportivo. Tendo já dado o contributo em vários canais, destaque para a sua presença na BBC, onde apresenta o popular programa de televisão “Match Of The Day”.

825 - ANDERS LIMPAR

Os primeiros anos como sénior, ao serviço do IF Brommapojkarna e Örgryte, levá-lo-iam a ser chamado à selecção nacional. Essa primeira partida, num particular frente à União Soviética, serviria de prelúdio para a sua aparição nos Jogos Olímpicos de 1988. Funcionando como um bom impulso, a participação nas olimpíadas levá-lo-ia a conseguir novos interessados no seu concurso. Curiosamente, o período após a sua presença em Seoul ficaria caracterizado não só pela passagem por diversos clubes, como por uma rápida ascensão. Young Boys e Cremonese seriam os emblemas que precederiam a sua chegada à “Premier League”. É certo que, por essa altura, já o médio estava consolidado na equipa nacional. Contudo, seria a sua mudança para o Arsenal que o iria confirmar como um dos melhores futebolistas suecos.
As temporadas passadas no mais alto patamar inglês foram, sem dúvida alguma, o melhor período da sua caminhada profissional. Num percurso que, para além dos “Gunners”, seria preenchido com as cores do Everton e Birmingham, o palmarés conseguido em Inglaterra daria ainda mais importância a essas campanhas. 1 Taça dos Vencedores das Taças, 1 “Premier League”, 2 “FA Cups”, 1 “League Cup” e 2 “Community Shields”, vitórias divididas entre as estadias em Londres e Liverpool, seriam os números desses 7 anos por “Terras de Sua Majestade”.
Paralelamente à conquista de todos os troféus acima referidos, viriam mais participações em relevantes torneios para selecções. Mundial de 1990 e Euro 92, com a sua devida importância, seriam “abafados” pela presença no Campeonato do Mundo de 1994. Nos Estados Unidos da América a equipa escandinava teria uma das melhores participações da sua história. Mesmo tendo sido pouco utilizado, Anders Limpar faria parte do grupo que levaria a Suécia ao 3º lugar do pódio.
De volta ao seu país, o centrocampista entraria na última fase da carreira. AIK, onde conseguiria sagrar-se campeão sueco em 1998, Colorado Rapids (Estados Unidos da América), Djugardens, e o regresso ao IF Brommapojkarna marcariam essa derradeira etapa. Depois viriam algumas experiências como treinador. Nas funções de técnico, num percurso ainda longe do êxito que teve como jogador, Limpar já treinou as camadas jovens do Djugardens e, nos escalões secundários, os amadores do Sollentuna United.

824 - MICHEL


Quando se pertence àquela que ficou conhecida como a “Quinta del Buitre”, então é quase certo que podemos associar a palavra sucesso à carreira do jogador! Com Michel não foi diferente! Melhor ainda… podemos dizer que o médio foi um dos expoentes máximos dessa fornada de jovens atletas que, a par do mítico Emílio Butragueño, saiu dos escalões de formação do Real Madrid.
Também a sua chegada à principal equipa “merengue”, em 1984/85, serviria para provar aquilo que já foi dito no parágrafo anterior. Conseguindo, imediatamente, fixar-se como um dos titulares, Michel, em toda a sua caminhada de “branco”, jamais jogaria menos de 30 partidas para a liga espanhola. Esse facto, já por si deveras importante, a juntar aos títulos ganhos e à qualidade de jogo que sempre apresentou, transformá-lo-ia num dos atletas legendários da história do Real Madrid.
Num desses campos referidos, o da aptidão técnica e táctica, Michel era um médio que actuava preferencialmente pela direita do campo. Tendo uma enorme habilidade para progredir com a bola nos pés e de, nas jogadas ofensivas, ler as movimentações de todos os companheiros, os seus passes eram uma grande arma para municiar os ataques. Não só no clube, mas também pela selecção espanhola, os seus cruzamentos ficaram conhecidos por, em tantos casos, serem meio caminho para o golo.
Como ainda agora foi dito, não foi só no Real Madrid que Michel fez história. Também pela equipa nacional, o médio conseguiu construir um percurso invejável. Com as cores da “Roja”, e já com um largo caminho nas camadas de formação, o atleta seria chamado a disputar as mais importantes competições para selecções. Após ter chegado ao derradeiro desafio do Europeu s-21 de 1984, torneio ganho pela Inglaterra, o jogador participaria no Euro 88 e nos Mundiais de 1986 e 1990. Contudo, pela Espanha ficou a faltar um grande título. Já no que diz respeito ao clube, o saldo é completamente diferente. Pelo Real Madrid venceria quase tudo o que há para ganhar. Conquistou 6 “La Ligas”, incluindo o “penta” entre 1985/86 e 1989/90; venceu 2 “Copas del Rey” e 4 “Supercopas”; e, naquilo que foi a sua carreira nas competições europeias, arrecadou para o seu palmarés 2 Taças UEFA (1984/85; 1985/86).
Já depois da despedida do Real Madrid e de, ao lado dos companheiros “madridistas” Butragueño e Hugo Sanchez, ter tido uma última aventura nos mexicanos do Atletico Celaya, Michel decide pôr um ponto final na sua carreira de futebolista. Depois desse abandono em 1997, muitos foram os anos em que o ex-internacional espanhol ficou arredado da modalidade. Afastado, é certo, num sentido pouco lato. Nesse interregno, o antigo craque ficaria conhecido pelas suas colaborações, tanto como comentador televisivo, como nos artigos escritos para jornais desportivos.
Curiosamente, e ao contrário de tantos outros colegas, a sua carreira como treinador, só daria os primeiros passos, quase uma década após ter “pendurado as chuteiras”. Quem lhe abriria a porta acabaria por ser o Rayo Vallecano que, na temporada de 2005/06 o convidaria para assumir o comando da equipa principal. Nesse percurso como técnico, que já conta com passagens pelo Sevilla, Getafe, Marseille ou Málaga, destaque para a sua “estadia” na Grécia. Dessa colaboração com o Olympiacos resultariam diversos títulos, dos quais 2 Campeonatos e 1 Taça.



