880 - CAFU

Tendo sido recusado por alguns dos maiores emblemas no panorama desportivo brasileiro, entre os quais Corinthians, Palmeiras e Santos, seria no São Paulo que o jovem Cafu encontraria abrigo para dar seguimento à formação como futebolista. Já em 1989, mantendo as cores da camisola, o defesa faria a transição para o patamar sénior. Mesmo sem conseguir conquistar uma única oportunidade nesse ano de estreia, as suas qualidades fariam com que nas temporadas seguintes começasse a ganhar o seu espaço. Também no que diz respeito a títulos, os troféus não demorariam a entrar na sua vida. O “Brasileirão” de 1991, os “Estaduais Paulistas” de 1991 e 1992, a Copa Libertadores e a Taça Intercontinental de 1992 e 1993, a Supercopa Sudamericana de 1993, a Recopa Sudamerica de 1993 e 1994 e a Copa CONMEBOL de 1994 seriam os títulos que acabariam por colorir os anos iniciais da sua carreira.
No mesmo ano em que é eleito o Melhor Jogador Sul-Americano, Cafu tem a sua primeira aventura no estrangeiro. Em Espanha, passa a representar o Zaragoza e ajuda o emblema de Aragão numa das campanhas mais notáveis da história do clube. Com craques como Juan Esnáider, Fernando Cáceres, Gustavo Poyet, Jesús Solana ou Alberto Belsué, o grupo orientado pelo antigo treinador do FC Porto, Víctor Fernández, chegaria à final da Taça das Taças de 1994/95. Na derradeira partida, disputada no Parc des Princes, o resultado de 1-1 levaria a disputa do troféu para prolongamento. É então que, perto do fim da partida, Nayim, com um chapéu de bem longe, decide a partida em favor dos espanhóis.
No final dessa temporada na “La Liga”, a Parmalat, empresa italiana que nos anos 90 muito gastou no futebol, adquire do seu “passe”. A ideia dos investidores era a de levar o atleta de volta ao seu país. Sendo o Palmeiras o principal emblema patrocinado no Brasil, a vontade de aí colocar o atleta esbarraria na cláusula imposta pelo São Paulo na hora da sua transferência para a Europa. Tentando contornar essa exigência, que implicaria o pagamento de uma maquia considerável, a solução encontrada ditaria a passagem de Cafu pelo Juventude.
Após a curta estadia no emblema de Caxias do Sul, e entre processos na justiça desportiva e multas, dá-se a mudança para o Palestra Itália. A passagem pelo Palmeiras, onde ainda conseguiria vencer o “Estadual Paulista” de 1996, pouco mais serviria do que a transição para uma nova aventura no “Velho Continente”. Apesar da aposta pouco conseguida no regresso ao Brasil, o título de campeão do mundo obtido em 1994 manteria a sua cotação bem alta. Por essa razão, não seria difícil para os responsáveis da Roma entender que o defesa seria uma contratação segura. A sua ida para o “Calcio“ dar-se-ia na temporada de 1997/98 e tal passo seria deveras importante para que Cafu conseguisse transformar-se num dos melhores laterais-direitos da história recente da modalidade.
Sendo preciso, não só a ida para a Serie A ajudaria a que desse o maior salto na sua carreira. A importância das suas prestações no sucesso da selecção brasileira, também contribuiria para que o valor do jogador não parasse de crescer. Os números conseguidos com a camisola “canarinha” seriam a maior aferição desse êxito. Nesse sentido, é impossível esquecer os títulos. Ora, para além de 2 vitórias na Copa América (1997; 1999) e 1 na Taça das Confederações (1997), há ainda as presenças no Campeonato do Mundo. À já referida conquista em 1994, temos que juntar mais 3 participações naquele que é o maior certame futebolístico da actualidade. As partidas jogadas nos torneios organizados nos Estados Unidos da América, na França, no Japão e Coreia do Sul e na Alemanha, resultariam numa série de recordes quebrados. Assim, a juntar a uma nova vitória em 2002, Cafu tornar-se-ia no primeiro futebolista a marcar presença em 3 finais consecutivas (1994, 1998 e 2002) e a vencer mais jogos, 16, em fases finais de Mundiais.
Voltando à sua estadia em Itália, o defesa passaria 11 temporadas no “Calcio”. Essas campanhas, divididas entre Roma e AC Milan, transformariam o atleta. Como já foi referido, a experiência contribuiria para que Cafu passasse de um bom atleta para ser um dos melhores a actuar na sua posição. As participações nas competições europeias, mormente na Liga dos Campeões, muito contribuiriam para esse estatuto. Todavia, essas presenças, só por si, não seriam suficientes. A vitória do conjunto milanês na edição de 2006/07 da “Champions” seria muito importante para sublinhar tudo o que aqui já foi dito acerca do jogador. Para “completar o ramalhete” não posso deixar de referir as conquistas de 1 “Scudetto” por cada equipa representada, ou, já nos “Rossoneri”, dos triunfos na Supertaça Europeia (2003; 2007) e no Mundial de Clubes (2007).

879 - HAKAN SÜKÜR

Quando em 1987 fez a estreia pela principal equipa do Sakaryaspor, ninguém estaria à espera que Hakan Sükür conseguisse ser uma figura famosa tanto no desporto turco, como na cena política do país. Quanto a essa segunda faceta, e mais tarde lá regressaremos, é quase certo que não. Já no que diz respeito às suas habilidades futebolísticas, a única verdade é que, desde muito cedo, o avançado começou a mostrar algum jeito para marcar golos.
Tendo evoluído com as selecções jovens da Turquia, também a nível do clube o que mostrava era positivo. Ainda assim, e devido à sua tenra idade, só nas temporadas a seguir à de estreia é que Hakan Sükür começaria a ganhar mais espaço no “onze” inicial do Sakaryaspor. 3 épocas após a sua estreia e sendo um dos elementos de maior importância dentro do grupo, surge a proposta do Bursaspor. No Verão de 1990, a transferência conclui-se e ao passar a jogar num grupo com maiores ambições, também a sua cotação começaria a crescer.
Em Março de 1992 mais um passo importante na sua carreira. A estreia pela selecção “A”, num particular frente ao Luxemburgo, lançá-lo-ia na senda internacional. Quase de imediato, viria o interesse do Galatasaray. Ora, a mudança para um dos “gigantes” de Istambul, a juntar à presença na “Champions” e à importância dos seus golos na conquista de diversos títulos, haveriam de pô-lo nas “bocas do mundo”.
Bastante valorizado, a sua saída para o “Calcio” a poucos surpreenderia. Ainda assim, a adaptação a uma realidade competitiva bastante diferente não correria segundo as espectativas criadas por altura da sua chegada a Itália. Os meses passados ao serviço do Torino pouco espelhariam a sua qualidade e a meio da temporada de 1995/96 dá-se o regresso ao Galatasaray. No entanto, há males que até vêm por bem. O fracasso da primeira experiência fora do país, empurrá-lo-ia para uma das melhores fases do seu percurso profissional. Mais uma série de títulos colectivos, 3 prémios de Melhor Marcador da “Süper Lig” e a conquista da Taça UEFA de 1999/00, sublinhariam esse período de 4 anos e meio.
Tão boa sequência de vitórias teria que resultar numa nova oportunidade no estrangeiro. Todavia, e tal com tinha acontecido anos antes, Hakan Sükür não conseguiria impor o seu futebol. Inter de Milão, Parma e Blackburn seriam os capítulos seguintes da sua história futebolística. É certo que, durante esse tempo, nem tudo foram dissabores. As participações com a Turquia nos principais certames de selecções, seriam positivas. Já depois de ter disputado o Euro 96 e o Euro 2000, a sua estreia num Campeonato do Mundo faria com que o ponta-de-lança entrasse para os anais da modalidade. No torneio de 2002, organizado entre o Japão e a Coreia do Sul, muito mais do que o 3º posto alcançado pela equipa nacional turca, ficaria para a memória um dos golos do atacante. Na partida para decidir a atribuição do último lugar do pódio, o jogador marcaria aos 10,8 segundos de jogo. Esse tento ficaria nos recordes como o golo mais rápido conseguido numa fase final de um Mundial.
A última fase da sua carreira seria, mais uma vez, despendida com as cores do Galatasaray. No cômputo das 3 passagens pelo emblema de Istambul, ao palmarés do jogador chegariam, para além da já referida conquista europeia, 8 Ligas, 5 Taças e 3 Supertaças. Esse derradeiro período terminaria em 2008 e, com o fim da carreira, o atleta ver-se-ia consagrado como um dos melhores atletas do desporto turco.
Após “pendurar as chuteiras” Hakan Sükür afastar-se-ia um pouco da modalidade. Mantendo alguma ligação ao futebol com as aparições em programas desportivos, o antigo internacional começaria a dedicar-se à política. No entanto, a nova ocupação acabaria por trazer imensos problemas à sua vida. Tendo sido eleito deputado pelo “Adalet ve Kalkinma Partisi”, partido do actual Presidente Recep Erdogan, seria a sua ligação a outra alta figura da cena turca que o poria em maus lençóis.
Próximo de Fethullah Gülen, a ordem, por parte das entidades oficiais, para encerrar escolas ligadas ao teólogo, levaria a que o ex-futebolista deixasse o AKP. O acto de protesto, e tendo em conta que o religioso é um dos principais opositores ao regime vigente no país, criaria uma enorme celeuma. Não tardou muito para que as autoridades fossem no seu encalço. Após ter publicado alguns comentários nas redes sociais, Hakan Sükür seria acusado de insultar o Presidente e de, tal como o seu pai, pertencer e financiar uma organização terrorista. Com o seu progenitor a ser encarcerado, acabando este por falecer na prisão, o antigo jogador conseguiria escapar-se do país. Na sequência da fuga, pede e consegue exílio político nos Estados Unidos da América, estando impossibilitado de voltar à Turquia.

