800 - CAVACO

Mesmo sem nunca ter sido veiculado como um grande jogador, a verdade é que as qualidades de Cavaco, nesses seus primeiros anos de carreira, seriam suficientes para que conseguisse despertar o interesse de um emblema primodivisionário. Ora, tendo sido formado no Almada e tendo vestido, sempre em escalões inferiores, as cores seniores do clube da Margem Sul e do Silves, é a sua passagem pelo Algarve que traz o Estrela da Amadora para o seu caminho. Todavia, aquilo que se esperava como um enorme salto no seu percurso, acabaria por tornar-se numa mão cheia de nada!
Apesar da ligação ao clube da Reboleira, a falta de utilização, ainda nessa temporada de 1993/94, levá-lo-ia a transferir-se para o Casa Pia. Nos “Gansos”, sensivelmente ao fim de 2 épocas, conseguiria um contracto com o Estoril-Praia. Ainda que a disputar a Liga de Honra (2º escalão), esse ano passado com os da Linha de Cascais seria de enorme importância no desenrolar da sua carreira. Numa equipa orientada pelo antigo internacional Carlos Manuel, Cavaco faria dupla no ataque com aquele que viria a tornar-se num dos grandes nomes do futebol português. Com Pauleta como companheiro de acções ofensivas, o seu nome voltaria a figurar como um dos nomes mais apetecidos no panorama nacional. Os golos marcados por ambos acabariam por ser insuficientes para ajudar os “Canarinhos” a regressar aos “grandes palcos”. Contudo, para dois atacantes, esses remates certeiros levá-los-iam à 1ª divisão.
Parecendo estar tudo acertado com o Belenenses, um desentendimento entre os dois emblemas, levaria a que a transferência dos atletas abortasse. Pauleta seguiria então para Salamanca e Cavaco acabaria a jogar em Inglaterra e no Stockport County. No clube da Grande Manchester, o avançado voltaria a mostrar qualidades. Todavia e após uma primeira temporada (1996/97) de grande nível, e durante a qual ajudaria o seu emblema a atingir as meias-finais da Taça da Liga inglesa, uma grave lesão na perna direita deitaria por terra outras oportunidades.
Sem ainda ter tido a chance de jogar no patamar mais alto de Inglaterra, a fractura da tíbia e perónio mantê-lo-iam longe dos relvados por quase um ano. Esse afastamento acabaria, em parte, por ser responsável pelo seu regresso a Portugal. No Boavista, clube que o acolheria, o seu desempenho não agradaria aos responsáveis técnicos e só a mudança para o Algarve voltaria a mostrar Cavaco em boa forma. No Farense, apesar de utilizado com frequência, o atacante seria visto de uma forma peculiar. Passando a ser utilizado mais à direita, posicionando-se a extremo e até como defesa, o atleta começa a ser tido como um jogador polivalente. Sem que tal facto o tenha prejudicado, o que é certo é que o afastaria da zona do terreno onde era mais decisivo. Ainda assim, essas alterações fariam com que o seu nome passasse a ser incluído com maior regularidade na ficha de jogo.
Aquela que foi a sua melhor temporada na 1ª divisão, acabaria por não ter continuidade nas épocas seguintes. Depois de ter sido um dos jogadores mais utilizados durante a campanha de 2001/02, a sua saída do Farense para, na divisão de Honra, passar a envergar a camisola do Felgueiras seria uma grande surpresa. Tendo apenas 30 anos, e sem que a idade tenha tido grande influência nisso, a verdade é que o percurso do atacante não mais figuraria nos planteis primodivisionários. Depois de um ano no Norte do país, o regresso a Sul levá-lo-ia ao Portimonense. Acabaria por ser aí, no Barlavento, que terminaria a sua carreira. Ainda passaria pelas funções de técnico, mas a experiência como adjunto no Olivais e Moscavide não teria continuidade e Cavaco acabaria por deixar o futebol jogado. Nos bastidores da modalidade, ligar-se-ia a uma conhecida marca de equipamentos e, em simultâneo, começaria a desempenhar funções de segurança num centro comercial de Almada.

799 - VUJACIC

Apesar de ter nascido na capital Titograd (actual Podgorica), Budimir Vujacic cresceria em Petrovac na Moru, localidade banhada pelo Mar Adriático. Consequência de tal morada, os primeiros passos do seu percurso futebolístico dá-los-ia nessa antiga vila piscatória. Seria então no OFK Petrovac que o defesa, ainda na metade inicial da década de 80, disputaria as primeiras partidas no patamar sénior.
Curiosamente, as primeiras temporadas da sua carreira caracterizar-se-iam por algumas mudanças de clube. Já depois da estreia e de uma passagem, igualmente curta, pelo Obilic Beograd, a evolução que começava a mostrar dentro de campo levaria a que, da Alemanha, surgisse o interesse na sua contratação. No SC Freiburg, ainda que a disputar as divisões secundárias, o central conseguiria confirmar aquilo que dele já era sabido: Vujacic, alto e possante, fazia do jogo aéreo uma das suas grandes armas.
As suas qualidades levá-lo-iam a afirmar-se como um dos grandes esteios defensivos do emblema germânico. Ainda que longe dos grandes palcos da “Bundesliga”, a verdade é que os seus desempenhos abrir-lhe-iam novas portas. O FK Vojvodina, colectividade que se seguiria na sua carreira, seria a rampa para Vujacic atingir outros patamares. No emblema da cidade de Novi Sad, reflexo de uma excelsa caminhada por parte do clube, o defesa conseguiria as suas primeiras chamadas à principal selecção jugoslava. Praticamente na mesma altura, sagrar-se-ia campeão jugoslavo (1988/89) e esse importante título, juntamente com o estatuto de internacional, fariam dele um alvo apetecido.
A transferência para o Partizan transformá-lo-ia numa das grandes estrelas do futebol jugoslavo. As regulares convocatórias para os jogos da selecção, serviram, ainda mais, para sublinhar essa importância ganha. Nesse sentido, poucos ficariam surpreendidos quando o seu nome foi cogitado para fazer parte do grupo que iria disputar a fase final do Euro 92. No entanto, o agravar do conflito nos Balcãs, faria com que a Jugoslávia fosse afastada do torneio organizado na Suécia.
Já pelo emblema de Belgrado, Vujacic, entretanto promovido a “capitão” de equipa, conseguiria juntar alguns títulos ao seu currículo. É já com a conquista de mais 1 Taça (1991/92) e 1 Campeonato da Jugoslávia (1992/93), que o defesa chega ao Sporting. Contratado por Sousa Cintra e, segundo dizem, à revelia de Bobby Robson, os primeiros tempos em Lisboa seriam difíceis para o atleta. Com o treinador a pôr de parte o jogador, a oportunidade para que pudesse mostrar as suas qualidades só surgiria com o despedimento do inglês e a contratação de Carlos Queiroz.
Foi a partir de Fevereiro de 1994, data da sua primeira partida com a camisola dos “Leões”, que Vujacic começou a fazer parte do “onze” inicial. Mesmo tardia, a verdade é que a estreia permitiria ao defesa assegurar rapidamente um lugar na equipa. Primeiro no centro do sector mais atrasado e, com a chegada de Naybet e Marco Aurélio, a ser encostado à esquerda, o atleta passaria a ser um dos elementos mais relevantes no plantel de Alvalade. A preponderância que ganharia no seio do grupo, seria crucial para a conquista de alguns títulos. Com o Sporting já há muito arredado da vitória no Campeonato, as vitórias na Taça de Portugal de 1994/95 e Supertaça de 1995/96, desafios onde Vujacic entraria como titular, tornar-se-iam de vital importância.
Já depois de iniciada a temporada de 1996/97, a sua ligação aos “Verde e Brancos” chegaria ao fim. Um convite do Vissel Kobe, numa altura em que contava com 31 anos de idade, faria com o atleta decidisse mudar-se para o Japão. No “País do Sol Nascente”, Vujacic, em parte por culpa da lesão que o tinha afectado nos últimos tempos de “Leão” ao peito, decidiria pôr termo ao percurso como futebolista. Anos mais tarde ainda regressaria à modalidade. Desta feita como “olheiro”, e indicado por Carlos Queiroz, o antigo defesa trabalharia para o Manchester United.