823 - PAUL GASCOINE

Sendo um grande fã de futebol, só a sua habilidade com a bola era comparável a essa paixão. Não foi por isso de admirar que, logo em tenra idade, muitos “olheiros” o começassem a desafiar para prestar provas nos respectivos clubes. Ipswich Town, Middlesbrough e Southampton, seriam os primeiros a endereçar-lhe tais convites. Apesar do insucesso dessas experiências, o jovem Paul Gascoine nunca desistiria do sonho de ser um futebolista profissional. Foi então que chegou a hora do clube que apoiava. No Newcastle agradou. Aí, no emblema do Nordeste inglês acabaria a sua formação, e, na mesma temporada em que capitanearia a equipa de S-18 na vitória na FA Youth Cup, acabaria por estrear-se no patamar sénior.
Esse primeiro jogo na temporada de 1984/85, patrocinado pelo mítico Jack Charlton, acabaria por dar início a uma carreira recheada de grandes momentos. Não tardou muito até que as suas capacidades o levassem a um plano de real distinção. Logo na época seguinte à da estreia com os “Magpies”, Gascoine conseguiria ganhar um lugar no “onze” inicial. Cotando-se como um dos melhores do conjunto “geordie”, o médio mereceria honras de destaque na imprensa desportiva, acabando por figurar em muitas capas e primeiras páginas de jornais. Paralelamente àquilo que é o jogo com a bola nos pés, os momentos caricatos também começaram a preencher a sua carreira. Num desafio frente ao Wimbledon, o temível Vinny Jones, conhecido pela crueldade, apertaria a sua genitália. O esgar de dor do médio correu mundo, mas, ao invés de responder com violência, Gazza (alcunha pela qual ficaria conhecido), enviaria uma rosa ao seu agressor e, segundo rezam as crónicas, tornar-se-iam grandes amigos.
Já depois de ser laureado com o “PFA Young Player of the Year” em 1986/87, Gascoine começa a ser assediado por clubes de maior nomeada. Manchester United apareceria na “linha da frente”. No entanto, a preferência do atleta recairia por um emblema de Londres e a transferência, naquilo que foi um recorde monetário, concretizar-se-ia a favor do Tottenham. Em White Hart lane, o que eram as suas habilidades futebolísticas serviriam, ainda mais, para sublinhar a qualidade que sempre havia demonstrado dentro de campo. Uma visão de jogo primorosa, comparável apenas à sua técnica de passe e finta, fariam dele um dos melhores a actuar na sua posição. Partindo desse princípio, e dando seguimento às chamadas nas camadas jovens, o médio acabaria por fazer a sua estreia na principal selecção inglesa.
Voltando ao clube, a sua passagem pelos Hotspurs teria o seu momento mais alto aquando da final da Taça de Inglaterra de 1990/91. No desafio disputado em Wembley, numa altura em que já tinha firmado um acordo com a Lazio, era no atleta que todos as luzes estavam focadas. 15 minutos passados após o começo da partida e, numa entrada violenta, Gascoine atinge o antigo atleta do Benfica, Gary Charles. O médio aleija-se gravemente, mas ainda aguenta em campo o tempo necessário para, na sequência do castigo aplicado à sua falta, ver Stuart Pearce pôr o Nottingham Forest à frente no marcador. Pouco tempo após o golo, o jogador acaba mesmo por ser transportado para fora do terreno de jogo. O Tottenham acabaria por vencer o desafio. Contudo, a lesão que sofreria no joelho deitaria por terra a sua hipótese de transferência para o “Calcio”.
Sendo ele um dos que mais resplandeceu no Mundial de 1990, certame organizado em Itália, era impossível que do Sul da Europa não surgissem mais oportunidades. Após a longa recuperação, novo convite surgiria e, mais uma vez, era Lazio a mostrar interesse na sua contratação. Numa altura em que muito já tinha brilhado à custa dos jogos “Gazza’s Super Soccer” e “Gazza II”, a mudança para a cidade Roma quase que dispensava qualquer tipo de cerimónia. Ainda assim, com toda a pompa e circunstância, a sua apresentação ocorreria na temporada de 1992/93. No entanto, a sua adaptação a uma nova realidade ficaria bem longe dos pergaminhos que trazia. Polémicas envolvendo repórteres e a imprensa, querelas com o Presidente do clube, excesso de peso, novas lesões e exibições inconstantes fariam parte do rol de episódios que ilustrariam a sua passagem pela “Serie A”.
A sua ligação ao emblema romano terminaria no final da temporada 1994/95 e sem grandes louvores conseguidos. Já mudança para a Escócia valer-lhe-ia as primeiras vitórias em campeonatos. 2 Ligas escocesas (1995/96, 1996/97), às quais acrescentaria 1 Taça (1995/96) e 1 Taça da Liga (1996/97), preencheriam o seu currículo. Também no que diz respeito a episódios caricatos, a sua passagem pelo Rangers haveria de ter os seus capítulos. Num desafio que opunha a sua equipa à do Hibernian, o árbitro Dougie Smith deixa cair o cartão amarelo. Gascoine apanha-o do chão e “exibe-o” ao juiz, acabando, ele próprio, por ser admoestado com a tal cartolina. Apesar de tudo, seria durante este período que Gascoine voltaria a mostrar a sua genialidade. Numa altura em que sua chamada seria vista com alguma desconfiança, as exibições que conseguiria durante o Euro 96 serviram para demonstrar que o médio ainda conseguia estar ao melhor nível. Fica na memória o golo que marcaria frente à selecção escocesa. Nesse embate da fase de grupos, o atleta recebe a bola à entrada da área, passa-a por cima de um defesa e remata-a para o fundo das redes adversárias.
As suas passagens por Middlesbrough, Everton, e Burnley serviriam mais às estatísticas do que propriamente ao espectáculo do futebol. A sua fraca forma física, naqueles que foram os derradeiros anos da sua carreira, tornar-se-ia uma evidência. Depois, ainda que na condição de treinador jogador, chegariam os primeiros trabalhos como técnico. As passagens pela China, no Gansu Tianma, e o regresso a Inglaterra ao serviço do Boston United, serviriam de prelúdio para a sua passagem, em definitivo, para os “bancos”. Nessa função, numa carreira que viria ser bastante curta, destaque para estadia em Portugal, onde orientaria o Algarve United.