878 - KLOSE

Nascido na Polónia, mas com ascendência alemã, Miroslav Klose haveria de crescer numa casa onde o desporto, mais de que uma prática diária, era a profissão dos seus progenitores. O seu pai, Josef Klose, construiria a carreira de futebolista em clubes como o Odra Opole ou os franceses do Auxerre. Já a mãe, Barbara Jez, optaria por outra modalidade e no Andebol chegaria a vestir as cores da equipa nacional polaca.
No que a Miroslav diz respeito, os primeiros passos no futebol seriam dados já a sua família estava a morar na Alemanha. No modesto SG Blaubach-Diedelkopf, o avançado faria toda a formação enquanto atleta. Com “faro” para o golo, onde o jogo de cabeça era aquilo que mais o destacava, Klose facilmente chamaria a atenção de outros clubes. Na transição para o patamar sénior, onde tantos outros encontram grandes dificuldades, o atacante conseguiria catapultar-se de forma brilhante. Do emblema do 7º escalão, transferir-se-ia para o FC 08 Hombur. É certo que a mudança parece ter pouco valor. Contudo, bastaria mais uma temporada a jogar nas divisões secundárias para que, em 1999/00, chegasse ao principal patamar germânico.
A mudança para o Kaiserslautern permitiria a Klose, não só a estreia na 1. Bundesliga, como estar num emblema que habitualmente concorria pelos “lugares europeus”. Claro está que a estreia na equipa principal não viria de imediato. Só depois de passar alguns meses no conjunto “b” é que Otto Rehhagel daria ao atacante uma oportunidade. Ainda assim, é impossível dizer-se que a sua adaptação tenha sido muito difícil. Ora, após essa primeira partida, disputada no último terço da temporada de 1999/00, o ponta-de-lança agarraria um lugar no plantel e tornar-se-ia numa das principais estrelas dos “Roten Teufel”.
Nisto de subidas, também pela equipa nacional a sua ascensão seria bastante rápida. Após o destaque conseguido no Kaiserslautern, não tardou muito para que o seu nome começasse a figurar nas convocatórias da “Mannschaft”. Em Março de 2001, meses após ter recusado representar a Polónia, Klose estreia-se pela Alemanha. Esse desafio frente a Albânia, onde também marcaria 1 golo, seria o ponto de partida para que entrasse na história do futebol germânico. Tendo disputado diversos Europeus e Mundiais, seria a presença em 4 Campeonatos do Mundo que haveria de pô-lo nos anais da modalidade. A sua participação em 2002, 2006, 2010 e 2014 resultaria, no cômputo dessas 4 edições, em diversos golos. No torneio organizado no Brasil, num jogo que ficaria na memória de todos, o atleta também contribuiria para os 7-1 impostos ao conjunto anfitrião. Com esse remate certeiro, o atleta conseguiria somar o 16º tento numa fase final e, ao ultrapassar o registo de Ronaldo, tomaria para si mais um recorde.
Paralelamente ao percurso feito com a selecção, também o seu currículo a nível de clubes, serviria para aferi-lo como um dos grandes avançados do século XXI. A mudança do Kaiserslautern para o Werder Bremen seria um passo importante na sua carreira. Pelo novo emblema, Klose conseguiria, em termos individuais e colectivos, prémios muito importantes. Nesse sentido, 2006 seria um ano bastante proveitoso.  Para além de vencer a DFB-Ligapokal (Taça da Liga), o ponta-de-lança ficaria em primeiro na tabela dos Melhores Marcadores do Campeonato e venceria o prémio de Jogador do Ano na Bundesliga.
É óbvio que a transferência para o Bayern de Munique, seria o melhor atestado à qualidade do seu jogo. Pelos bávaros, Klose conseguiria juntar ao seu palmarés mais uma série de títulos. 2 Bundesligas (2007/08, 2009/10), 2 Taças (2007/08, 2009/10), 1 Taça da Liga (2007/08) e 1 Supertaça (2010/11), só seriam superados pela vitória, mais uma vez com a camisola germânica, no Campeonato do Mundo de 2014. Para ser correcto, não posso associar este último troféu ao período passado na Alemanha. Por altura desse enorme feito, já o atleta disputava a “Serie A” do “Calcio”. Ora, seria na Lazio que o atacante passaria os derradeiros anos da carreira. Pelo emblema da cidade de Roma, o internacional alemão jogaria 5 temporadas. Tempo ainda para vencer a edição de 2012/13 da “Coppa” de Itália.
Após abandonar os relvados em 2016, Klose dedicar-se-ia às funções de treinador. Depois da experiência como adjunto na selecção alemã, o antigo futebolista é, neste momento parte integrante dos quadros técnicos do Bayern. No emblema de Munique, orienta agora (2017/18) a equipa de sub-17.