798 - LUCAS

Dividido o seu período formativo entre o Ginásio de Alcobaça e a Académica de Coimbra, seria nesse último emblema que Lucas faria a transição para o patamar sénior. Contudo, a falta de experiência competitiva a esse nível, levaria a que os responsáveis pelos “Estudantes” optassem por ceder o atleta a colectividades de escalões inferiores. Já depois dos empréstimos ao Sporting de Pombal (1998/99) e Anadia (1999/00), é então que, para a temporada de 2000/01, é dada ao jovem médio a oportunidade para disputar um lugar no plantel principal da “Briosa”.
Tendo até, no intervalo das duas cedências, jogado algumas partidas pelos conimbricenses, Lucas, já no regresso à “casa mãe”, conseguiria em definitivo assumir um papel preponderante na equipa. Com a Académica a disputar a 2ª divisão, o centrocampista transformar-se-ia num dos esteios do ataque à subida de escalão. Médio aguerrido e igualmente dotado de uma técnica e visão de jogo superiores, o peso que teria no cumprir dos objectivos colectivos, elevá-lo-iam à condição de grande promessa do futebol dos “Estudantes”. Com a promoção conseguida no final da época de 2001/02, esse estatuto confirmar-se-ia e, duas épocas após a sua estreia na 1ª divisão, o jogador dá mais um salto na sua carreira.
É já com uma internacionalização, conseguida pela equipa “B” de Portugal, que Lucas chega ao Estádio do Bessa”. Preparado para esse novo desafio, a maneira inequívoca como haveria de conseguir integrar-se no grupo “axadrezado”, serviria para sublinhar a sua evolução. Num Boavista que, mesmo distante do conjunto campeão, continuava a lutar pelos lugares cimeiros da tabela classificativa, o médio conseguiria conquistar um lugar como titular. A constância que mostraria ao longo dos 3 anos de “Pantera” ao peito, levaria a que, de diferentes paragens, começasse a surgir o interesse de outros emblemas.
Ora, seria do Estrela Vermelha, numa altura em que o sentido das transferências era o oposto, que surge o interesse na sua contratação. Lucas acabaria por aceitar o convite e muda-se para a Sérvia. Todavia, aquilo que era o primeiro desafio no estrangeiro, acabaria por tornar-se numa página negra. Já com a época de 2007/08 a decorrer, novos exames médicos detectariam um problema do foro cardíaco. O pior confirmar-se-ia e depois de, curiosamente, ter feito o seu último jogo oficial frente ao Sporting de Braga, o atleta é forçado a abandonar a carreira profissional.
De volta a Portugal, Lucas não conseguiria manter-se afastado da modalidade que tanto o apaixonava. Em Julho de 2008, juntar-se-ia ao Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol e, nessa instituição, desempenharia as funções de Delegado da Zona Norte. Também naquilo que era o futebol jogado, o antigo médio não resistiria a um novo convite. Muito para além de jogar pelos “veteranos” do Boavista, o desafio lançado pelo Pasteleira, levá-lo-ia a regressar à competição em 2013/14. Ainda assim, o desejo de “poder voltar a sentir o espírito de grupo e as brincadeiras típicas de uma equipa de futebol”*, não conseguiria fazer esquecer a sua condição médica. Após algumas indisposições, o atleta decidiria abandonar em definitivo o projecto lançado pelo emblema do bairro portuense. Infelizmente, nem esse afastamento evitaria um fim trágico. Na sequência de um súbito agravamento da doença, Lucas viria a falecer em Maio de 2015.

*retirado do artigo Nuno Pedro Fernandes, publicado no Jornal “A Bola”

797 - BUTOROVIC

Foi no RNK Split, emblema da sua cidade natal, que Butorovic deu os primeiros passos como futebolista. Tendo terminado o percurso formativo na referida colectividade, seria também por esse emblema que faria a sua estreia no patamar sénior.
Mesmo não estando a defender um clube de topo, as suas características depressa despertariam a atenção de um dos “grandes” da Croácia. Apesar de não ser muito alto, a sua velocidade e técnica levariam os responsáveis do Hadjuk Split a decidir-se pela sua contratação. A transferência, ocorrida já no rescaldo da independência do país, daria ao jogador a oportunidade de atingir objectivos que, de outra forma, seriam mais difíceis de alcançar.
Tendo sido um elemento preponderante na conquista de 2 Campeonatos da Croácia (1993/94; 1994/95), a disputa da Liga dos Campeões de 1994/95, onde o Hadjuk Split calharia no mesmo grupo do Benfica, acabaria por tornar-se num dos pontos altos da primeira metade da sua carreira. Essa participação, numa altura em que no balneário do clube pontificavam nomes como os de Asanovic, Stimac, Mornar ou Rapaic, serviria de preâmbulo para outras aventuras. Uma delas aconteceria num desafio frente à Ucrânia, e marcaria a sua estreia pela principal selecção do seu país.
Depois dessa primeira internacionalização, a constância das suas exibições levaria a que o FC Porto visse nele um bom elemento para o lado direito da defesa. Com João Pinto já em fim de carreira, o lateral croata acabaria por ser visto com um bom reforço. No entanto, a sua chegada em Dezembro de 1996, acabaria por não surtir o efeito desejado. Com Sérgio Conceição a ser adaptado a essa posição, Butorovic acabaria por não conseguir ganhar um lugar no “onze” inicial.
Mas se os primeiros meses em Portugal não correram de feição, a segunda temporada ao serviço dos “Dragões” não traria nada de novo. Mais uma vez pouco utilizado, o defesa acabaria por chegar ao fim da campanha de 1997/98 como um dos atletas a dispensar. Mesmo tendo feito parte dos anos do “Penta”, com o seu currículo a ser colorido por mais 2 Campeonatos Nacionais, o desempenho demonstrado durante o período em que esteve nas Antas, levaria a que fosse emprestado a outros clubes.
Depois das passagens discretas pelos holandeses do Vitesse e, de volta a Portugal, pelo Farense, Butorovic decidir-se-ia pelo regresso ao seu país natal. Novamente ao serviço do Hadjuk Split, o primeiro ano, com a conquista do Campeonato de 2000/01, até seria proveitoso. Todavia, a perda de preponderância no seio da equipa, levaria que a carreira do lateral direito se precipitasse para o fim. Com 32 anos de idade, e três após voltar à Croácia, o atleta decidiria ser a altura certa para pôr um ponto final no seu percurso como profissional. Com o “términus” da temporada de 2002/03, o defesa acabaria por “pendurar as chuteiras”.

796 - AFONSO MARTINS

Apesar de ter nascido na Póvoa do Varzim, a ida dos seus pais para o estrangeiro fez com que aí começasse a dar alguns pontapés na bola. No país que acabaria por acolher a sua família, Afonso Martins dá também os primeiros passos como futebolista. No Nancy terminaria o seu percurso formativo e, em 1990, sobe aos patamares seniores. Durante diversos anos, alternaria entre a categoria principal e a equipa “B”. Ainda assim, e mesmo com o emblema gaulês a ser despromovido à 2ª divisão, os bons desempenhos do médio levariam a que os “scouts” da Federação reparassem no seu trabalho. Ainda a residir em França, seria chamado às selecções jovens lusas e começaria a ser cobiçado pelos maiores emblemas de Portugal.
Quem acabaria por apostar na sua contratação, seria o Sporting. À altura orientado por Carlos Queiroz, o emblema de Alvalade veria no esquerdino uma boa aposta para reforçar o seu plantel. Com um técnica apurada, uma visão de jogo bem acima da média e um bom remate, Afonso Martins, em meados da década de 90, era visto como uma das grandes promessas do nosso futebol. No final da primeira temporada em Lisboa, a convocatória para os Jogos Olímpicos de 1996, e o 4º posto alcançado por Portugal, parecia confirmar todas as esperanças nele depositadas. O pior é que, e mesmo conseguindo jogar com bastante regularidade, os níveis performativos do atleta eram insuficientes para agarrar a titularidade.
Incapaz de dar esse salto evolutivo, a temporada de 1998/99 empurraria o seu nome para a lista de dispensáveis. Pouco agradado com o cenário apresentado pelos responsáveis “leoninos”, o médio rejeitaria todas as soluções que não passassem pela sua permanência em Alvalade. Essa recusa em sair ou, pelo menos, em ser emprestado a outro clube, levaria a que o clube retaliasse. Tendo sido posto a treinar à parte, só passado cerca de ano e meio após o início dessa contenda, é que Afonso Martins voltaria a ser integrado no plantel “verde e branco”.
Com a chegada de Augusto Inácio aos comandos do Sporting, o atleta acabaria por voltar a fazer parte dos planos da equipa. Em boa hora tal aconteceria, pois, logo nessa época de 1999/00, e interrompendo um jejum de 18 anos, os “Leões” conseguiriam sagrar-se campeões nacionais. Para além desse título, nos anos em que passaria de “verde e branco”, Afonso Martins conseguiria adicionar ao seu currículo mais 2 troféus (Supertaça 1995/96; Taça de Portugal de 2001/02). Ainda assim, nada seria capaz de disfarçar o afastamento a que o jogador estava a ser, constantemente, sujeito. Mesmo vetado a ser uma segunda (ou terceira) escolha, só em 2002 é que a sua ligação ao clube conheceria o seu fim.
A ida para o Moreirense, acabaria por mostrar um atleta em pleno uso das suas capacidades futebolísticas. Tendo, nessa época de 2002/03, desempenhado muito bem o seu papel, ninguém ficou admirado quando, passada uma temporada após a mudança para o Minho, o Vitória de Guimarães anunciou a sua contratação. A verdade é que a transferência para o clube da “Cidade Berço”, no qual voltaria a encontrar-se com Inácio, revelá-lo-ia a um nível mediano e incapaz de conseguir afirmar-se como um atleta decisivo.
O seu regresso ao Moreirense em 2004/05, marcaria o começo da derradeira etapa como profissional. Depois dessa última temporada no escalão máximo do nosso futebol, e com alguns interregnos pelo meio, Afonso Martins ainda voltaria a aparecer nos “campos da bola”. Ao serviço de clubes de menor nomeada, como Lixa, Trandeiras ou Pasteleira, o internacional português terminaria o seu percurso como atleta. Manter-se-ia, no entanto, ligado à modalidade e, no emblema do popular bairro portuense, acabaria por dar os primeiros passos como treinador.