COMPUTER GAMES

Quando na segunda metade da década de 80 os pequenos computadores tiveram o seu grande “boom”, houve um tipo de entretenimento que passou a ter honras de predilecção. Spectrum, Atari, leitores de cassetes e intermináveis minutos a carregar jogos passaram a fazer parte da agenda de muita gente. No futebol, muitos foram os craques que associaram o seu nome a esta nova industria e é por causa deles que, durante o mês de Novembro, vamos falar de “Computer Games”!

822 - CASTANHEIRA

Após ter dividido a formação entre o Desportivo de Chaves, emblema da sua cidade natal, e o Sporting de Braga, é nos “Guerreiros” que Castanheira faz a transição para a categoria sénior. Com um longo percurso nas selecções jovens portuguesas, o médio era encarado com uma das grandes promessas do clube. Jogador combativo e com excelentes qualidades técnicas, era no miolo do terreno que melhor conseguia demonstrar o seu valor. Apesar de ter tido, naquelas que seriam as duas primeiras temporadas com o plantel principal, algumas dificuldades em impor-se, a entrega com que encararia o dia-a-dia de trabalho acabaria por resultar na conquista de um lugar de destaque no grupo.
A partir de 1998/99, a sua terceira época como sénior, a influência do seu futebol levá-lo-ia a ser um dos atletas mais chamados à ficha de jogo. Numa temporada algo conturbado para os minhotos, durante a qual 4 treinadores seriam nomeados, Castanheira teria um papel fulcral na manutenção da equipa na metade superior da tabela classificativa. Daí em diante o seu papel manter-se-ia inalterado e, resultado de tal importância, o centrocampista voltaria a ser chamado aos trabalhos da selecção nacional, desta feita para os S-21 e “B”.
Tendo, isto só no patamar sénior, vestido a camisola “arsenalista” em 12 temporadas diferentes, Castanheira terá que ser visto, obrigatoriamente, como um dos históricos do clube. Para além disso, não podemos omitir que a sua importância, sem esquecer aquilo que já foi dito, ficaria bem patente noutros aspectos. A nomeação para “capitão” terá, inevitavelmente, que ser sempre mencionada. A “braçadeira” acabaria por ser reflexo, talvez o mais importante, dessa sua relevância. Como conclusão, podemos dizer que, sem qualquer réstia de dúvida, e na construção do caminho para as melhores campanhas do Sporting de Braga até aos dias de hoje, o atleta transformar-se-ia num dos principais pilares.
Após perder algum espaço no seio do conjunto minhoto, Castanheira decidiria que a mudança para outro emblema seria a melhor opção. Ainda por empréstimo, primeiro viria o Leixões. Depois, e com o fim da sua ligação contratual com os bracarenses, o médio daria seguimento à sua carreira noutros emblemas e disputando diferentes escalões no futebol português. Curiosamente, e numa altura em que o fim estava próximo, o atleta apostaria num campeonato estrangeiro. Naquela que foi a sua única experiência fora do nosso país, o centrocampista teria uma curta passagem pelo Doxa.
Ao fim de uma temporada (2012/13) a disputar o campeonato cipriota, o momento de “pendura as chuteiras” chegaria. Contudo, e tendo posto um “ponto final” na sua vida de futebolista, não ficaria muito tempo afastado da modalidade. A época seguinte acabaria por marcar o começo da sua vida como treinador. Convidado pelo Sporting de Braga, o antigo jogador assumiria as tarefas de adjunto. Nessas funções, tem estado ao serviço do clube desde 2013. Com Abel Ferreira ao comando dos “Guerreiros”, Castanheira mantém-se como um dos membros da equipa técnica bracarense para 2017/18.