877 - MONDRAGÓN

De ascendência libanesa, Faryd Mondragón nasceria na cidade colombiana de Cali. Seria nessa mesma localidade que no Deportivo local, daria os primeiros passos de um percurso que quase atingiria as duas décadas e meia.
Depois de, nos primeiros anos de carreira, ter cirandado por alguns emblemas do seu país e pelos paraguaios do Cerro Porteño, é a ida para a Argentina que começa a solidificar o seu percurso a nível de clubes. Curiosamente, e mesmo antes de conseguir afirmar-se numa colectividade, Mondragón já fazia parte de um restrito grupo de atletas que, no início dos anos 90, era visto como a elite do futebol colombiano. Nesse sentido, a chamada aos Jogos Olímpicos de Barcelona, seguidas das presenças na Copa América de 1993 e Mundial de 1994, serviria para atestar todas as expectativas criadas à sua volta.
A passagem pelo Argentino Juniors e, mais tarde, a sua transferência para o Independiente mostrariam Mondragón como um dos melhores guardiões da América do Sul. No emblema de Avellaneda onde, no cômputo de 3 diferentes períodos, passaria 6 temporadas, o atleta ganharia alguns dos mais importantes troféus da sua carreira. Mesmo sem conseguir ajudar os “Diablos Rojos” a conquistar a liga argentina, a sua presença no “onze” seria importante para que, em 1995, a Recopa Sudamericana e a Supercopa Libertadores acabassem nos escaparates do clube.
Claro está que a projecção que começava a ter, torná-lo-ia num alvo apetecível por outras paragens. Do outro lado do oceano começariam a surgir propostas pela sua contratação e o atleta, não podendo virar as costas a tais oportunidades, faria as malas e viajaria para a Europa. Contudo, aquilo que é o sonho de muitos futebolistas sul-americanos, para Mondragón não passaria de uma má experiência. A época de 1998/99, já depois de mais uma presença no Campeonato do Mundo, seria passada ao serviço do Real Zaragoza. Essa campanha, apesar da esperança nela depositada, ficaria abaixo das espectativas. Poucas presenças em campo e, no final da referida época, o regresso à Argentina.
Não tardou muito até que o guarda-redes voltasse a aventurar-se pelo “Velho Continente”. Em 2000, o jogador chega a França para jogar pelo Metz. Dessa feita, a história até parecia encaminhar-se para um desfecho completamente diferente. Todavia, e apesar da preponderância conquistada no seio do plantel gaulês, o desfecho da temporada traria mais um “amargo de boca” ao percurso do guarda-redes. Acusado de usar um passaporte grego falso, o futebolista acabaria em tribunal. Mesmo tendo o clube alegado que os lugares para extra-comunitários não estavam preenchidos, a sansão desportiva também não tardou. Impedido de jogar em França, o atleta não teve outra alternativa senão procurar abrigo noutras paragens.
Curiosamente, a trapalhada vivida em França levá-lo-ia a uma boa experiência. A opção encontrada empurrá-lo-ia até à Turquia. Contratado pelo Galatasaray, o guarda-redes conseguiria jogar regularmente e, acima de tudo, assumiria um papel importante aos olhos da massa adepta. Nas 6 temporadas passadas em Istambul, e com os títulos conquistados em 2001/02 e 2005/06, Mondragón sagrar-se-ia, pela primeira vez na sua carreira, campeão nacional.
Mesmo com uma passagem marcada pela regularidade, a última época ao serviço do emblema turco seria especialmente positiva. Tanto assim foi que, mesmo tendo em conta os 37 anos, o FC Köln não hesitaria no momento de o contratar. Na Bundesliga os seus níveis exibicionais manter-se-iam elevados. Claro está que a idade começaria a pesar e, mesmo depois de ultrapassar a barreira dos 40, o fim do seu percurso profissional não parecia estar à vista. Philadelphia Union e o regresso ao Deportivo Cali, completariam o resto da sua carreira. No entanto, a sua caminhada não chegaria ao fim sem antes conseguir mais uma bela marca para o seu palmarés. Convocado para o Mundial de 2014, a sua entrada na partida frente ao Japão quebraria mais um recorde. Com 43 anos e 3 dias, Mondragón, ultrapassando o camaronês Roger Milla, tornar-se-ia no atleta mais velho a disputar uma fase final do Campeonato do Mundo.

876 - PELÉ

Quando em casa mora um futebolista que, no cômputo do seu percurso profissional, vestiu as camisolas do Fluminense e do Atlético Mineiro, é fácil alimentar a paixão pelo “desporto rei”. Nesse sentido, é só seguir a velha máxima “filho de peixe sabe nadar”, para perceber que os primeiros passos do jovem Edson Arantes do Nascimento tiveram origem no seu progenitor, o avançado Dondinho.
Para além das brincadeiras com o pai, os seus primeiros anos no futebol seriam feitos de passagens pelas camadas juvenis de diferentes clubes. Jogando em paralelo as disciplinas de “11” e de “salão”, Pelé começaria a desenvolver características muito interessantes. Ora, é nesse percurso formativo que acabaria também por representar o Bauru Atlético Clube. No modesto emblema do Estado de São Paulo seria orientado por Waldemar de Brito, tornando-se o antigo internacional brasileiro numa das figuras mais preponderantes da sua carreira.
O referido técnico, compreendendo as excelsas habilidades do jovem atleta, decide levá-lo ao Santos para que este pudesse treinar à experiência. Rápido, com uma grande visão de jogo e com uma capacidade técnica também ela tremenda, Pelé deliciaria os responsáveis do clube. O agrado seria de tal ordem que pouco tempo após a sua chegada, dá-se a sua estreia pelo “Peixe”. Com apenas 15 anos, o médio-ofensivo é chamado a jogo frente ao Corinthians de Santo André. Daí em diante, os saltos no seu percurso seriam uma constante. Começa por ganhar um lugar no “onze” inicial; torna-se, na temporada a seguir à sua chegada, no Melhor Marcador do Campeonato Paulista”; e, ainda nesse ano de 1957, consegue estrear-se pela principal selecção do Brasil.
Aliás, seria pelo “Escrete” que Pelé conseguiria projectar-se a nível internacional. Depois de ter sido um dos principais intérpretes da vitória do Brasil no Mundial de 1958, o jogador começaria a ser desejado por diversos clubes. Vários “gigantes” europeus alinhar-se-iam como candidatos à sua contratação. Contudo, e como aconteceria em outras ocasiões, dir-se-ia que a sua transferência havia sido vetada pelos mais altos responsáveis do Estado. O assédio ao craque “canarinho” aumentaria de tom após nova aparição no Campeonato do Mundo. Quatro anos após a presença na Suécia, a sua participação no torneio organizado no Chile faria dele um dos atletas mais desejados na modalidade. Dessa feita, os periódicos desportivos veiculariam Manchester United, Real Madrid e Juventus como os colossos no seu encalço. No entanto, Pelé ficaria no Santos e, mais uma vez, viriam a público histórias sobre a interferência do governo num possível negócio.
Apesar dos troféus conseguidos ao serviço do Santos, a verdade é que seria pelo seu país que Pelé lograria os maiores prémios e distinções. Para além das participações em 4 torneios consecutivos, as vitórias nos certames de 1958, 1962 e 1970 fazem dele o atleta com mais triunfos na história do Campeonato do Mundo. Claro está, a ligação do astro brasileiro ao Mundial ainda deu azo a mais curiosidades. Por exemplo, a sua presença na final da competição disputada na Suécia, quando tinha apenas 17 anos e 249 dias, faz dele, ainda nos dias de hoje, o mais jovem futebolista a participar e vencer aquela que é a derradeira partida do torneio.

MUNDIAL E OS SEUS RECORDES

Em ano de Campeonato do Mundo é impossível não voltarmos a falar daquele que é o maior evento de futebol do planeta. Pelo torneio já passaram imensos atletas, treinadores e outras figuras que, de forma mais ou menos brilhante, marcaram a sua história. Nesse sentido, as façanhas alcançadas nas 20 edições já disputadas tornaram-se em muito mais do que uma mera estatística. É por essa razão que durante o mês de Maio, o “Cromo sem caderneta” vai dedicar-se ao “Mundial e os seus recordes”.

875 - IZMAILOV

Começar a carreira sénior como uma das maiores esperanças de um clube, nunca é tarefa fácil de assumir. Contudo, Izmailov nunca pareceu intimidar-se com tal estatuto e, durante as primeiras temporadas, foi para o Lokomotiv um verdadeiro tesouro. Apesar disso, e da qualidade patente no seu jogo, aquilo que haveria de assombrar o seu percurso profissional cedo começaria a manifestar-se. As lesões, uma quase constante na sua carreira, afectariam a sua evolução e toldariam as espectativas criadas à sua volta.
Veloz e com uma boa técnica, Izmailov rapidamente assumiria um papel preponderante no escalonamento da equipa moscovita. Como um elemento importante do “onze inicial”, o médio-direito contribuiria para a vitória do Lokomotiv nos Campeonatos de 2002 e 2004. Também por essa altura, já o seu nome era habitual nas convocatórias da selecção nacional. Após a estreia em Agosto de 2001, isto logo no início da 2ª época como profissional, em 2002 o atleta seria chamado ao Mundial. Depois de participar no torneio organizado entre o Japão e a Coreia do Sul, o jogador também marcaria presença em Portugal e no Euro 2004.
Numa altura em que as lesões já tinham arredado Izmailov da ribalta, o Sporting decide apostar na sua contratação. O russo, tentando relançar a sua carreira, viaja para Lisboa no Verão de 2007. Depois dessa primeira campanha, em que jogou pelos “Leões” por empréstimo do Lokomotiv, o seu passe seria comprado em definitivo pelo emblema português. Apesar do seu passado médico, as boas prestações do médio davam razão ao investimento feito e os anos seguintes sublinhariam essa certeza. Todavia, o médio regressaria ao calvário das lesões. A partir de 2009/10, consequência das mazelas sofridas, o jogador perde imenso espaço na equipa. Essa falta de presenças em campo, levaria o clube “alfacinha” a aceitar negociar a sua transferência. Em Janeiro de 2013, com o defesa Miguel Lopes a fazer o caminho inverso, Izmailov chega à cidade do Porto e passa a vestir de “Azul e Branco”.
A sua permanência no Estádio do Dragão pouco mais traria do que uma pequena curiosidade. No FC Porto, muito mais do que ser um atleta preponderante, o jogador decidiria mudar o seu nome de Izmailov para Izmaylov! Para piorar a sua situação, já muito afectada por uma forma física bastante debilitada, os problemas familiares fariam com que o jogador pedisse ao clube para o dispensar dos trabalhos da equipa. O afastamento, que duraria vários meses, acabaria na sua cedência aos azeris do Qabala e, mais tarde, na sua passagem pelo FC Krasnodar.
O regresso à Rússia não devolveria o médio aos bons momentos. Aliás, os problemas pessoais do jogador continuariam a afectar a sua carreira. A doença grave do filho levaria Izmailov a deixar o futebol por uma temporada. Depois, e de volta aos campos em 2016, viria a rescisão por mútuo acordo com o Krasnodar. Tentando estar mais perto da família, é então que decide aceitar o convite do recém-criado Ararat Moscovo. No entanto, a sua vontade de continuar no futebol duraria apenas algumas semanas. Em Setembro de 2017 é anunciado o seu afastamento do clube.