RUBRICAS

Durante mais de 7 anos de existência, o "Cromo sem caderneta" foi apresentando aos seus leitores diversas fotos, desafios e colecções. Em suma, recordámos os sítios onde sempre morou o futebol.
Muitos foram os que deram a cara por essas memórias; muitas foram as biografias que sobre eles escrevemos. Houve, no entanto, alguns que, sem ser esquecidos, foram sendo adiados. Para eles dedicamos este Agosto; para eles é o mês consagrado às “Rubricas”.

795 - SRNÍCEK

Depois de ter passado por diversos clubes durante os anos de formação, seria no Banik Ostrava que Pavel Srnícek faria a estreia no patamar sénior. Com um arranque de carreira normal para um jovem atleta, as primeiras temporadas do guardião, na sombra do internacional checoslovaco Ludek Miklosko, seriam discretas. Contudo, e já na temporada de 1990/91, dar-se-ia uma mudança radical. Tendo conseguido assegurar a titularidade, a presença do emblema nas competições europeias também ajudaria a catapultar a sua carreira. Essa visibilidade faria com que outros emblemas perseguissem o seu concurso e, em Janeiro de 1991, o guarda-redes acabaria transferido.
Mesmo sem a cotação muito elevada, de Inglaterra apareceria a tal proposta para o jogador. O Newcastle, ainda que no 2º escalão, surgiria como uma oportunidade em tudo irrecusável. É certo que a vida nos “Magpies”, pelo menos nos primeiros tempos, não haveria de ser um mar de rosas para Srnícek. Ainda assim, os anos seguintes elevá-lo-iam a uma das estrelas tanto do conjunto “geordie”, como do seu país.
Aliás, um dos grandes prémios que a transferência para o Reino Unido traria, seria a sua elevação ao estatuto de internacional. Pela República Checa, Srnícek seria chamado ao apuramento para o Euro 96. Nessa partida frente à congénere de Malta, jogada em Outubro de 1994, o guardião daria o passo inicial para estar presente no primeiro grande certame da sua carreira. No referido evento de selecções, também ele disputado em Inglaterra, o atleta acabaria como um dos suplentes de Petr Kouba. Mesmo sem ter entrado em campo, ainda assim, faria parte do grupo que, contra todas as expectativas, conseguiria chegar à final do torneio. Na sequência dessa participação, e com a recusa da Alemanha em disputar a Taça das Confederações, a presença ficaria à responsabilidade da equipa 2ª classificada no Europeu. Com Pavel Srnícek já como “dono e senhor” das redes do seu país, e chamado ao “onze” inicial em todos os jogos, a República Checa acabaria por conquistar o “bronze” nessa edição de 1997.
Voltando ao seu percurso no Newcastle, os 7 anos e meio que passaria com o emblema do Norte de Inglaterra serviriam para cimentá-lo como uma referência para colegas e adeptos. Mesmo atravessando alturas em que a sua presença em campo não era a mais regular, a importância que mantinha no seio do grupo faria com que a sua dispensa, se é que alguma vez chegou a ser equacionada, nunca chegasse a concretizar-se. Muito para além de qualquer especulação, a verdade é que Srnícek participaria em momentos de extrema importância para o clube. Já com Kevin Keegan aos comandos, o guardião estaria no regresso da equipa ao escalão máximo. Depois dessa promoção à “Premier League”, conseguida no final da temporada de 1992/93, viria a luta pelos lugares cimeiros da tabela classificativa. A conquista do título, 3 anos após a subida de divisão, quase seria alcançada. Só não aconteceu, pois, a par de uma descida de forma do conjunto alvi-negro, um “super” Manchester United haveria de os ultrapassar na recta final dessa corrida e conseguiria arrebatar o troféu.
Tendo esse período em Inglaterra marcado a primeira metade da sua carreira, já a segunda parte caracterizar-se-ia por diversas mudanças de rumo. Com passagens por diversos campeonatos e diferentes emblemas, seria já na recta final do seu percurso profissional que Srnícek chegaria a Portugal. Foi já depois de Itália, onde vestiu as cores do Brescia e Cosenza, e de ter representado os britânicos Sheffield Wednesday, Portsmouth e West Ham, que chegaria a vez de defender a baliza do Beira-Mar. Em Aveiro ficaria duas temporadas. Após o primeiro ano, em que não conseguiria evitar a descida dos “Aurinegros”, a época de 2005/06 ficaria marcada pela conquista do Campeonato da Divisão de Honra.
Após um curto regresso ao Newcastle, Srnícek, em 2007, decidiria ser o momento certo para “pendurar as luvas”. Mantendo-se ligado à modalidade, fundaria a sua própria escola de futebol e, durante um par de anos, como treinador de guarda-redes, passaria pela equipa técnica do Sparta de Praga.
Pavel Srnícek faleceria em 2016, vítima de problemas cardíacos.

794 - RODRIGO FABRI

As boas temporadas feitas pela Portuguesa dos Desportos na segunda metade da década de 90, fariam com que um dos jovens talentos saídos das “escolas” do clube de São Paulo, começasse a ser apontado como um dos grandes craques do futebol brasileiro. Tendo sido considerado, logo nesses primeiros anos, como um dos melhores médios do campeonato “canarinho”, a convocatória para a selecção brasileira seria o resultado dessas boas prestações. Com essa chamada viria o melhor prémio e, em 1997, a sua presença na Taça das Confederações permitir-lhe-ia a conquista do primeiro troféu da sua carreira.
Tamanho destaque, faria com vários clubes na Europa tentassem a sua contratação. Roma, Deportivo La Coruña e Real Madrid seriam, nessa disputa, os nomes mais falados pela comunicação social. A escolha do médio recairia nos da capital espanhola e Rodrigo Fabri passaria a vestir de branco. No entanto, a opção revelar-se-ia desacertada e, tirando na apresentação e pouco mais, seriam raras as vezes que o centrocampista envergaria a camisola “merengue” – “Foi uma decisão errada, pois apesar de jogar a pré-temporada, nunca fui aproveitado na temporada regular. Tinham grandes jogadores no elenco que me tiraram o espaço”*.
Sucessivos empréstimos fariam com que o jogador passasse a andar numa roda-viva entre os dois lados do Atlântico. Flamengo, Santos, Valladolid, Sporting e Grêmio seriam as cores que envergaria durante os anos de contrato com os “madridistas”. Tendo tido, nas colectividades referidas, prestações de bom nível, a sua passagem por Lisboa também revelaria um atleta de fino recorte técnico. A importância que, nessa época de 2000/01, acabaria por ter em Alvalade, levaria os responsáveis do emblema “leonino” a tentar a sua contratação. Contudo, os valores exigidos pelo Real Madrid, insuportáveis para os “Verde e Brancos”, acabariam por fazer com que o clube português recuasse na sua intenção.
É já depois dessa fase de constantes cedências, que surge nova oportunidade em Espanha. Desta feita, vindo do Atlético, o convite feito ao jogador faria com que a esperança de conseguir vingar na Europa renascesse. Ainda assim, o médio atacante falharia mais uma vez nesse seu intuito. Mesmo tendo ainda jogado algumas partidas oficiais pelos “Colchoneros”, coisa que não tinha acontecido na anterior passagem pela cidade, o saldo acabaria também por ser negativo.
O regresso em definitivo ao Brasil, e ao Atlético Mineiro, levaria a que, a partir de 2004, alguns troféus começassem a colorir o seu palmarés. O Campeonato Brasileiro de 2006, vencido ao serviço do São Paulo, ou o “estadual” catarinense, conquistado com a camisola do Figueirense, seriam os títulos conseguidos nessa derradeira fase como profissional. Já em 2009, depois de uma última temporada pelo Santo André, Rodrigo Fabri decide ser a altura certa para pôr um ponto final no seu percurso de futebolista. Sucessivas lesões levariam a que atleta tomasse essa decisão e, apesar de ter continuado a manter a boa forma física em emblemas amadores, a sua actividade mudaria. Tendo decidido investir em diversas áreas de negócios, o antigo médio passaria a apostar na construção civil e na criação de gado.