821 - MÁRCIO SANTOS

A sua caminhada pelas camadas jovens haveria de ser recheada de sucesso. Todavia, muito para além das conquistas conseguidas com as camisolas do Sporting e da Selecção Nacional, em Márcio Santos estava depositada a esperança de vir a ter uma grande carreira. Contudo, a transição para o patamar sénior acabaria por mostrar uma realidade um pouco diferente daquela que seria espectável e o jovem atleta não conseguiria atingir o nível exibicional anteriormente demonstrado.
Em 1996, numa altura em que o Lourinhanense era o clube “satélite” do emblema de Alvalade, a inclusão do guardião na equipa da região do Oeste foi encarada com normalidade. Tendo em conta a esperança depositada nos craques saídos das escolas leoninas, os anos aí passados eram vistos como uma maneira dos novos atletas ganharem experiência competitiva. No caso de Márcio Santos, e sendo corroboradas pelas inúmeras chamadas às diferentes “Equipas das Quinas”, todas essas temporadas seriam vistas como um bom investimento.
Se mais provas fossem necessárias para sublinhar o seu potencial, então, a aposta feita pelo Real Madrid serviria para calar qualquer “Velho do Restelo”. É certo que o jogador seria colocado no Castilla, a equipa “b” dos “Merengues”. Ainda assim era o colosso mundial a investir nele e, tal facto, só poderia ser visto como um bom agoiro. O pior é que a passagem por Espanha pouco acrescentaria à sua evolução. Depois viria o seu regresso a Portugal. Nessa volta reapareceriam os escalões secundários e, excepção feita aos anos em que vestiu as cores da Académica de Coimbra e Estrela da Amadora, os patamares inferiores do nosso futebol acabariam por preencher o seu percurso futebolístico.
Felgueiras e a, já referida, “Briosa” seriam os primeiros clubes a contratar o guarda-redes após o seu regresso ao nosso país. Apesar de um “arranque” um pouco envergonhado, a verdade é que as prestações de Márcio Santos continuavam a demonstrar que as suas qualidades estavam bem presentes. Nesse percurso, e ainda ao serviço do emblema beirão, chega ao seu currículo a 1ª divisão. No entanto, e ao contrário daquilo que tinha prometido nas épocas anteriores, essa campanha de 2002/03 não serviria para conseguir afirmar-se com um atleta de topo. Com Hilário e Pedro Roma a disputar um lugar na baliza, as oportunidades que mereceria seriam insuficientes para conseguir permanecer no clube. A sua transferência, na época seguinte, para o Estrela da Amadora, viria ainda alimentar a esperança de conseguir impor-se na mais importante competição nacional. Contudo, pouco mudaria e, aquele que tinha sido visto como um dos intérpretes de maior potencial no futebol português, acabaria vetado à discrição dos escalões inferiores.
Depois de quase uma década a cirandar por emblemas mais modestos, eis que a temporada de 2012/13 poria um ponto final na defesa das balizas. Tendo “pendurado as luvas” ao serviço do Loures, pouco tempo perderia e, sem conseguir afastar-se da modalidade, abraçaria em definitivo outras funções. Curiosamente a sua experiência como treinador vinha dos seus tempos como atleta. Em paralelo com a sua carreira de guardião, Márcio Santos já orientava equipas de jovens futebolistas. Esse traquejo fez com que o convite do Recreativo do Libolo, ainda que a um nível de exigência bem distinto, fosse encarado com alguma normalidade. No emblema angolano, e diferente do que já tinha feito até então, o antigo internacional “luso” aceitaria as funções de treinador de guarda-redes. É com essas responsabilidades que em 2015/16 chega ao Belenenses. Esta época (2017/18), e após ter auxiliado diferentes técnicos, mantém-se na equipa técnica dos da “Cruz de Cristo”, ajudando Domingos Paciência.