874 - KARYAKA

Sendo um adepto do FC Dnipro, a melhor maneira para Karyaka começar o seu percurso no futebol teria que ser, obviamente, nas escolas do emblema ucraniano. Assim foi! No entanto, e apesar dessa alegria, no último ano da sua “formação” o médio passaria a representar o Metalurh Zaporizhya. Aliás, seria nesse mesmo clube que o jovem atleta faria a transição para o patamar sénior.
Curiosamente, o jogador encetaria a participação na liga ucraniana frente ao seu primeiro clube. À parte desse pormenor, as suas características fariam com que, desde muito cedo, outros clubes começassem a demonstrar algum interesse na sua evolução. Observado por emblemas de outra monta, Karyaka, 3 temporadas após a sua estreia, acabaria por mudar-se para o CSKA de Kiev. No clube da capital a partir de 1998, a transferência permitir-lhe-ia participar nas provas da UEFA. Contudo, a suposta melhoria na carreira revelar-se-ia um passo atrás e após uma época de 1999 bem discreta, o médio-ofensivo, mais uma vez, decide mudar de rumo.
Dessa feita, a mudança traria resultados bem positivos. Tendo passado a vestir as cores do Krylya Sovetov, a sua carreira iria enriquecer muito. Na segunda temporada ao serviço do emblema de Samara, Karyaka consegue a primeira internacionalização. Apesar de ser natural da Ucrânia, o jogador optaria por vestir as cores da equipa nacional russa. A partir de Agosto de 2001,o seu nome passa a ser habitual na lista de convocados. A presença nos desafios da selecção promovê-lo-iam além-fronteiras e, claro está, essa projecção ficaria ainda mais patente com a sua participação no Euro 2004.
Um ano após a presença em Portugal, Kayaka recebe um convite de um clube estrangeiro. Essa proposta chegaria, exactamente, do país que tinha organizado o Campeonato Europeu. Sendo um jogador que tanto poderia actuar na ala esquerda ou a “playmaker”, a sua técnica, capacidade de passe e visão de jogo faziam dele um bom reforço para qualquer clube. Nesse sentido, a sua chegada ao Benfica viria carregada de espectativas. Todavia, essa esperança acabaria por, sem grande explicação, sair gorada. Numa altura em que ainda não tinha conseguido conquistar o seu espaço na equipa “encarnada”, a entrevista saída num jornal russo levaria a que a sua situação piorasse ainda mais. As declarações publicadas, nas quais o jogador questionava as opções de Ronald Koeman, fariam com que o médio fosse suspenso. Na sequência da polémica, o atleta negaria tais afirmações e acabaria por levar o periódico a tribunal.
É já depois de a justiça ter dado razão ao jogador, que Fernando Santos substitui o técnico holandês no comando das “Águias”. Apesar da mudança, e de um começo de temporada auspicioso, a vontade do treinador português em reduzir o plantel, faria com que Karyaka aparecesse na lista dos possíveis elementos a transferir. É então que surge o interesse de alguns emblemas russos. Apesar de mostrar pouco vontade em mudar-se, em Janeiro de 2007, e com o Dínamo de Moscovo na corrida, o atleta aceita o convite do Saturn. Primeiro por empréstimo dos lisboetas e, finalmente, a título definitivo, a transferência relançaria a sua carreira. Ainda assim, e tendo recuperado algum do protagonismo de anos anteriores, o esquerdino jamais seria chamado à selecção russa.
O resto da carreira, sempre no escalão principal do seu país, seria consumido entre uma curta passagem pelo Dínamo de Moscovo e algumas temporadas no Volga Nizhi Novgorod. Depois de ter “pendurado as chuteiras” em 2014, pouco tempo deixaria passar até encontrar um novo desígnio na modalidade. Tendo aceitado o desafio do FC Amkar Perm, Karyaka, desde 2015 tem desempenhado as funções de treinador-adjunto.

873 - FAIZULIN


Surgiria na primeira equipa do CSKA de Moscovo em 1991 e, tendo crescido de forma exponencial, conseguiria tornar-se na estrela do conjunto russo. Para tal, como é lógico, muito contribuiriam as suas prestações no campeonato. Contudo, também é inegável que a noite que mudaria a sua carreira aconteceria na disputa das provas da UEFA.
É em Camp Nou que, em Novembro de 1992, o CSKA chega para discutir a 2ª mão da 2ª ronda de qualificação para a fase de grupos da “Champions”. Com o 1-1 da 1ª volta, poucos foram os que tiveram o atrevimento de apostar na passagem da formação moscovita. Ainda assim, o conjunto de Leste vinha apostado em contrariar todas probabilidades. A sua grande arma acabaria por ser um jovem atacante que, durante toda a partida, conseguiria surpreender o mundo do futebol. Faizulin, como o motor ofensivo, conseguiria alimentar a dinâmica da equipa. Mesmo sem concretizar qualquer golo, a sua exibição empurraria os colegas para a baliza dos “blaugrana” e, com duas assistências, ajudaria os russos a vencer por 3-2.
A partir desse jogo, muitos clubes começaram a acompanhar a evolução do jovem atleta. Mantendo-se como um dos elementos mais preponderantes do CSKA de Moscovo, a sua cotação continuaria a subir. Para essa ascensão muito contribuiria a sua chamada à principal selecção russa em 1993 ou, logo no ano seguinte, a participação no Euro S-21. Com o seu valor a crescer cada vez mais, quem arriscaria a contratação do avançado seria o Racing de Santander. É então que, em 1995/96, Faizulin chega à região da Cantábria. Todavia, a mudança para o Norte de Espanha tornar-se-ia numa desilusão. Apesar do rótulo de craque, a sua adaptação à “La Liga” seria bastante difícil. Mesmo sendo um jogador com uma técnica acima da média, com uma visão de jogo soberba e uma mobilidade tal que tornava penosa a sua marcação, o atleta não conseguiria conquistar um lugar na nova equipa.
Duas temporadas após a sua chegada a Espanha, Faizulin deixa o Racing de Santander. Começa então um périplo que, com o avançar dos anos, faria esquecer o brilhantismo dos seus primeiros tempos como profissional. Villarreal, na 2ª liga espanhola, Alverca e Farense no principal escalão português, não seriam mais do que discretas tentativas para tentar relançar a sua carreira. Após mais esses fracassos, o percurso do russo ensombrar-se-ia ainda mais. Turquia, os regressos à Rússia e um final de carreira passado em modestos emblemas espanhóis, dariam corpo a uma caminhada que ficaria marcada por alguma decepção e frustração por algo desperdiçado.
Já após ter “pendurado as chuteiras” em 2007, Faizulin começaria a trabalhar na sua carreira de treinador e de dirigente. Nessas funções, o antigo internacional russo já conta com passagens pela equipa técnica do Rubin Kazan, ou como director das “escolas” do Lokomotiv de Moscovo e dos arménios do Banants.