 
*retirado de http://esporte.band.uol.com.br, publicado a 23/11/2016

793 - ROBERT

Desde tenra idade que Robert revelaria uma enorme aptidão para o desporto. Ainda longe de alguém pensar que haveria de brilhar como futebolista, seria no atletismo, em especial no triplo salto, que começaria por mostrar as suas habilidades. Todavia, o futebol estava no sangue da família e sendo filho de um avançado-centro, o pequeno Laurent acabaria por apaixonar-se pela modalidade.
Já integrado na selecção de Reunião, ilha francesa situada no Oceano Índico, Laurent Robert seguiria até à metrópole, para representar a sua região natal. No torneio dedicado exclusivamente a jovens, o pé canhoto do jovem jogador impressionaria a maioria dos “olheiros” ali presentes. Entre os vários clubes interessados na sua contratação, a escolha acabaria por recair no Brest. Contudo, a sua passagem pelo emblema da Bretanha seria curta e, passados apenas alguns meses, o esquerdino já estava ao serviço das camadas de formação do Montpellier.
No Sul de França acabaria por fazer a transição para as provas seniores. Numa realidade competitiva bem diferente, o jovem extremo acabaria por sentir algumas dificuldades de adaptação. Com uma forte concorrência dentro do plantel, só na temporada de 1995/96, a segunda com a equipa principal do Montpellier, é que Robert conseguiria merecer algum destaque. A partir daí, as suas capacidades começariam a projectá-lo como um dos bons talentos no futebol gaulês. Nesse sentido, poucos estranharam que outros emblemas fossem no seu encalço. O Paris Saint-Germain acabaria por vencer essa corrida e, no começo da temporada de 1999/00, o avançado acabaria por mudar-se para a capital.
Quase em simultâneo com a ida para a “Cidade Luz”, surge a sua primeira chamada à selecção gaulesa. Apesar de, durante a sua carreira, ter arrecadado apenas 9 internacionalizações, esse “particular” com a Irlanda do Norte acabaria por abrir-lhe as portas para um dos certames com a chancela da FIFA. Tendo participado em mais algumas partidas, o seu nome acabaria incluído na lista dos atletas a disputar a Taça das Confederações de 2001. No torneio organizado entre o Japão e a Coreia do Sul, Robert, tendo participado em 4 partidas, acabaria por ajudar os “Bleus” a chegar à final. No derradeiro encontro, com o jogador a entrar em campo aos 57 minutos, um golo de Patrick Vieira dar-lhe-ia o primeiro grande troféu do seu percurso como profissional.
A sua passagem pelo PSG, acabaria por servir de transição para aquela que terá sido a melhor fase da sua carreira. Sem ganhar qualquer título no “Parc des Princes”, os dois anos em que aí jogaria permitir-lhe-iam elevar o seu valor. Ainda sem ser uma das grandes estrelas do futebol europeu, o Newcastle, valendo-se das boas exibições feitas pelos parisienses, decidiria apostar na sua contratação. A transferência, consumada já com a temporada de 2001/02 a decorrer, levaria para Inglaterra um jogador que era conhecido pela sua técnica, bons cruzamentos e pontaria na marcação de livres. Na “Premier League” confirmaria tudo isso. No entanto, outra faceta sua emergiria. Acusado também de ser muito intempestivo, Robert haveria de enfrentar algumas acusações pela sua falta de entrega. Apontado como um jogador negligente, os problemas com os treinadores começariam a acumular-se. Já com Graeme Souness aos comandos dos “Magpies”, esse seu lado negativo agudizaria a má relação com os responsáveis do clube. No jogo de despedida, mais uma polémica. Após o apito final, o francês haveria de dirigir-se aos adeptos e, depois de oferecer todas as peças do seu equipamento, acabaria a correr em direcção aos balneários, somente em cuecas!
A derradeira fase da sua carreira acabaria por sublinhar os maus momentos passados no último ano em Inglaterra. Sem o fulgor de outrora, e demonstrando uma enorme falta de motivação, o atacante acabaria por representar vários emblemas. No espaço de 3 temporadas, Robert acabaria por vestir as cores de Portsmouth, Benfica, Derby County, Levante, Toronto FC e, para finalizar, dos gregos do Larissa. No meio de tanta mudança, a passagem por Lisboa haveria de ter o seu momento alto num dos clássicos do futebol português – “Joguei sobre a direita nesse jogo, numa diagonal sofri uma falta e marquei o livre. A bola saiu forte, bateu no chão e passou por cima do Vítor Baía (…). Acho que ele não foi muito feliz naquela jogada”*.

 
*retirado do artigo de Sérgio Pereira, publicado em www.maisfutebol.iol.pt, a 15/12/2009

792 - PABLO AIMAR


Descoberto no Estudiantes de Río Cuarto, seria no River Plate que Pablo Aimar terminaria a sua formação. No entanto, a mudança para Buenos Aires foi tudo menos fácil. Com o intuito que prosseguisse os estudos, o seu pai haveria de opor-se à sua ida para a capital. Consta que só concordou com essa ideia, depois de Daniel Passarela ter ido, pessoalmente, pedir-lhe autorização!
A sua qualidade técnica, associada a uma excelente interpretação das dinâmicas de jogo, levá-lo-iam, desde muito cedo, a impressionar os mais distintos adeptos da modalidade. Diego Armando Maradona, a esse propósito, diria que “El Mago”, apelido que viria a ganhar uns anos mais tarde, era o único futebolista que pagaria para ver jogar!
À margem dos elogios, e com relativa facilidade, o médio ofensivo conseguiria impor-se na equipa principal do River Plate. Os golos que marcava, e, na maioria dos casos, as bolas que oferecia aos seus colegas mais avançados, permitir-lhe-iam uma senda de importantes triunfos. Juntando os Torneios de “Apertura” e “Clausura”, as 5 vitórias na Liga Argentina, ou, entre outras distinções, a conquista do Mundial s-20 de 1997, serviriam para exponenciar o seu valor. Tanto destaque, faria com que da Europa, começassem a surgir interessados no seu concurso. O crescente assédio pelos seus préstimos, com vários emblemas na corrida, acabaria com a sua transferência para o Valência.
Contratado por Rafa Benítez em 2000/01, Pablo Aimar vestiria a camisola dos “Los Che” numa das melhores fases da história do clube. Com os seus toques de pura magia, o “playmaker” seria de enorme importância na conquista das “La Ligas” de 2001/02 e 2003/04. Durante essas 6 temporadas, também nas competições europeias o médio conheceria o sucesso. Muito para além da disputa final da “Champions” de 2000/01, a vitória na edição de 2003/04 da Taça UEFA seria um marco na sua carreira. Também pelo Benfica chegaria a mais 2 finais da referida competição, entretanto rebaptizada como Liga Europa. No entanto, e ao contrário da primeira presença, pelas “Águias” o atleta não conseguiria erguer o troféu.
Ainda antes da sua mudança para Lisboa, Pablo Aimar envergaria as cores do Zaragoza. Durante esses dois anos, o médio, ainda que com exibições de encher o olho, acabaria por ser muito fustigado por lesões. Aliás, essa era uma das críticas que, ainda durante o tempo em Valência, era alvo. No Benfica, esse seu aspecto mais frágil seria tido em conta pelos responsáveis da equipa e, tomadas a necessárias precauções, as prestações do atleta torná-lo-iam num dos favoritos da massa adepta.
Voltando um pouco atrás, a sua contratação pelos “Encarnados” em 2008/09, numa altura em que a participação em 2 Mundiais, numa Taça das Confederações e em 2 edições da Copa América faziam dele uma estrela de cariz internacional, ficaria marcada por momentos curiosos. Perseguido por emblemas como o Everton, a vontade de o trazer para Portugal superaria um sem número de obstáculos. Num derradeiro esforço para materializar esse desejo, entra em cena, como o próprio Aimar haveria de contar, uma das mais prestigiadas figuras do emblema “alfacinha” – “Ia para Inglaterra mas um homem como o Rui Costa apanha um avião, vai para a porta de tua casa e diz-me: «Vou retirar-me, quero que uses a minha camisola». É impossível ficar indiferente a este gesto. Depois agradeci-lhe o que fez porque o que vivi foi fantástico. Joguei numa equipa enorme com colegas de qualidade gigante”*.
5 anos de “Águia” ao peito renderiam ao seu currículo mais 5 títulos. 1 Campeonato e 4 Taças da Liga seriam o resultado de uma união que terminaria em 2013. Depois, viria a passagem pelos malaios do Johor FC e o adeus no clube que, na segunda metade da década de 90, o tinha lançado para o estrelato. Após essa despedida, e apesar de algumas propostas, Pablo Aimar manter-se-ia afastado do futebol. Felizmente, essa realidade mudaria já este ano (2017) e, a convite da Federação argentina, o antigo “astro” aceitaria o cargo de seleccionador dos s-17 do seu país.