820 - MEYONG


Saído de uma família muito numerosa, Meyong e os seus irmãos eram grandes adeptos do “desporto rei”. Todavia, a enorme paixão que nutria pela modalidade não era suficiente para fazer frente à autoridade do seu progenitor. Sendo filho de um professor, tudo o que estivesse relacionado com os estudos era, obrigatoriamente, imposto como uma prioridade. Nesse sentido, só com o falecimento do seu pai é que o futebol tomou uma importância maior na sua vida.
O Tonnerre Yaoundé foi o primeiro emblema a ir no seu encalço. Oferecer-se-iam para pagar todas as despesas relacionadas com a sua alimentação e estudos e a sua mãe, a passar por algumas dificuldades financeiras, daria a bênção a tal convite. Depois, pouco mais de uma época após o seu ingresso no clube, apareceria o Canon Yaoundé, emblema onde prosseguiria a sua formação. Ainda nesses primeiros anos, com idade de júnior, o avançado receberia um convite vindo do estrangeiro. Através de N’Kono, antigo guarda-redes da selecção dos Camarões e seu empresário, Meyong é transferido para o Ravenna. A adaptação a uma nova realidade seria bastante difícil e a grande mudança acabaria por não vir de Itália.
 Após ter sido aconselhado ao Vitória de Setúbal, o atacante muda-se para Portugal. Na cidade da Foz do Sado, o atleta vai disputando os dois escalões de topo do nosso futebol. Mesmo com o clube a manter-se nessa alternância, a sua qualidade não passaria despercebida. Por cá começa a cotar-se como um dos bons interpretes a jogar nos nossos estádios. Já no seu país, a evolução demonstrada leva-o a ser chamado aos Jogos Olímpicos de 2000, onde, ao lado de craques como Geremi ou Eto’o, ganharia a medalha de ouro.
É também em Setúbal que encontra um dos homens mais relevantes do seu percurso profissional – “É o treinador mais importante da minha carreira, o homem que me ensinou a maioria das coisas que sei. A verdade é que eu subia sempre de rendimento quando era treinado por ele. Lembro-me que treinávamos muito com ele aqui em Setúbal. Melhorei muito com ele, física e tacticamente”*. Anos mais tarde, Jorge Jesus haveria de voltar a trabalhar com ele no Sporting de Braga e Belenenses. Passagens importantes, por certo. Contudo, e para falarmos de momentos cruciais, temos que referir a sua primeira época no Restelo. Ora, depois de 6 temporadas ao serviço do emblema sadino, e de, na última dessas campanhas, ter ajudado à vitória na Taça de Portugal, eis que Meyong passa a vestir de Azul. Com os da “Cruz de Cristo”, na época de 2005/06, o avançado conquista para o seu currículo uma das grandes proezas a nível individual. Apesar do fraco desempenho colectivo, os 17 golos que conseguiria concretizar levá-lo-iam ao topo da lista dos Melhores Marcadores do Campeonato.
Tal feito levá-lo-ia a ser transferido para a “La Liga”. Já ao serviço do Levante, Meyong é chamado a participar num dos grandes torneios internacionais para selecções. Ainda assim, a sua presença na CAN 2006, naquilo que foi a sua afirmação no clube, não iria acrescentar grande valia. Pouco utilizado na sua primeira temporada em Espanha, é já na segunda época, e depois de ter jogado uma partida pela colectividade de Valência, que é cedido ao Albacete. No entanto, nem com o referido empréstimo a sua vida passa a correr melhor. É então que surge a proposta para regressar a Lisboa… “Pior a emenda que o soneto”! Após ter jogado por 2 emblemas em 2007/08, o jogador, segundo as regras da FIFA, estaria impossibilitado de vestir outra camisola. Ora, a participação num encontro do Campeonato Nacional pelos da “Cruz de Cristo”, valer-lhe-ia um valente castigo e a suspensão daí resultante.
É Jorge Jesus que, na partida de Lisboa para o Minho, o leva para o Sporting de Braga. Com os “Guerreiros”, Meyong volta a passar por momentos gloriosos. Vence a Taça Intertoto em 2008/09, ajuda o grupo a atingir o 2º lugar no Campeonato de 2009/10 e, numa final frente ao FC Porto, disputa o derradeiro encontro da Liga Europa de 2010/11. Todavia, a pouca utilização a que seria vetado nas últimas temporadas com os da “Cidade dos Arcebispos”, levá-lo-ia a voltar a Setúbal na abertura do “Mercado de Inverno” de 2012. É depois desse regresso que surge então o convite do Kabuscorp. No emblema angolano volta a merecer grande destaque. No decorrer das 3 temporadas que aí passaria, conseguiria, para além da vitória na liga de 2013, sagrar-se o melhor marcador do Girabola em todas essas campanhas.
Os derradeiros anos da sua carreira como futebolista passá-los-ia, como não poderia deixar de ser, ao serviço do Vitória de Setúbal. Já após ter decidido deixar os relvados na temporada passada, Meyong decidiria abraçar novas funções na modalidade. Como um dos “homens” de José Couceiro, o antigo internacional camaronês começa agora (2017/18) a dar os primeiros passos como treinador.


*retirado da entrevista de David Marques, publicada em http://www.maisfutebol.iol.pt, a 25/06/2017

819 - FIGUEIREDO

Ainda que um produto das escolas do Belenenses, a sua relação com o emblema do Restelo haveria de ser um pouco peculiar. Tendo terminado a sua formação já na segunda metade da década de 70, o empréstimo ao Lusitano de Évora, como para tantos outros jovens atletas, seria uma quase inevitabilidade. Ora, os primeiros anos como sénior, e numa altura em que já tinha sido chamado à selecção nacional s-18, passá-los-ia no Alentejo. A disputar os escalões secundários, Figueiredo, mostra ter as qualidades de alguém bem mais experiente, conseguiria afirmar-se como um bom guarda-redes.
Usado regularmente pelo emblema eborense, é já na temporada de 1982/83 que o jogador regressa à “casa-mãe”. Com a descida dos da “Cruz de Cristo”, a primeira da história do clube lisboeta, Figueiredo voltaria a enfrentar a 2ª divisão. Aliás, a sua estreia no nosso principal escalão dar-se-ia apenas duas temporadas volvidas e ao serviço de outra colectividade. Com a sua transferência para o Rio Ave, é então em Vila do Conde que o guardião faz a sua estreia nos grandes palcos do futebol português. Tendo iniciado essa campanha de 1984/85 na condição de suplente, Félix Mourinho, também seu treinador no Belenenses, entregar-lhe-ia a custódia das balizas já na recta final do Campeonato.
No evoluir da sua carreira, a temporada em que, pela primeira vez, conseguiria merecer grande destaque, seria a de 1986/87. Como titular indiscutível, muito mais do que afirmar-se como um atleta primodivisionário, Figueiredo haveria de ser elevado à condição de favorito do emblema vila-condense. As boas exibições levá-lo-iam, naquilo que seria a segunda metade do seu percurso como futebolista profissional, a mantê-lo na disputa pelas principais provas nacionais. Portimonense e Famalicão seriam os clubes que se seguiriam nessa senda e aqueles que precederiam o regresso a uma casa bem conhecida. De volta ao Estádio do Restelo, talvez tenha visto nessa nova passagem a chance de agradecer ao clube o facto de o ter lançado no mundo do desporto. É verdade que teria mais oportunidades do que naqueles primeiros anos da sua carreira. Ainda assim, e nessas 4 épocas (1991/92 a 1994/95) teria que partilhar o lugar com Pedro Espinha ou Tomislav Ivkovic.
Após ter posto um ponto final no seu percurso como atleta ao serviço do Famalicão, Figueiredo volta a aparecer no futebol nas tarefas de técnico. Vitória de Setúbal, Belenenses e Sintrense acabariam por anteceder a sua contratação pelo Olhanense. No Algarve, conheceria o homem que mudaria a sua carreira de treinador. Tendo aí começado a trabalhar com Sérgio Conceição, é, desde então, um dos elementos da sua equipa. Nesse sentido, e depois de ter passado por uma série de outros emblemas, o antigo futebolista começou a esta temporada (2017/18) a ajudar Iker Casillas, José Sá, Vaná… os guarda-redes do FC Porto.