872 - YURAN

Apesar de ter começado o percurso sénior ao serviço do Zorya Voroshlovgrado, seria a mudança para um dos históricos da antiga União Soviética que iria pô-lo na ribalta do futebol europeu. Mesmo tendo começado pelas divisões secundárias, as boas exibições do avançado iriam despertar a curiosidade do Dínamo de Kiev. A transferência aconteceria em 1988 e, a partir desse momento, a sua carreira mudaria.
Numa equipa recheada de estrelas e que, só no sector ofensivo, contava com Blokhin, Protasov ou Belanov, é fácil entender que a sua afirmação não foi nada fácil. Contudo, as características de Yuran seriam suficientes para que, no meio de tamanha concorrência, tivesse a confiança do mítico Valeriy Lobanovskyi. Sendo um avançado fisicamente possante, lutador e com uma boa pontaria, aos poucos iria conquistar o seu espaço. Já em 1990, talvez a sua melhor temporada no tempo da URSS, o ponta-de-lança conseguiria o destaque que há muito perseguia. Vence o Campeonato e a Taça, conquista o Europeu S-21, consegue a 1ª internacionalização com a principal selecção soviética e, em jeito de consagração, é eleito o Jogador Ucraniano do Ano.
Com o seu crescimento, dos países ocidentais começariam a surgir interessados no seu concurso. No Verão de 1991, o avançado consegue um acordo com um novo emblema. A sua chegada ao Benfica é acompanhada pela do seu companheiro de selecção, Kulkov. Aliás, para o bem e para o mal, os dois atletas fariam uma dupla inseparável. Nas “Águias” fariam parte das campanhas que levariam à vitória na Taça de Portugal de 1992/93 e na conquista do Campeonato Nacional da temporada seguinte. Por outro lado, a sua vida extra-futebol também seria alimento para os mais variados periódicos. Pior do que isso, é que esses excessos, como relembraria o técnico Toni, afectaria o bom funcionamento do plantel – “O problema, fora de campo, eram as noitadas. Aliás, nem eram as noitadas, mas o que eles faziam nessas noitadas. Lembro-me do médico ter de ir a Santo António de Cavaleiros, onde eles moravam, buscar o Iuran. 'Tenho febre', dizia ele. Está bem, está bem. 'Se tens febre o doutor vai aí ver-te!' Sabia muito aquele. Há pouco tempo, ele reconheceu que, como treinador, nunca aturaria um jogador como ele. Pudera!”*.
É após ter participado no Mundial de 1994, ele que também já tinha disputado o Euro 92, que recebe a notícia da sua dispensa. Com a troca de Toni por Artur Jorge no comando dos “Encarnados”, Yuran, tal como Kulkov, vê-se na lista de jogadores a libertar. Sem contrato, o avançado aceita o convite do FC Porto e muda-se para as Antas. Todavia, nem a mudança mudaria a atitude do jogador. Tal como na sua passagem por Lisboa, o jogador alimentar-se-ia de excessos e acabaria envolvido num acidente de viação mortal. Apesar dos comportamentos impróprios para um atleta de alta-competição, desportivamente o atacante manteria a sua importância e contribuiria para a vitória no Campeonato de 1994/95.
A passagem pela “Invicta” seria curta. Prejudicado pelo comportamento fora das “4 linhas”, o atleta, mais uma vez acompanhado por Kulkov, seria transferido um ano após a sua chegada. Daí em diante, e até “pendurar as chuteiras”, o seu percurso tornar-se-ia um pouco errante. Tendo, em primeiro lugar, voltado ao seu país, as mudanças de clube tornar-se-iam (quase) uma constante. Spartak de Moscovo (Rússia), Millwall (Inglaterra), Fortuna Düsseldorf e Bochum (Alemanha) antecederiam a sua passagem pelo Sturm Graz (Áustria) e o fim da sua carreira como futebolista.
Um par de anos após ter deixado os relvados, Yuran começaria a dedicar-se- às tarefas de treinador. Nessas funções, assumindo-se como técnico principal, conta já com experiências em diferentes clubes, com especial apetência para os emblemas do antigo bloco soviético. Como curiosidade, sublinhamos a sua passagem pelo Shinnik onde treinaria os portugueses Bruno Basto (ex-Benfica) e Ricardo Silva (ex-FC Porto).

*retirado do artigo de Pedro Candeias, http://expresso.sapo.pt/, publicado a 15/03/2014

871 - PROKOPENKO

Tendo iniciado o percurso sénior no Tom Tomsk, a sua presença nos escalões secundários da antiga União Soviética seria suficiente para que um dos emblemas históricos do país equacionasse a sua contratação. Já no Torpedo de Moscovo, ainda que na sombra de atletas com mais experiência, o avançado começaria a ganhar o seu espaço. Numa equipa conhecida também por lançar jovens, mas talentosos, atletas, Prokopenko passaria a disputar os lugares cimeiros da 1ª divisão.
Na campanha de 1993, para além da presença da equipa moscovita nas competições europeias, o avançado viveria um dos melhores momentos da sua carreira. A Taça da Rússia, numa final ganha ao CSKA de Moscovo, passaria a fazer parte do seu currículo. Apesar de no derradeiro jogo da competição não ter conseguido concretizar qualquer golo, a verdade é que o ponta-de-lança, eleito pelo técnico Yuri Mironov, faria parte do “onze” inicial. Como demonstra essa escolha, Prokopenko era tido como um jogador relevante para o plantel. Tal como nessa temporada, também nas épocas seguintes, a importância do jogador manter-se-ia. Por isso mesmo, terá sido com algum espanto que, alguns anos após a referida vitória, os adeptos receberiam a notícia da sua mudança para o Chernomorets Novorossiysk.
É depois de um ano passado no novo emblema que a sua carreira toma novo rumo. Indicado pelo treinador espanhol Fernando Castro Santos, o atacante é contratado pelo Sporting de Braga. Contudo, e tido com um dos principais reforços dos minhotos para 1997/98, a adaptação de Prokopenko ao Campeonato português não seria a mais fácil. Com exibições intermitentes, o jogador só por raras ocasiões é que consegue chegar à equipa inicial. Na época seguinte, e para colmatar a falta de presenças em campo, a solução encontrada passaria pelo empréstimo do atleta a outro clube. Já no Santa Clara, ainda que a disputar a divisão de Honra, o russo volta às exibições de outrora. Por essa razão, e com a promoção assegurada, novo acordo é conseguido e a ligação do atacante com os açorianos estender-se-ia por mais uma temporada.
A 2ª época passada em Ponta Delgada, haveria de pôr o atacante numa situação bastante complicada. Devido a um desacordo entre o Santa Clara e o Sporting de Braga, sobre quem deveria pagar os salários ao jogador, Prokopenko ficaria sem receber durante toda a temporada de 1999/00. Sem que as duas partes chegassem a um acordo, é o empresário do futebolista que decide avançar com uma acção judicial contra a colectividade sediada no Arquipélago dos Açores. Depois do litígio, o avançado deixaria os insulares para, dessa feita, ingressar no Varzim. Tal como anteriormente, o atleta apanharia o emblema na 2ª divisão e, mais uma vez, seria peça importante no regresso do clube ao escalão máximo do futebol português.
Depois de 2001/02 ter acompanhado os poveiros em mais uma aventura primodivisionária, a carreira de Prokopenko entraria numa fase mais discreta. Ainda em Portugal, numa curta passagem pelo Estrela da Amadora, e no regresso à Russia, o atleta passaria a disputar as divisões secundárias. Luch Vladivostok, Fakel Voronezh e FC Sportacademclub, numa caminhada que terminaria em 2008, seriam os emblemas que completariam o seu currículo como futebolista.