 
*retirado do artigo de Flávio Miguel Silva, publicado no jornal “Record”, a 06/03/2016

791 - FYSSAS

Quando Fyssas chegou a Portugal, não era propriamente um desconhecido no mundo do futebol. No entanto, e sem ser um dos nomes mais badalados na modalidade, década e meia como profissional e várias chamadas à selecção grega, davam ao defesa a experiência necessária para que o Benfica visse nele um elemento importante para o reforço do plantel.
Tendo chegado na abertura do “mercado de Inverno”, o acordo entre as duas partes tinha sido selado em Novembro de 2003. Já depois desse encontro entre o atleta e os responsáveis directivos do emblema “encarnado”, o FC Porto, sem resultado, ainda tentaria desviar o lateral do Estádio “da Luz” – “Se eu fosse outro tipo de pessoa, talvez tivesse aceitado a proposta do FC Porto, tinha melhor equipa, o treinador era o José Mourinho... mas já tinha dado a minha palavra ao Benfica e tenho valores. Agradou-me o interesse do FC Porto, mas não podia aceitar, apesar de terem sido muito correctos comigo”*.
O Benfica, orientado por Camacho, ganhava uma nova alma para o lado esquerdo da defesa. É certo que os seus melhores anos já tinham passado. Não tão veloz quanto o desejado para alguém da sua posição, o lateral compensava essa sua fraqueza com uma leitura de jogo mais hábil. Ora, essa prática, apurada durante um longo percurso, vinha já desde 1990, ano da sua estreia pelos seniores do Panionios. No emblema de Nea Smyrni, cidade situada nos subúrbios de Atenas, o atleta passaria quase uma década. Durante esse intervalo, haveria de conquistar o primeiro grande título. Numa final que terminaria com o placard a assinalar 1-0, o clube de Fyssas conseguiria derrotar o Panathinaikos, acabando por vencer a Taça da Grécia de 1997/98.
Ironicamente, o emblema que se seguiria na sua carreira seria o Panathinaikos. Na capital, transferido a meio da temporada de 1998/99, o jogador acabaria por viver um dos seus melhores períodos como profissional. Semanas após a sua contratação, num desafio frente à Finlândia, Fyssas consegue a primeira chamada à principal selecção helénica. Já no que diz respeito às metas alcançadas com o clube, o esquerdino haveria de colorir o seu currículo com mais vitórias. Curiosamente, essas conquistas concretizar-se-iam numa altura em já jogava pelo Benfica. Tendo participado nessas competições ainda na primeira metade da temporada de 2003/04, o defesa acabaria também por fazer parte do rol de vencedores da Taça e Campeonato grego.
O ano de 2004 haveria de ser verdadeiramente prolífero para o lateral. Muito mais do que vencer a final da Taça de Portugal, desafio no qual marcaria um dos golos, Fyssas conquistaria o maior troféu da sua carreira. Pela selecção nacional, haveria de ser chamado ao Euro 2004. No torneio organizado em Portugal, no caminho para o derradeiro jogo, participaria em todas as partidas. Nesse último encontro, mais uma vez seria chamado ao “onze” titular. Como um dos principais pilares da equipa, ajudaria a Grécia a derrotar a “Equipa das Quinas” e acabaria por conquistar o tão almejado troféu.
Após mais uma temporada ao serviço do Benfica, e durante a qual, com as cores do seu país, participaria também na Taça das Confederações, Fyssas transfere-se para os escoceses do Hearts. Nesses que foram os últimos anos como futebolista, o fim do seu percurso aconteceria já no regresso ao Panathinaikos. Depois dessa temporada de 2007/08, onde seria treinado pelo português José Peseiro, o atleta decidira ser a altura certa para “pendurar as chuteiras”. A sua ligação ao futebol manter-se-ia e, como dirigente, há que destacar o seu trabalho na Federação Helénica.

 
*retirado do artigo de João Araújo, publicado no jornal “O Jogo”, a 08/01/2017

790 - PETER RUFAI

Peter Rufai nasceu filho do Rei de Idimu. No entanto, e longe das obrigações da família, a sua grande paixão era o desporto. Mas nem o facto de na sua casa o futebol ser visto com pouco entusiasmo, impediria o jovem príncipe de enveredar pela modalidade que tanto gostava. Começaria a carreira no seu país, passaria pelo Benim e, finalmente, viajaria até à Europa.
A sua chegada à Bélgica em 1987, onde também concluiria os estudos, aconteceria numa altura em o guardião já tinha vestido a camisola da Nigéria. Tendo participado na CAN de 1984, o seu estatuto de internacional permitir-lhe-ia a transferência para o Lokeren. Depois de ter representado clubes como o Stationery Stores, Femo Scorpions e o Dragons de L’Oueme, o ingresso num dos campeonatos do “velho continente” faria com o que o seu valor aumentasse. Com um físico imponente, reflexos felinos e uma atitude destemida, a sua importância no seio da selecção também cresceria. Chamado à Taça de África das Nações de 1988 e peça fulcral na conquista da edição de 1994, a sua presença no Campeonato do Mundo como que cimentaria a sua relevância para a equipa nacional.
A participação no Mundial de 1994, viria numa altura em que Peter Rufai já tinha representado, para além dos emblemas acima citados, os belgas do Beveren e os holandeses do Go Ahead Eagles. Apesar da inexistência de nomes sonantes no seu percurso, as boas exibições no certame organizado pelos Estados Unidos, projectavam uma grande mudança na sua carreira. Bem, essa alteração até surgiria! Todavia, e para grande espanto, a sua preferência recairia no Sporting Clube Farense. No Algarve, o guarda-redes encontraria um clube que estava a atravessar o melhor período da sua história. Orientado pelo catalão Paco Fortes, o emblema algarvio, logo nessa época de 1994/95, consegue a primeira qualificação para as provas europeias. Também pelas “Super Eagles”, o atleta conseguiria manter-se na linha da frente e seria convocado a jogar a Taça das Confederações de 1995. É então que, entre outros convites, surge o interesse de um dos “3 grandes” – “No caso do Sporting lembro-me bem, foi mesmo o Farense que me pediu para ficar e eu aceitei. Foi no final da época em que nos apurámos para a Taça UEFA. Não queriam que eu saísse e eu pensei que jogar a Taça UEFA ia ser muito bom e como gostava muito da minha vida no Algarve escolhi ficar”*.
Tendo ficado mais ano e meio em Portugal, o convite do Hércules faria com que Peter Rufai, já no decorrer da temporada de 1996/97, mudasse de país. Meia temporada no patamar cimeiro espanhol, seria suficiente para que um dos maiores emblemas da “La Liga” o contratasse. No Deportivo La Coruña, ainda que na sombra do camaronês Jacques Songo’o, o guardião viveria o sonho de jogar num clube de grande dimensão. Curiosamente, e mesmo sem conquistar a titularidade, o seu estatuto na selecção nigeriana manter-se-ia intocável. A prova disso mesmo viria com a convocatória para o Mundial de 1998, onde conseguiria ser um dos esteios da equipa.
Foi ainda durante a passagem pela Galiza que o seu pai acabaria por falecer. A questão da sucessão ao trono fica então em cima da mesa e, para resolver esse assunto, Peter Rufai viaja até ao seu país. Contudo, e ao contrário da pretensão da sua família, o jogador acabaria por abdicar – “Nunca quis ser Rei. Se aceitasse não poderia ser futebolista. Eu sei que ia ter uma vida boa, porque eu sei como viviam os meus pais. Mas aquilo não era para mim. Não me fazia feliz. Eu queria era o futebol”*.
Já depois de ter posto um ponto final na sua carreira, decisão tomada após uma temporada ao serviço do Gil Vicente, Rufai fez questão de manter a ligação à modalidade. Tirou o curso de treinador no Reino Unido (1999/00), começou a trabalhar com jovens na Bélgica e acabaria por fundar o seu próprio empreendimento. O antigo futebolista é o mentor do projecto Dodo Mayana Soccerthon e, de volta ao seu país natal, tem ajudado a formar novos talentos e a lançá-los profissionalmente.