818 - ZÉ NANDO

Com o percurso formativo intimamente ligado ao FC Porto, é na temporada de 1985/86, numa altura que ainda era júnior, que o seu nome aparece na ficha de jogo da equipa principal. Apesar de, nessa 14ª jornada do Campeonato Nacional, ter estado sentado no banco de suplentes, a verdade é que Zé Nando nunca mais haveria de ter outra oportunidade de “Azul e Branco”.
Com diversas internacionalizações conseguidas nas jovens selecções nacionais, tendo, inclusive, participado na fase final do Campeonato Europeu S-16 de 1985, o jovem atleta seria incapaz de convencer os responsáveis dos “Dragões” a integrá-lo no plantel. Com as portas do Estádio das Antas fechadas, o esquerdino, que podia jogar na defesa ou mais avançado no campo, decide tentar a sua sorte com outras cores. Começa pelo Desportivo das Aves e, naquelas que foram as suas 4 primeiras temporadas, mantem-se a disputar os escalões secundários do nosso futebol. A 1ª divisão chega à sua carreira na temporada de 1991/92. Já depois de ter também envergado as cores de Famalicão, Varzim e Académico de Viseu, é pelo conjunto de Barcelos que Zé Nando enfrenta a mais importante competição nacional.
Sem nunca passar um longo período ao serviço do mesmo emblema, curiosidade que haveria de caracterizar a primeira metade do seu percurso profissional, a presença de Zé Nando no patamar máximo também não seria a mais constante. No entanto, a temporada de 1995/96 alteraria, pelo menos um desses paradigmas. Sem grande espaço num Felgueiras orientado por Jorge Jesus, o defesa opta por deixar o emblema do Vale do Sousa e passa a integrar o plantel da Académica de Coimbra.
A referida mudança levaria a que o atleta conseguisse, finalmente, manter-se num só emblema por mais tempo. De forma completamente contrária às épocas precedentes, o jogador fixa-se na “Cidade dos Estudantes” e aí permanece anos a fio. A sua devoção ao clube conimbricense seria de tal ordem que, ao cabo de algumas temporadas, passaria a ser visto como uma das referências do plantel. Ao serviço da “Briosa”, só na condição de atleta, Zé Nando participaria em 8 campanhas. Já em 2003, terminado o seu tempo de futebolista, inicia a sua caminhada como técnico. Nessas funções começa por orientar as camadas jovens, passando, alguns anos cumpridos, a colaborar com a equipa principal.
Apesar de algumas experiências como técnico-principal, caso da passagem pelo Tourizense em 2008/09 (à altura o “satélite” da Académica), uma boa parte da sua carreira tem sido feita como adjunto. Na selecção do Burkina Faso, auxiliando Paulo Duarte, o antigo jogador teria tarefa idêntica.  Outra excepção aconteceria aquando da sua ida para o Médio Oriente. No Catar ficaria à frente dos destinos do Al-Shahaniva, período esse que antecederia a sua vinda para Portugal. De regresso aos Campeonatos Nacionais, Zé Nando volta a juntar-se a Manuel Machado. Já depois de, na Académica, ter trabalhado com o referido treinador, este ano (2017/18) apresenta-se como um dos elementos que compõem a equipa técnica do Moreirense.