870 - OVCHINNIKOV

Apesar de ter terminado a formação no Dínamo de Moscovo e de, ainda no clube, ter representado a equipa “B”, seria noutro emblema da capital que Ovchinnikov chegaria à ribalta do futebol russo. Após ter passado uma temporada no Dínamo Sukhumi (actual Geórgia), é em 1991 que o guarda-redes chega a acordo com o Lokomotiv. Nos “Ferroviários”, às muitas oportunidades conseguidas logo durante a época de estreia, seguir-se-ia a titularidade. Sendo um atleta com um excelente porte físico, seria na agilidade que o guardião mostraria a maior habilidade. Essa qualidade levá-lo-ia a conseguir, durante as campanhas seguintes, um lugar de destaque no conjunto moscovita. Depois viriam os títulos colectivos, os prémios de “Guarda-Redes Russo do Ano” em 1994 e 1995, a selecção e a chamada ao Euro 96.
Em 1997 Ovchinnikov mudar-se-ia para o Benfica. Apesar do estatuto de internacional e das boas qualidades, a verdade é que o russo não conseguiria impor-se no emblema da “Luz”. Tendo Michel Preud’Homme como principal oponente, a conquista de um lugar a titular acabara por ficar comprometida. Com o fim da carreira do belga, ainda chegou a pensar-se que seria para si o lugar à baliza. Contudo, a chegada de Jupp Heynckes ao comando técnico das “Águias” mostraria exactamente o contrário e a saída do atleta acabaria por ser negociada.
Com as notícias de alguns clubes espanhóis interessados na sua aquisição, seria a empresa de Paulo Barbosa, o seu empresário à altura, que acabaria por adquirir o “passe” do jogador. Já com uma futura transferência em vista, Ovchinnikov seria colocado no Alverca, na época de 1999/00. No ano seguinte, e depois de uma temporada bastante positiva nos ribatejanos, o guarda-redes mudar-se-ia para o FC Porto. Nas Antas, sob a alçada de Fernando Santos, o russo consegueria manter o nível exibicional demonstrado na campanha anterior. É então que, durante esse primeiro ano na “Invicta”, rebenta uma polémica referente ainda à sua passagem pelos “Encarnados”. Com o clube lisboeta a reclamar a falta de pagamento relacionada com a sua saída, as autoridades policiais acabariam por apontar o dedo a João Vale e Azevedo. Tendo sido descoberto um registo dessa maquia nos “cofres” do antigo Presidente “Encarnado”, o dirigente seria acusado de peculato e, mais tarde, acabaria por ser preso.
O último terço da carreira do jogador passar-se-ia no seu país natal. Após ter deixado os “Dragões” em 2002, Ovchinnikov regressaria ao clube que, sem sombra de dúvida, mais peso acabaria por ter no seu percurso profissional. De volta ao Lokomotiv de Moscovo, o atleta, muito mais do que recuperar o estatuto como titular, conseguiria resgatar o seu lugar na selecção. Depois de ter voltado a vencer, por mais duas vezes, o prémio de “Guarda-Redes Russo do Ano” (2002; 2003), é com a equipa nacional que o atleta volta a Portugal. Com as cores da Rússia o guardião seria chamado a disputar o Euro 2004.
Tendo decido terminar a carreira após uma derradeira temporada já ao serviço do Dínamo de Moscovo, o ex-guardião daria os primeiros passos como técnico. Nessas funções desde 2007, tendo desempenhado as tarefas de adjunto, treinador de guarda-redes e treinador principal, Ovchinnikov conta já com passagens por Dínamo de Kiev, Dínamo de Minsk ou Federação Russa de Futebol. Neste momento (2017/18), o antigo internacional é parte integrante dos quadros do CSKA de Moscovo.

869 - MOSTOVOI

Tendo aparecido no Krasnaya Presnya, a transferência para o Spartak de Moscovo confirmá-lo-ia como um jogador muito talentoso. As suas capacidades levariam a que, pouco tempo após a sua chegada, Mostovoi começasse a ganhar um lugar de destaque no “onze” do novo emblema. Todavia, seria com a contratação de Oleg Romantsev, antiga estrela da colectividade e treinador do médio no seu primeiro clube, que tudo realmente mudaria.
Numa equipa que contava com atletas como Kulkov, Karpin, Radchenko ou Shalimov, o centrocampista assumiria o papel de “maestro” do grupo. O brilhantismo do seu “drible” e a precisão do seu passe eram um prolongamento do entendimento que tinha da dinâmica de jogo. Na campanha de 1991, 5 anos após a sua chegada ao conjunto moscovita, Mostovoi destacar-se-ia na caminhada europeia que levaria o Spartak a chegar às meias-finais da Taça dos Campeões. Resultado dessa aventura, o médio passaria a ser bastante cobiçado e acabaria transferido para outro clube.
Numa altura em que já tinha feito a estreia pela principal selecção soviética, nem o estatuto de internacional valeria grande coisa na sua passagem pelo Benfica. Aliás, as espectativas criadas em redor da sua chegada sairiam todas frustradas. Depois de pouco ter jogado na temporada de 1992/93, na época seguinte o jogador conseguiria ainda menos oportunidades. Tendo participando na Supertaça, a falta de chances dadas ao atleta levá-lo-iam a procurar novo clube. A meio da temporada de 1993/94, é o modesto Caen que decide abrir as portas ao médio. Em bom abono da verdade, a dita mudança lançá-lo-ia no caminho do sucesso.
A sua passagem por França não seria muito longa. Depois do Caen e do destaque conseguido em duas temporadas com as cores do Strasbourg, é a saída para Espanha que o lançaria no melhor período da sua carreira. No Celta de Vigo desde 1996/97, o médio-ofensivo voltaria a merecer uma posição dominante no escalonamento do “onze” inicial e, principalmente, na construção atacante do desenho táctico. Tido como um dos grandes ídolos da massa adepta, Mostovoi em muito contribuiria para as boas campanhas do emblema galego. Mesmo sem conseguir vencer grandes títulos, excepção feita à Taça Intertoto de 2000/01, a verdade é que seria muito à custa do russo que, na passagem de milénio, o conjunto dos Balaídos conseguiria cimentar-se nas provas da UEFA.
Talvez esteja a dizer uma tremenda asneira, mas penso que, relativamente à selecção, Mostovoi nunca conseguiu ser tão preponderante quanto, por exemplo, haveria de ser no Celta de Vigo. Ainda assim, é impossível afirmar que a carreira internacional do médio tenha sido discreta. Tendo sido, ainda durante os anos passados em França, chamado ao Mundial de 1994 e Euro 96, Mostovoi ainda participaria em mais 2 grandes torneios. No Campeonato do Mundo organizado entre a Coreia do Sul e o Japão, apesar de convocado, acabaria por não jogar devido a lesão. Já no Euro 2004, a sua presença ficaria manchada pelas polémicas declarações, logo a seguir à partida frente à Espanha. Tendo criticado publicamente o seleccionador, o atleta seria “mandado para casa” antecipadamente.
2003/04 acabaria por ser uma temporada muito negativa para Mostovoi. Para além do caso já relatado e que envolveria a selecção, também no Celta as coisas não correriam de feição. Tendo, durante vários anos, empurrado a equipa para os lugares do topo da tabela, a verdade é que, durante a referida campanha, o médio russo pouco seria capaz para evitar a descida dos galegos. Com a despromoção deixaria o clube para, no Alavés, fazer a sua última época como futebolista profissional.
Já depois de, em 2005, ter decidido “pendurar as chuteiras”, o antigo futebolista passou a colaborar com uma escola de futebol moscovita. Para além disso, Mostovoi é também um dos mais consagrados comentadores desportivos da televisão russa.