*retirado do artigo de João Tiago Figueiredo, em www.maisfutebol.iol.pt, publicado a 21/01/2016

789 - SONKAYA

Filho de imigrantes turcos a residir na Holanda, seria no país de acolhimento que Fatih Sonkaya começaria a dar os primeiros pontapés na bola. Depois de ter passado por outros emblemas de menor nomeada, o fim do seu percurso formativo far-se-ia no Roda. No mais representativo clube da cidade de Kerkrad, e já após o empréstimo de um ano ao VVV Venlo (1999/00), as suas prestações haveriam de o pôr em plano de destaque. Não só no Campeonato holandês, como também no seu país de origem, as suas qualidades começariam a ser bastante elogiadas. É da Turquia que, no entanto, acabaria por surgir um dos maiores louvores aos seus primeiros anos como profissional. O atleta, a 20 de Abril de 2003, é chamado a representar a selecção nacional, fazendo a estreia num particular frente à República Checa.
Essa primeira internacionalização levaria o defesa, numa história bem curiosa, a disputar um dos grandes certames para selecções. Sendo a França a acolher a edição de 2003 da Taça das Confederações, o lugar para o vencedor do Euro, que pertencia aos gauleses, ficaria em aberto. A preferência recairia na Itália, segunda classificada no referido torneio do “Velho Continente”, que, ainda assim, declinaria o convite. A Alemanha, como finalista vencida do Mundial de 2002, e a Espanha, à altura no segundo posto do “ranking” FIFA, também recusariam participar. Conclusão: a vaga em aberto sobraria para a equipa que tinha ficado em terceiro lugar no último Campeonato do Mundo, ou seja, a Turquia.
Depois dessa participação, e como um dos atletas que, amiúde, era chamado à equipa nacional, o Besiktas, para a temporada de 2004/05, decide avançar para a sua contratação. Contudo, e numa altura em que no emblema turco tinha a concorrência de nomes como o do internacional espanhol Juanfran, as oportunidades conseguidas em Istambul seriam poucas. É então que surge o interesse do FC Porto. À altura orientado por Co Adriaanse, a equipa portuense procurava um substituto que conseguisse colmatar a saída do grego Seitaridis. Uma das escolhas do treinador holandês, conhecedor do seu trabalho, recairia sob Sonkaya. O pior é que o defesa, desde a sua saída do Roda, parecia ter entrado numa espiral descendente e, mais uma vez, não conseguiria agarrar um lugar.
Após o insucesso nessa passagem pelo Estádio do Dragão (2005/06), e depois dos empréstimos à Académica de Coimbra e Roda, a ligação ao emblema “Azul e Branco” conhece o seu fim. Durante algum tempo, nos jornais desportivos nacionais, ainda viria à baila o interesse de diversos emblemas. Tendo sido veiculada a sua ida para os turcos do Bursaspor, como para os alemães do Energie Cottbus, a verdade é que o defesa manter-se-ia desempregado até Janeiro de 2009.
Já última fase do seu percurso profissional, e bem longe do estrelado vaticinado a partir de certa altura, seria feita em cubes mais modestos. Passagens pelo Khazar Lankaran (Azerbaijão) ou pelo Kayseri Erciyesspor (Turquia) serviriam apenas para anunciar um fim de carreira bastante discreto. Essa caminhada acabaria por terminar na República Turca do Chipre do Norte e a envergar as cores do Cetinkaya TSK.

788 - LÉO

Saído das escolas do Americano, emblema de Campos dos Goytacazes, o início do seu percurso profissional haveria de ser algo agitado. Em constantes mudanças, Léo, nos primeiros anos da sua carreira, passaria por diferentes emblemas. Depois de ter merecido algum destaque na colectividade que o tinha formado, o União de São João decide então contratá-lo. Igual sucesso teria no seu novo clube e, nem a estreia no principal escalão do “Brasileirão”, atrapalharia a sua evolução.
O único revés nessas temporadas iniciais, aconteceria na ida para o Palmeiras. Sem que Luiz Felipe Scolari concedesse grandes oportunidades ao atleta, os poucos meses passados no Palestra Italia tornar-se-iam num pequeno desaire. Contudo, e como diz o povo, “depois da tempestade vem a bonança”. Ora, a sua transferência para o Santos provaria isso mesmo. Sendo um atleta que, apesar da baixa estatura, nunca soube virar as costas à luta, Léo conseguiria conquistar os responsáveis técnicos do clube de São Paulo. Na Vila Belmiro, as boas exibições levá-lo-iam a merecer a chamada ao “Escrete”. Com a principal selecção “canarinha”, o lateral-esquerdo participaria na Taça das Confederações de 2001. Todavia, a melhor participação no dito certame, estaria reservada para a edição de 2005. Numa equipa recheada de estrelas, onde estava incluído o benfiquista Luisão, o defesa daria a sua contribuição para a vitória do Brasil.
Voltando ao clube, também ao serviço Santos conseguiria o seu quinhão de conquistas. É certo que a primeira passagem não seria tão prolífera quanto a segunda. Ainda assim, e sendo um dos atletas mais utilizados no plantel, as temporadas que se seguiriam à sua chegada em 2000, dariam ao atleta 2 vitórias no “Brasileirão” (2002; 2004). Mas, muito mais do que qualquer título conquistado, aquilo que maior destaque merecia era a “raça” que Léo mostrava dentro de campo. Mesmo sendo um defesa seguro, também no auxílio ao ataque o lateral era bastante eficaz. Esses predicados fariam com que o Benfica, para a temporada de 2005/06, decidisse apostar na sua contratação. Apesar dos 30 anos de idade, as qualidades técnicas e a disponibilidade que sempre mostrou, permitiriam que a sua adaptação ao futebol europeu acontecesse com facilidade. Esse facto faria com que, logo à sua chegada, conseguisse conquistar um lugar no “onze” inicial. Nas 4 épocas que se seguiriam, o atleta venceria 1 Taça da Liga e 1 Supertaça. Contudo, a sua maior vitória seria a conquista do coração dos adeptos. Aliás, e como as suas palavras o comprovam, a paixão sempre foi reciproca – "Foram tempos muito bonitos. Identifiquei-me muito com o clube e com os adeptos. Eles sempre me trataram como se estivesse em casa. Estive aí em agosto e foi bonito de ver que fiquei na história do clube, não esperava ver-me nesse museu tão lindo. O Benfica fez sentir-me que fui especial para todos"*.
A sua saída do Benfica aconteceria na época de Quique Flores. O regresso ao Santos em 2009, haveria de dar ao atleta a oportunidade de conquistar alguns dos maiores títulos da sua carreira. Já numa fase descendente do seu percurso como futebolista, conseguiria, ainda assim, ser de extrema importância para os seus colegas. Ao lado de craques como Elano, Ganso ou Neymar, Léo ajudaria o “Peixe” a conquistar 3 “estaduais” paulistas, 1 Copa do Brasil, a Copa dos Libertadores de 2011 e, no ano seguine, a Recopa Sudamericana. Esta última fase da sua carreira acabaria também por contribuir para outros recordes. Léo tornar-se-ia num dos atletas com mais jogos feitos pelo emblema “alvi-negro” e, na era pós-Pelé, no jogador com mais títulos ganhos pelo clube. Ora, esta ligação seria celebrada em conjunto com outra data histórica. Por altura dos 100 anos da Vila Belmiro, Santos e Benfica juntar-se-iam num amigável e, desse modo, fariam uma homenagem ao defesa.

 
*retirado do artigo de Gonçalo Lopes, publicado em http://www.dn.pt, a 08/10/2016