817 - PEDRO SILVA

Conseguir manter-se no plantel do Palmeiras após ter saído da formação do clube, poderia ter sido um bom prenúncio para si. Contudo, e após alguns anos sem conseguir impor-se no Palestra Itália, o jovem atleta começa uma longa caminhada de empréstimos. Nesse contexto, e sempre a disputar o maior escalão brasileiro, Pedro Silva acabaria por passar por diversas colectividades. Com diferentes sortes, as referidas cedências levá-lo-iam a atravessar o país de Norte a Sul e a vestir as camisolas de Figueirense (2003), Vitória Bahia (2004), e Internacional de Porto Alegre (2005). Nos dois últimos emblemas, o lateral acabaria por ajudar à conquista dos respectivos Estaduais. Ainda assim, e com as vitórias no Campeonato Baiano e no Campeonato Gaúcho a embelezarem-lhe o palmarés, o regresso à “casa-mãe” seria mais uma vez adiado.
É nesse sentido que o defesa tem a sua primeira experiência no estrangeiro. Mais uma vez cedido pelo Palmeiras, Pedro Silva acabaria por aterrar na Europa. Em Portugal, mais concretamente na cidade de Coimbra, o jogador veste as cores da Académica. Com os “Estudantes” a disputar a 1ª divisão, a temporada de 2005/06 até correria de forma bastante positiva. Chegar-se-ia a falar na aquisição do seu “passe” por parte do clube beirão. No entanto, o preço exigido pela sua transferência, incomportável para os cofres do emblema português, levaria a que os responsáveis da “Briosa” recuassem na intenção de, em definitivo, o juntar ao plantel.
O Iraty foi a solução encontrada para o seu regresso ao Brasil. Todavia, a sua passagem pelo Estado do Paraná seria bem curta. O Santos, com Vanderlei Luxemburgo ao leme, apostaria na sua contratação. De volta a São Paulo, ao invés de aproveitar a oportunidade dada, Pedro Silva vê-se envolvido em algumas polémicas com o seu treinador. Aliás, esse tipo de episódio não seria caso isolado na sua carreira e, nos anos vindouros, outros exemplos de indisciplina seriam difundidos pela imprensa desportiva. Nesta senda, também a sua saída para o Corinthians, em razão da já referida contenda, não traria grandes resultados desportivos. Em sentido oposto, os jornais voltariam a veicular problemas de insubordinação. A direcção do emblema paulista, através de um comunicado oficial, relataria que o defesa, sem qualquer autorização, havia abandonado o estágio da equipa. Resultado: processo disciplinar e novo “empurrão porta fora”.
Mesmo sabendo do comportamento do atleta, o Sporting recebe-o de braços abertos. A aposta no lateral-direito, que também sabia colocar-se no lado oposto do campo, era de tal forma evidente que, logo no jogo da Supertaça de 2007/08, aparece como um dos titulares. Os “Leões” conseguiriam conquistar o troféu, mas Pedro Silva começa aí um calvário de lesões. Após ter saído aleijado aos 10 minutos desse encontro, e já depois de concluída a recuperação, o defesa volta ao boletim clínico. Desta feita bem mais grave, a mazela levá-lo-iam ao bloco operatório e a uma longa paragem.
Apesar deste começo atribulado, as épocas que se seguiriam seriam proveitosas para si. Como um dos principais trunfos de Paulo Bento, o atleta conseguiria vencer a oposição de Abel para a direita da defesa e acabaria por recuperar o posto. Mas muito mais do que a disputa por um lugar no “onze” inicial, a temporada de 2008/09 ficaria marcada por mais um momento controverso. Na final da Taça da Liga, encontro disputado frente ao Benfica, um “penalty” muito discutível resultaria no empate para os “Encarnados” e na expulsão de Pedro Silva. Os “Leões” acabariam derrotados na resolução por grandes penalidades e, já na cerimónia de entrega de prémios, o jogador haveria de recusar a sua medalha, arremessando-a para o meio do relvado.
A chegada de Paulo Sérgio a Alvalade marcaria o fim do seu caminho em Lisboa. Dispensado pelo novo treinador, o defesa acabaria por ser emprestado ao Portimonense. Com a despromoção dos algarvios no final dessa época de 2010/11, o atleta decide ser a altura certa para regressar ao seu país. Mais uma vez no Brasil, o lateral acabaria por entrar na derradeira fase do seu percurso como desportista. Após vestir as cores do Novo Hamburgo, ABC, ASA Arapiraca e CSA, eis que chega a hora de “pendurar as chuteiras”. Ainda assim, o antigo futebolista não ficaria muito tempo afastado da modalidade e, no decorrer desse ano de 2014, volta a Portugal para começar a sua carreira de treinador. Como técnico tem desempenhado as funções de adjunto. Desde então no Portimonense, e a cumprir idênticas tarefas, Pedro Silva começou esta temporada (2017/18) como um dos ajudantes de Vítor Oliveira.

816 - DEMBELÉ

Depois de ter andado diversos anos a cirandar por emblemas amadores dos subúrbios parisienses, é já numa altura em que poucos acreditariam numa mudança radical desse paradigma que surge uma nova oportunidade para Siramana Dembelé. Com passagens por Villiers-le-Bel, Saint-Denis e FC Les Lilas, é na época de 2002/03 que é posta em cima da mesa a primeira proposta para assinar um contrato profissional. Apesar dos 25 anos de idade, as suas qualidades fariam com o Olympique Alès, à altura no 3º escalão francês, decidisse apostar na sua aquisição. Muito forte fisicamente, mas sem descurar a parte mais técnica, as capacidades do médio faziam dele um bom reforço para as manobras defensivas, tal como para as atacantes.
A melhor prova que Dembelé era um jogador com capacidades para enfrentar desafios maiores viria logo nos anos seguintes. Ainda que sem abandonar os patamares secundários, as boas exibições que conseguiria fariam com que clubes com mais tradição no futebol gaulês começassem a vê-lo com outros olhos. Cannes e Nîmes seriam os emblemas seguintes no seu percurso futebolístico. No entanto, o grande salto da sua carreira, aquele que o levaria a disputar uma competição de topo, seria dado pela mão de um antigo internacional português.
Contratado pelo Vitória de Setúbal para a temporada de 2005/06, Norton de Matos faz uma grande aposta no mercado francês para reforçar o seu plantel. É então que, por entre nomes como os de Gregóry Lacombe, Mamadou Diakité ou Oumar Tchomogo surge também a transferência do médio. Mais uma vez, Dembelé supera todas as expectativas. Tendo conseguido agarrar a titularidade com relativa facilidade, pouco tempo após a sua chegada a Portugal surge uma proposta de outro clube de renome na Europa. Com o “mercado de Inverno” aberto, é do Standard Liège que vem o novo convite. Numa altura em que o emblema belga tinha nos seus quadros alguns nomes bem conhecidos do futebol “luso”, casos de Jorge Costa ou Almani Moreira, é a presença de Sérgio Conceição que, anos mais tarde, iria mudar a vida do jogador.
Voltemos ao Standard Liège… Seria por este emblema que Dembelé ganharia os troféus mais importantes da sua carreira. Em 2007/08, sob o comando de Michel Preud’Homme, ajudaria à conquista da “Pro League”. Já na temporada seguinte, e com Laszlo Bölöni como treinador, o médio participa na vitória da Supertaça. Curiosamente, a disputa desse último troféu representaria a derradeira partida com as cores do emblema belga. Antes do fecho do “mercado”, o atleta assinaria pelo Maccabi Petah Tikva e mudar-se-ia para Israel.
É no clube israelita, no final da campanha de 2008/09, que decide pôr um ponto final na sua carreira de futebolista. Já em 2010 volta ao Standard, para ocupar a posição de treinador-adjunto. É nesse regresso à Bélgica que reencontra Sérgio Conceição, também ele um dos assistentes de Dominique D’Onofrio. Todavia, com a contratação do ex-atleta português para técnico-principal do Olhanense, o francês decide segui-lo. É partir desse momento que antigo centrocampista passa a ser um dos fiéis escudeiros do internacional “luso”. Desde então, já representou Académica, Sporting de Braga e Nantes, para, no início desta temporada (2017/18), ser apresentado como um dos elementos da equipa técnica do FC Porto.