868 - IVANOV

Muitos perguntarão o porquê de Ivanov estar a ser colado. É natural que assim o façam, pois nem todos terão dado pela sua presença em Portugal. A verdade é que o defesa russo, já nos últimos anos como futebolista, teria uma participação discreta nos nossos campeonatos. Obviamente, a sua carreira profissional haveria de começar muitos antes da passagem pelo nosso país. O atleta apareceria no Spartak de Moscovo em meados da década de 80 e, tendo algumas dificuldades para conquistar um lugar na equipa, passaria por dois empréstimos, em dois emblemas diferentes.
SKA-Energiya Khabarovsk e FC Guria Lanchkuti (clube sediado na actual Georgia) antecederiam a sua afirmação no emblema da capital. Aliás, o período entre as temporadas de 1991 e 1994 acabaria por ser o mais importante da sua carreira. Nesse sentido, e logo no decorrer da primeira época, Ivanov receberia a primeira convocatória para a principal selecção da União Soviética. Pela mão de Anatoliy Byshovets, o defesa estrear-se-ia num particular frente à Suécia. Esse amigável serviria de ponto de partida para que, um ano após a referida partida, o jogador marcasse presença no Euro 92.
Também a conquista de troféus haveria de marcar esse dito período. Tendo em 1989 vencido pela primeira vez a Liga Soviética, Ivanov ajudaria o Spartak de Moscovo a repetir o feito em 1992 e 1993. Ainda pela “Narodnaya komanda” (Equipa do Povo), o defesa juntaria outros triunfos ao seu currículo. A vitória na Taça em 1992 acabaria por ser mais um bom exemplo daqueles que seriam os anos de maior sucesso no seu percurso profissional.
A partir de 1995 a sua carreira entraria numa fase mais discreta e, talvez consequência disso, bastante mais errante. Tendo nos anos seguintes, saltitado entre diversos emblemas, Ivanov acabaria por vestir as cores de dois outros “grandes” moscovitas. CSKA e Dynamo, tendo pelo meio uma última passagem pelo Spartak de Moscovo, antecederiam as primeiras aventuras no estrangeiro. Seria durante essas temporadas, após representar os austríacos do Tirol Innsbruck e os alemães do Greuther Fürth, que o defesa chegaria a Portugal. No Alverca, e com o emblema ribatejano a disputar a 1ª divisão, o atleta pouco contribuiria para a campanha de 1998/99. Apesar do estatuto de internacional, o jogador seria incapaz de conquistar um lugar no “onze” inicial e acabaria por nunca jogar no campeonato.
Em 2000 regressaria à Rússia para uma última temporada. Ao serviço do FK Nika Moskva, o defesa poria um ponto final no seu percurso como atleta de alta competição. O afastamento da modalidade levariam o antigo jogador, nos anos a seguir à sua despedida, a entregar-se aos vícios do álcool. A dependência acabaria por ter um fim trágico, com Ivanov a pôr termo à sua vida em 2009.

867 - KULKOV

Antes do sucesso alcançado na principal equipa do Spartak de Moscovo, já Kulkov tinha passado por diversos emblemas da antiga União Soviética. Dinamo Kashira, Krasnaya Presnya ou Spartak Ordzhonikidze (actual Alania) antecederiam a sua entrada no plantel sénior do conjunto da capital. O primeiro ano com a “Narodnaya komanda” (Equipa do Povo), haveria de ser deveras positivo para a carreira do atleta. Primeiro, resultado do destaque que conseguiria, chega a chamada à selecção; depois, com o final da temporada de 1989, vem a conquista do Campeonato da URSS.
A evolução mostrada dentro de campo levaria a uma consolidação das suas exibições. Tendo conseguido tornar-se num elemento importante do “onze” do clube e da selecção, as épocas seguintes transformá-lo-iam num jogador apetecível. Com a abertura dos países de Leste ao Ocidente, os emblemas interessados no seu concurso começariam a aparecer. Entre vários conjuntos, o Benfica acabaria por ganhar essa corrida e, para temporada de 1991/92, Kulkov é apresentado no Estádio da “Luz”.
Nos anos passados em Lisboa, o “trinco”, a par dos seus conterrâneos Iuran e Mostovoi, tornar-se-ia numa figura polémica. Apesar das boas exibições, o jogador ficaria também conhecido pela indisciplina e pelos excessos da sua vida particular. Ainda assim, Kulkov conseguiria tornar-se num dos jogadores mais relevantes para o clube. Titular com Sven-Göran Eriksson, Tomislav Ivíc e Toni, o internacional russo contribuiria para a vitória na Taça de Portugal de 1992/93 e para a conquista do Campeonato do ano seguinte.
Com a contratação de Artur Jorge para o comando das “Águias”, o seu nome e o de Iuran surgem na lista de jogadores a libertar. Sabendo da dispensa dos atletas, Sir Bobby Robson, à altura o treinador do FC Porto, daria indicações para que o médio e o avançado fossem contratados. Contudo, a mudança de emblema não mudaria muito a atitude dos dois. As polémicas continuariam e, mesmo conseguindo ter um papel preponderante na conquista do Campeonato Nacional de 1994/95, Kulkov e o seu conterrâneo deixariam os “Dragões” um ano após a chegada.
Com o regresso ao Spartak de Moscovo, o centrocampista entraria numa fase mais discreta da sua carreira. Tendo ainda, durante um curto empréstimo ao Millwall, tentado a sua sorte no futebol inglês, a verdade é que, daí em diante, as oportunidades dadas ao atleta viriam, na sua maioria, de emblemas russos. Depois de ter ainda representado Zenit e Krylya Sovetov, a excepção a esses anos passados no Campeonato do seu país viria, mais uma vez, de Portugal. Com o Alverca à procura de reforçar o seu plantel, Kulkov acabaria por ser um dos destaques do conjunto ribatejano e da temporada de 1999/00.
Após um pequeno interregno, o jogador deixaria os relvados ao serviço dos russos do Energiya Shatura. Numa caminhada que conheceria o fim em 2001, a sua carreira acabaria por ficar manchada por um comportamento pouco condizente com o de um atleta de alta competição. Um dos bons exemplos a dar é o seu percurso na selecção. Apesar de ter conseguido mais de 4 dezenas de internacionalizações, o médio acabaria por nunca participar numa fase final de um grande torneio. É bem certo que o seu afastamento do Euro 92 e Euro 96 dever-se-ia a lesões. Já na chamada para o Mundial de 1994, a história seria bem diferente. Tendo entrado em rota de colisão com o treinador Pavel Sadyrin, Kulkov, em conjunto com outros jogadores, exigiria a demissão do seleccionador. A reivindicação não seria aceite e quem acabaria por ser afastado do torneio organizado nos Estados Unidos seria o médio.

CZARES, BOLCHEVIQUES E PERESTROIKA

Com o próximo Campeonato do Mundo a começar daqui a uns meses, chegou a altura do “Cromo sem caderneta” consagrar algumas das suas “colagens” a tão importante certame. Estando o torneio sediado na Rússia, que melhor poderíamos publicar que um pouco do intercâmbio futebolístico entre o nosso e o país organizador do Mundial? Assim sendo, Abril será dedicado a “Czares, Bolcheviques e Perestroika”!

866 - ANDERS ANDERSSON

Dividida a sua formação entre o Svenstorps IF e o Malmö FF, seria no emblema do Sul da Suécia que Anders Andersson faria a transição para o patamar sénior. Tendo como companheiro de balneário o também ex-benfiquista Stefan Schwarz, a evolução do médio levá-lo-ia, logos nos primeiros anos com o plantel principal, a conquistar uma posição de destaque no meio-campo da sua equipa. De tal forma seria positiva a sua evolução que, em 1992, o seu nome seria adicionado ao rol de atletas a participar nos Jogos Olímpicos de Barcelona.
Para a estreia na selecção “A”, o atleta teria ainda de esperar mais um par de anos. Mesmo tendo conseguido a primeira internacionalização em 1994, só a partir de 1997 é que a sua presença na equipa nacional começa a ser habitual. Ao passar a ser chamado com bastante frequência, também o seu valor aumenta. No decurso dessa evolução, surge então o interesse de um clube inglês. Andersson muda-se para a Premier League na temporada de 1997/98, mas a sua passagem pelo Blackburn Rovers seria tudo menos positiva.
Raramente utilizado, o centrocampista deixa Ewood Park aproximadamente um ano após a sua chegada. Consequência da falta de presenças em campo, Anders Andersson acaba também por perder espaço na selecção sueca. É então que decide deixar Inglaterra para, noutro país, relançar a sua carreira. A escolha levá-lo-ia a viajar até à Dinamarca. As 3 épocas seguintes passá-las-ia ao serviço do Aalborg para, logo na primeira dessas campanhas, conseguir sagrar-se campeão nacional. Muito para além do troféu ganho, o atleta volta a jogar com regularidade. Esse facto fá-lo-ia regressar aos planos da selecção e, como consequência, o seu nome acabaria por fazer parte dos convocados para disputar o Euro 2000.
Com a sua cotação a crescer, é o Benfica que, dessa feita, decide apostar na sua contratação. Em Lisboa, onde chega no Verão de 2001, encontra o clube em fase de transição. Numa altura em que as “Águias” caminhavam de volta aos títulos, o sueco, ao participar nas primeiras rondas da prova, ajuda na conquista da Taça de Portugal de 2003/04. Já a meio da referida temporada, e com os olhos postos na fase final do Euro 2004, o médio decide trocar a Luz pelo Restelo. No Belenenses joga durante época e meia e, pelo meio, participa no Europeu organizado em Portugal.
O final do seu trajecto desportivo levá-lo-ia de volta ao seu país e ao emblema que, no início dos anos 90, o tinha lançado no futebol profissional. No Malmö FF joga desde 2005 até 2008, ano em que decide ser a altura certa para terminar a carreira. Desde então, o antigo internacional sueco tem dedicado o seu tempo ao comentário desportivo. Nessas funções tem colaborado com alguns jornais e programas televisivos.