787 - ROCHEMBACK


Saído das “escolas” do Internacional de Porto Alegre, Fábio Rochemback rapidamente conquistou a fama de ser um médio completo. A agressividade que mostrava a defender, em pé de igualdade com a sua aprumada técnica, davam-lhe a oportunidade para poder ocupar qualquer lugar no miolo do terreno. Tanto a “trinco”, como em tarefas mais ofensivas, o jovem atleta, na mudança do milénio, posicionava-se como uma das mais talentosas promessas do futebol brasileiro. Esse vaticínio seria cimentado com a sua chamada à principal selecção brasileira. Com apenas 19 anos, o jogador faria a sua estreia com a “Canarinha”, sendo, nesse mesmo ano de 2001, chamado a disputar a Copa América e a Taça das Confederações.
Claro está que, com tanto alarido, o seu valor aumentaria substancialmente. Na corrida que já se adivinhava, quem acabaria por ganhar o seu concurso seria o Barcelona. Contudo, a sua mudança para a Espanha não traria os resultados esperados. Mesmo após o normal período de adaptação, Rochemback nunca conseguiria atingir os níveis exibicionais exigidos a uma tão grande promessa. Muitos apontariam a sua irreverência, como a principal razão para falta de sucesso no emblema “blau-grana”. A confirmar isso mesmo, seriam, à altura, veiculadas algumas notícias que reportavam o seu mau comportamento e, pior ainda, quezílias com os colegas de equipa.
O azar de uns é a sorte de outros… Depois da desilusão na sua passagem pela Catalunha, é o Sporting que consegue o seu empréstimo. Tendo chegado a Alvalade na época de 2003/04, o médio conseguiria afirmar-se como um dos melhores jogadores do plantel. Nessa primeira temporada, seria eleito como um dos grandes futebolistas a actuar em Portugal. As suas “performances”, já nos anos que se seguiriam ao da sua chegada, manter-se-iam em níveis bem elevados, sendo, inclusive, um dos grandes obreiros da chegada dos “Verde e Branco” à final da Taça UEFA de 2004/05. Ainda assim, a sua passagem pelos “Leões” ficaria marcada por mais um caso de indisciplina. Após ser substituído num jogo frente ao FC Porto, Rochemback dirigir-se-ia ao treinador José Peseiro de uma forma abusiva, sendo alvo de um processo disciplinar.
A temporada de 2005/06 ainda começaria em Lisboa. No entanto, as boas exibições conseguidas ao serviço do Sporting, há muito que tinham despertado a atenção de outros clubes. Nesse sentido, o Middlesbrough acabaria por comprar o seu “passe” ao Barcelona. Os anos que se seguiram na sua carreira, 3 para ser mais exacto, passá-los-ia na “Premier League”. Na principal divisão inglesa, o jogador haveria de conseguir afirmar-se como um dos craques aí presentes e ajudaria o clube a chegar à final de uma competição europeia. Ainda assim, a presença no derradeiro jogo da edição de 2005/06 da Taça UEFA, haveria de trazer a Rochemback, mais uma vez, o amargo sabor da derrota.
Mesmo bem cotado, e finda a sua ligação ao emblema britânico, a sua decisão de voltar ao Sporting sobrepor-se-ia a qualquer outra proposta. Mesmo demonstrando uma forma pouco condizente com o seu papel de atleta de alta competição, condição que já vinha dos seus últimos tempos em Inglaterra, a época de regresso a Alvalade até seria positiva. Já o começo da temporada de 2009/10, sublinharia esse aprumo físico deficiente. Tendo perdido espaço na equipa, é então que surge a oportunidade de jogar no Brasil. O Grêmio, que até já tinha tentado a sua contratação no ano anterior, acaba por conseguir convencê-lo. No entanto, essa etapa no seu país marcaria a última fase do seu percurso profissional. Para além dessa nova passagem pela cidade de Porto Alegre, o médio defenderia ainda as cores dos chineses do Dalian Aerbin e, pondo um ponto final na sua carreira, passaria pelo Ipiranga de Sarandi.

TAÇA DAS CONFEDERAÇÕES

Um dia depois após Portugal, com um honroso 3º lugar, ter terminado a sua primeira participação na Taça das Confederações, o “Cromo sem caderneta” decidiu dedicar-se a este certame. Por essa razão, o mês de Julho será dedicado a antigos atletas que, tendo representado emblemas nacionais, também disputaram esta competição.

786 - FILIPOVIC

Já depois de, em tenra idade, ter deixado Belgrado para morar no Montenegro, o regresso à capital da antiga Jugoslávia abrir-lhe-ia as portas do futebol. Nas “escolas” do Crvena Zvezda (Estrela Vermelha), Zoran Filipovic faria todo o seu percurso formativo. Com a naturalidade de um predestinado, seria com distinção que o avançado passaria todos os desafios dessa etapa inicial. Com 17 anos apenas, e aferindo todas as suas qualidades, dá-se a chamada à primeira equipa. A temporada de 1970/71 marcaria, desse modo, a subida da jovem promessa ao plantel principal. O jogo de estreia, disputado no âmbito das competições europeias, seria contra os húngaros do Ujpest FC. Contudo, a maior curiosidade deste episódio, prender-se-ia com o facto de o treinador adversário ser Lajos Baroti, o mesmo técnico que, anos mais tarde, apadrinharia a sua entrada no Benfica.
Não foi apenas no Estrela Vermelha que o ponta-de-lança conseguiria despontar prematuramente. Sendo um jogador que primava pela elegância dentro de campo, a sua impulsão, posicionamento e sentido de baliza faziam dele um avançado temido. Ora, tantos predicados, e revelados tão precocemente, levariam os responsáveis da selecção a chamá-lo a uma partida da qualificação para o Euro 72. Esse jogo frente à República Democrática Alemã, dando continuidade a uma série de chamadas nas camadas jovens, daria início a uma caminhada que, na minha opinião, ficaria um pouco aquém das espectativas. Com a principal camisola da Jugoslávia conseguiria atingir as 13 internacionalizações, um número que não faria justiça às suas capacidades.
Voltando ao Estrela Vermelha, 10 épocas a envergar a camisola vermelha e branca permitir-lhe-iam superar diversas metas. O tempo passado com os seniores, faria de Filipovic um dos atletas com mais jogos efectuados pelo emblema de Belgrado. Claro que no que diz respeito a remates certeiros, também os números apontariam a sua qualidade. Para além de ter conseguido sagrar-se o Melhor Marcador do Campeonato de 1976/77 (21 golos), a sua pontaria levá-lo-ia a conquistar o título de goleador máximo da história do clube nas competições da UEFA.
Só a falta de abertura entre o Bloco de Leste e a Europa Ocidental, é que impediria Filipovic de viajar até uma das ligas mais prestigiadas do “Velho Continente”. Esse constrangimento seria ultrapassado no início dos anos 80 e numa altura em que já contava no currículo com 3 Campeonatos e 3 Taças da Jugoslávia. Todavia, a sua transferência para os belgas do Club Brugge não correria de feição e, um ano após a sua chegada, o atleta estava de partida para outro país. Em Lisboa, e como já foi referido, reencontrar-se-ia com o técnico Lajos Baroti. Apesar de ter chegado “à experiência”, os bons resultados que, desde os primeiros dias, conseguiria demonstrar, fariam com que o contracto fosse assinado. Em boa hora aconteceu porque, nos anos vindouros, o avançado tornar-se-ia numa referência para o Benfica.
Apesar de uma primeira época positiva, a melhor temporada de Filipovic com as cores da “Águia” seria a de 1982/83. Com Nené como seu companheiro no ataque, o jogador seria essencial nas vitórias conseguidas. Muito para além da “dobradinha”, essa campanha ficaria marcada pela presença do Benfica na final da Taça UEFA. Para esse feito muito contribuiriam os seus golos. 3 nos quartos-de-final contra a Roma, e mais 1 nas meias-finais frente à Universitatea Craiova, empurrariam os “Encarnados” para esse derradeiro encontro. Na final, e apesar de ter disputado ambas as mãos, a sua veia goleadora acabaria por ser ofuscada pela defesa do Anderlecht.
Já depois de, na temporada seguinte, o seu desempenho pessoal ter ficado um pouco aquém daquilo que era esperado, o atleta muda-se para a cidade do Porto. Com mais um Campeonato (1983/84) na bagagem, a sua transferência para o Boavista como que marca a última etapa na sua carreira de futebolista. Seria também no Bessa que Filipovic faria a transição para as funções de técnico. Ainda como adjunto, o antigo avançado daria os primeiros passos de uma nova vida. Nessas funções de treinador, e como uma carreira que já vai longa, há que destacar as suas passagens não só pelo Campeonato Nacional, como por outros países. Salgueiros, Beira-Mar, Vitória de Guimarães e Benfica (adjunto de Artur Jorge) também fazem parte desse seu percurso. Claro está, há também que fazer referência às suas passagens pela Sampdoria, o regresso ao Estrela Vermelha ou o seu papel nas selecções da Jugoslávia e Montenegro.