815 - JORGE SIMÃO

Com a formação feita no Estrela da Amadora, a transição de Jorge Simão para o patamar sénior transformar-se-ia numa desilusão. Sem espaço na equipa da “Linha de Sintra”, que em meados dos anos 90 era presença assídua no nosso principal escalão, a solução para prosseguir a sua carreira acabaria por passar pelo ingresso no Real de Massamá.
No entanto, o que poderia ter sido um episódio transitório, no sentido de ganhar algum traquejo, tornar-se-ia na regra do seu percurso. Ao invés de regressar ao emblema que o tinha formado, Jorge Simão, e durante os anos que haveriam de compor a sua passagem pelos relvados, acabaria por quedar-se pelas divisões secundárias. Ainda assim, o que passou a ser a sua rotina futebolística foi incapaz de o desviar de um objectivo maior. Em paralelo com o seu trajecto nos “campos da bola”, e crendo que o seu lugar seria a elite do desporto nacional, o médio começa a investir noutras vertentes.
Estudante de Ciências do Desporto na Faculdade de Motricidade Humana, o atleta, ainda em tenra idade, aposta também nos Cursos de Treinador. Tendo feito todo esse investimento, e com a consciência que a sua vida de jogador dificilmente escaparia à sombra dos emblemas mais modestos, Jorge Simão decide aceitar novo desafio. Com 27 anos, abandona as obrigações de atleta e passa a abraçar as tarefas de treinador. Depois de, como centrocampista, ter vestido as cores de Real, Atlético do Cacém, Fanhões ou Carregado, 2003 torna-se num momento de viragem na sua vida.
Como técnico, naquela que foi uma mutação precoce, também começa por baixo. O regresso ao Atlético do Cacém, e apenas como adjunto, é o primeiro passo para essa mudança. Aliás, os primeiros anos nessas funções não seriam fáceis para si. Com muita coragem, trabalho e resiliência Jorge Simão começa a superar alguns obstáculos e a abrir outras tantas portas. É na temporada de 2013/14 que surge, então, uma grande oportunidade. Após ter passado pelo Estrela da Amadora em 2008/09 e ter sido assistido Mitchell van der Gaag no Belenenses, é do Atlético que surge o convite para passar a treinador-principal.
No emblema do bairro de Alcântara assume o papel onde viria a destacar-se. Subindo a pulso, começa a ganhar competências que o fazem apontar a desafios cada vez maiores. Na época seguinte, e depois de ter deixado o Mafra no caminho da promoção, o Belenenses endereça-lhe novo desafio. O convite é impossível de recusar e Jorge Simão não só faz a sua estreia na 1ª divisão, como leva os da “Cruz de Cristo” aos lugares de acesso às provas da UEFA. Curiosamente, e com o apuramento para as competições europeias a embelezar-lhe o currículo, dá-se a sua saída do Restelo. Seguem-se Paços de Ferreira e Desportivo de Chaves. Em ambos os clubes, o seu trabalho excede todas as expectativas. Esse sucesso leva António Salvador, Presidente do Sporting de Braga, a propor-lhe o lugar que tinha sido de José Peseiro. A meio de 2016/17, Jorge Simão muda-se de Trás-os-Montes para o Minho. Contudo, o desafio não corre de feição e o treinador, após não conseguir atingir os objectivos traçados por si, apresenta a demissão.
Sem orientar qualquer clube desde a 30ª jornada da campanha passada, Jorge Simão, à 6ª ronda desta nova época (2017/18) seria apresentado com as cores do Boavista. Para já, e com poucos desafios decorridos desde a sua nomeação, fica o registo para uma estreia de sonho. Aquele que substituiu Miguel Leal haveria de arrancar no comando dos “Axadrezados” com uma vitória caseira frente aos “Tetra- Campeões”, o Sport Lisboa e Benfica.