785 - KAROGLAN

Já ia longo o seu percurso, quando rebenta a guerra nos Balcãs. Depois de passagens por alguns emblemas da antiga Jugoslávia, Karoglan, por razão do referido conflito armado, decide então deixar o seu país – “Se não fosse a guerra nunca tinha ido. Tinha 26 anos e não me passava pela cabeça sair daqui, ainda por cima para um país como Portugal, tão longe. É a vida. É a guerra e é a vida…”*.
Fixa-se em Trás-os-Montes e aí encontra o seu antigo colega do NK Iskra Bugojno, Rudez Thiomir. Tendo como companheiro na frente de ataque Rudi (foi assim que o seu compatriota ficou conhecido), o atleta adapta-se na perfeição ao Desportivo de Chaves. Mesmo com uma carreira que, até então, tinha sido feita, maioritariamente, de passagens por clubes mais modestos, o jogador consegue destacar-se com facilidade e começa a merecer uma atenção especial.
Naquele que seria o seu caminho, Hajduk Split, Dinamo Vinkovci, NK Zagreb e os já falados emblemas precederiam um dos clubes com mais tradição em Portugal. Após duas temporadas a envergar as cores da colectividade flaviense, o Sporting de Braga decide apostar na contratação do atacante croata. Rápido e, principalmente, com uma postura bastante aguerrida, Karoglan conseguiria, com relativa facilidade, conquistar os adeptos do seu novo clube. Na “Cidade dos Arcebispos”, o avançado acabaria por dar um enorme contributo para os bons resultados do conjunto. A chegada à final de Portugal de 1997/98 ficaria na memória dos que acompanham os bracarenses. Já a eliminatória jogada frente às “Águias” é uma das melhores recordações do futebolista – “Olha, foi na meia-final da Taça, dois golos, há um vídeo na internet, vai ver (…). Foi uma grande alegria, uma festa. O estádio estava cheio, muita gente a festejar, foi um dia para não esquecer. E o Benfica era muito forte, não era fácil marcar ao Preud'homme”**.
Apesar da final perdida frente ao FC Porto (3-1), os 6 anos ao serviço do Sporting de Braga transformar-se-iam em tempo mais do que suficiente para que Karoglan conseguisse tornar-se num dos grandes ídolos da massa associativa minhota. Ainda sem nunca ter sido um atacante muito prolífero, a sua atitude dentro de campo e a ajuda que prestava aos seus colegas, valer-lhe-iam esse estatuto.
Em 1998/99, Karoglan decide ser hora para pôr um ponto final no seu percurso como futebolista. Ainda que afastado dos grandes palcos, o antigo atacante continua a estar bem atento ao futebol. Muito para além de acompanhar a carreira do filho (Bruno Karoglan), a sua relação com a modalidade, principalmente em Portugal e na Croácia, mantem-se – “Continuo ligado ao futebol. Tento manter sempre esta ligação, mesmo que não a nível profissional. Trabalhei como olheiro e também numa equipa juvenil aqui da cidade. Cheguei a falar com o Braga para descobrir talentos mas nunca foi nada em concreto. Não tenho ligação a um clube, faço de olheiro para alguns amigos, seja para a Croácia, Inglaterra, Alemanha…”*.

 
*retirado do artigo de João Tiago Figueiredo, em http://www.maisfutebol.iol.pt, publicado a 03/12/2014
**adaptado da entrevista de Mariana Cabral, em http://tribunaexpresso.pt, publicado a 19/09/2016

784 - MICKEY


Já depois de passar pelas “escolas” de diversos emblemas da Beira Litoral, é já na Académica de Coimbra que termina o seu percurso formativo. Rui Miguel Alegre do Nascimento Lopes, que ficaria conhecido no mundo do futebol por Mickey, acabaria por encontrar no emblema da “Cidade dos Estudantes” um meio propício a lançar-se na referida modalidade. Ainda assim, e já depois de, na temporada de 1990/91, ter conseguido estrear-se na categoria principal, a falta de oportunidades daria jus a um pequeno périplo de empréstimos.
A cedência ao Mirandense (1991/92) e, no ano seguinte, à Naval 1º de Maio (1992/93), abrir-lhe-iam as portas do regresso a Coimbra. De volta à “casa mãe”, a sua ascensão ao “onze” inicial não seria imediata e o médio-ofensivo ainda teria de penar um pouco mais. Esse estatuto, o de titular, consegui-lo-ia apenas em 1994/95. Sendo um jogador que primava pela excelente leitura de jogo, e tendo uma técnica de passe acima da média, Mickey começaria a cimentar-se como o “playmaker” do grupo.
A importância que, no decorrer das temporadas seguintes, conseguiria granjear, serviria para sublinhar as suas excelsas qualidades. Todavia, não era só dentro de campo que o centrocampista personificava o espírito da “Briosa”. Também fora dele, mormente no desenrolar da sua vida académica, Mickey era um bom exemplo. Como estudante-atleta, o futebolista serviria para preservar uma das tradições mais vincada na história da instituição conimbricense.
Já numa altura em que o seu lugar na equipa inicial era inquestionável, Mickey, finalmente, consegue disputar a mais importante competição em Portugal. Infelizmente para o jogador, e uma injustiça para a consistência que sempre mostrou dentro de campo, o seu percurso no nosso maior patamar não atingiria a duração que este merecia. Com os “Estudantes”, o médio estaria 2 temporadas na 1ª divisão (1997 a 1999). Já sua saída do clube coincidiria com a despromoção do grupo e com a necessidade de reduzir o orçamento da equipa – ”É doloroso sair da Académica, sinto alguma mágoa porque estou muito ligado a esta casa (…). Sei que ainda tenho muito a dar ao futebol e chegou a hora de pensar também em mim (…). “As negociações com o Campomaiorense estão muito bem encaminhadas, o que me permitirá continuar a jogar na I Divisão (…). A possibilidade de ir para Espanha continua de pé”*.
A sua escolha recairia no emblema da raia alentejana. Incrivelmente, a partir dessa mudança de clube, a sua carreira, e de uma forma repentina, encurtar-se-ia. Depois de uma época ao serviço do Campomaiorense, Mickey assina pelo Sporting de Espinho e mergulha nos escalões inferiores. Maior tornar-se-ia a surpresa quando, sem ainda ter chegado aos 30 anos de idade, decide pôr um ponto final no seu percurso profissional. Depois dessa temporada com os “Tigres da Costa Verde”, e numa decisão que, aos olhos de um normal adepto, parece sempre prematura, o atleta afastar-se-ia dos “campos da bola”.

 
*adaptado de artigo publicado no jornal “Record”, a 02/07/99

783 - GONZÁLEZ

Estrela no Club Guaraní, ao avançado seria apresentada uma proposta para a sua transferência para o Real Madrid. Tal sugestão, ainda que dependente de um período experimental, seria aceite pelo atleta que, desse modo, teria a oportunidade de jogar num dos maiores emblemas a nível mundial.
O que passa a ser complicado é tentar explicar o que terá acontecido entre a proposta dos “Merengues” e a sua chegada ao Restelo. Segundo alguns relatos, o facto de o seu empresário ser amigo do técnico Alejandro Scopelli, à altura ao serviço do Belenenses, terá feito com que a viagem tenha sofrido um pequeno desvio. No entanto, há ainda a versão que nos conta as dificuldades burocráticas, pelas quais o jogador terá sido impedido de jogar pelo emblema da capital espanhola. Seja qual for a verdade, a única certeza é que na temporada de 1972/73, González faz a sua estreia com a “Cruz de Cristo”.
Como viria a afirmar o já referido treinador argentino, o extremo paraguaio era um “Jogador extraordinário pela sua velocidade e técnica, muito oportuno dentro da área com grande poder de remate e colocação. Um autêntico operário da equipa. Um profissional que se alheia da sua categoria para se integrar numa equipa sem vedetas, embora um jogador de grande classe tinha a humildade dos predestinados ao sucesso”*. Tais qualidades fizeram com que o esquerdino rapidamente conseguisse tornar-se num dos elementos mais preponderantes do plantel. A sua importância seria tal que, nas campanhas seguintes, poucos foram os jogos que o atleta falharia. Durante essas 5 épocas, o Belenenses também viveria momentos de sucesso e o 2º lugar conseguido no ano da sua chegada ou as participações nas competições europeias, seriam disso prova.
Os bons resultados conseguidos com as cores do Belenenses, fariam com que o FC Porto visse nele um bom reforço. Sob o comando de José Maria Pedroto, González acabaria por vencer os primeiros troféus em Portugal. Aliás, esse bicampeonato (1977/78; 1978/79), e que marcaria o fim de um jejum de 19 anos para o clube, acabaria por tornar-se no melhor registo do seu currículo. Ainda assim, a sua passagem pelas Antas seria tudo menos feliz. Assolado por graves lesões, a utilização do ala-esquerdo ficaria resumida a menos de uma dezena de partidas disputadas. Esses números, bem longe do seu real valor, acabariam por ditar a sua saída e o regresso ao Estádio do Restelo.
De volta ao Belenenses, as mazelas acumuladas no decorrer das temporadas anteriores fariam com que o atacante não conseguisse alcançar o nível de antigos desempenhos. González, ainda não tendo ultrapassado a barreira dos 30 anos de idade, acabaria por entrar no ocaso do seu percurso. Um par de épocas a vestir de Azul e mais uma, já a jogar nos escalões inferiores, ao serviço do Atlético, haveriam de pôr um ponto final na sua carreira de futebolista.
Já depois de retirado da alta competição, o antigo internacional pelo Paraguai continuaria ligado ao futebol e ao Belenenses. Para ser exacto, González fixar-se-ia em Portugal, onde ainda reside, e, durante vários anos, trabalharia nas escolas do clube lisboeta.


*retirado de http://belenenses.blogspot.pt/