865 - HERIVELTO

Transferido do Flamengo ainda em idade júnior, os primeiros tempos de Herivelto no Marítimo seriam gastos entre os trabalhos da equipa principal e os escalões de formação do conjunto madeirense. Ainda antes de conseguir afirmar-se no plantel sénior, o atacante passaria também por um empréstimo ao Machico. Já depois de “rodar” na 2ª divisão “B”, o regresso aos Barreiros em 1997/98, mostraria um atleta com capacidade para ajudar os “Verde-Rubro”. Veloz, com boa técnica e um bom sentido posicional, o avançado conseguia-se posicionar-se no centro ou no lado direito do ataque. Seria nessas posições que o atleta, sem nunca conseguir afirmar-se como um dos titulares indiscutíveis, passaria a evoluir nos anos seguintes.
Surpreendentemente, e numa altura em que o seu estatuto dentro da equipa poderia até evoluir, o jogador decide “mudar de ares”. No Verão de 1999, Herivelto aceita o convite de Mário Reis e ingressa na União de Leiria. Contudo, e ao contrário daquilo que o atleta estaria à espera, a mudança não correria de feição. Poucos meses após a sua chegada à cidade do Liz, o avançado é afastado da equipa. Volta ao Brasil e, sem conseguir novo contrato, ficaria afastado do futebol por algum tempo. Felizmente, o interregno duraria apenas até Março de 2000. Por essa altura vincula-se ao Vitória de Setúbal. Ainda assim, o regresso aos relvados acabaria por não ser o mais feliz. Com os “Sadinos” em posição difícil na tabela classificativa, a despromoção acabaria mesmo por acontecer e, mais uma vez, o avançado vêr-se-ia sem clube.
No seguimento da sua carreira, e já depois de ter vestido a camisola do Nacional da Madeira, Herivelto decide aventurar-se por “Terras de Sua Majestade”. No Walsall encontrar-se-ia com vários atletas bem conhecidos no futebol português. Ao lado de nomes como Marcelo, Jorge Leitão ou Carlos André, o jogador começaria por animar os adeptos do emblema britânico. A sua técnica, as prestações conseguidas nas primeiras rondas e, inclusive, alguns golos, haveriam de pô-lo nos corações dos “Saddlers”. O pior é que o atacante acabaria por não conseguir manter o mesmo nível exibicional durante o resto da temporada de 2001/02. Irregular, o avançado seria preterido em favor de outros colegas. Já com a campanha seguinte em andamento, o brasileiro, sem espaço na equipa, ver-se-ia na lista de transferíveis, acabando por aceitar a mudança para a Liga grega.
Na 1ª divisão helénica, na qual representaria o Ionikos, a sua passagem também não se prolongaria por muito tempo. Aliás, a partir dessa temporada de 2002/03 o seu percurso profissional tornar-se-ia um pouco errante.  Daí em diante, Herivelto mudaria de emblema praticamente todos os anos. Tendo regressado ao seu país natal, o avançado vestiria cerca de meia-dúzia de camisolas diferentes, numa carreira que terminaria em 2010.

864 - EMERSON

A falta de espaço na equipa sénior do Flamengo, levaria a que Emerson, atleta saído das “escolas” do emblema carioca, acabasse cedido ao Coritiba. No entanto, a passagem pelo 3º patamar do “Brasileirão” seria bem curta. Com a campanha de 1992 já a decorrer, surge o interesse de um clube português. O Belenenses, orientado pelo técnico brasileiro Moisés de Andrade, decide apostar no jovem médio e contrata-o. Nessa temporada, ajuda os “Azuis” a regressar ao escalão máximo, para em 1992/93 fazer a sua estreia na 1ª divisão.
As temporadas no “Restelo”, com destaque para aquelas passadas entre os “grandes”, levariam a que a cotação do médio subisse em flecha. Falar-se-ia na transferência para o Benfica, também no Sporting, mas acabaria por ser o FC Porto a tomar a dianteira. Por recomendação de Sir Bobby Robson, por essa altura no comando dos “Dragões”, Emerson mudar-se-ia para as Antas. Estreia-se na temporada de 1994/95 e, de imediato, torna-se num dos pilares dos primeiros Campeonatos do “Penta”.
2 anos a jogar na “Invicta” seriam suficientes para que, mais uma vez, desse um salto na carreira. Com 2 Campeonatos e 2 Supertaças a embelezaram o seu currículo, é da “Premier League” que surge novo convite. O Middlesbrough, treinado por Brian Robson, aposta no atleta para reforçar um plantel que já contava com estrelas como Juninho Paulista, Branco, Nick Barmby ou Fabrizio Ravanelli. Com um plantel forte, o conjunto do nordeste inglês chega às finais da Taça de Inglaterra e da Taça da Liga. Em sentido oposto, o desempenho da equipa no Campeonato de 1996/97 deixaria muito a desejar. O 19º lugar na tabela classificativa significaria a descida do clube e, mais uma vez, a transferência de Emerson.
O desaire britânico acabaria, em bom nome da verdade, por empurrá-lo para um dos melhores períodos da sua caminhada profissional. Na “La Liga”, onde chegaria na temporada de 1997/98, começaria por vestir as cores do Tenerife. Durante as épocas passadas em Espanha viveria 3 anos nas Ilhas Canárias. Depois viria a mudança para o Deportivo e o sonho de vestir a camisola do “Escrete” – "Esteve perto! Em 1998 eu ainda era um desconhecido e não tinha muitas esperanças, mas em 2002 o selecionador, o Emerson Leão, foi à Corunha e disse que ia chamar-me para um jogo com o Peru, mas não me convocou. Depois ele foi substituído pelo Luiz Felipe Scolari e o meu nome nunca mais foi falado"*.
Tirando a passagem pelo Atlético Madrid, onde ainda manteve o estatuto de titular, o resto da sua carreira, caracterizar-se-ia por constantes mudanças de clube. Essa “roda-viva” levá-lo-ia nos últimos anos do seu percurso, a representar 6 clubes, em 4 países diferentes. Rangers (Escócia), Vasco da Gama (Brasil), Skoda Xhanti e AEK de Atenas (Grécia) e ainda o APOEL Nicósia (Chipre), seriam os emblemas de uma carreira que, em mais um regresso ao seu país, conheceria o fim com a camisola do Madureira.
Depois de abandonar os relvados, o futebol passou para segundo plano na sua vida. Apesar de ver o filho Michel a tentar seguir os seus passos, Emerson decidiu apostar noutros ramos. Em parceria com Djalminha, seu colega no “Depor”, o antigo jogador começou a investir no ramo imobiliário. Paralelamente, a sua entrada na política foi a maneira que encontrou para tentar ajudar a sua comunidade. Tento concorrido a Perfeito de Japeri, o seu sonho não termina aqui e, para 2018, tem planos para uma candidatura a Deputado Federal.

*retirado do artigo de Carlos Nogueira, publicado a 21/05/2017, em https://www.dn.pt/

863 - ARMANDO SÁ

Nascido em Moçambique, Armando Sá chegaria a Portugal ainda bastante novo. A sorte levá-lo-ia a frequentar um estabelecimento de ensino onde, como docente, trabalhava um dos treinadores das “escolas” do Belenenses. Reconhecendo-lhe o talento necessário para chegar a futebolista, o professor convida-o a treinar com os da “Cruz de Cristo”. No Restelo terminaria a sua formação. Contudo, na altura de fazer a transição para o patamar sénior, a falta de espaço no plantel “Azul” leva-o a ser “emprestado”.
As temporadas no Vilafranquense, onde seria capitaneado por Rui Vitória, dariam início a uma jornada de alguns anos pelos escalões secundários. Depois do emblema ribatejano, a viagem para Norte e as passagens por Bragança e Vila Real, empurrá-lo-iam em direcção aos emblemas primodivisionários. No Rio Ave, onde entraria em 1998/99, destacar-se-ia como um atleta veloz e de uma entrega singular. Essas suas características fariam com que de outros lados o olhassem como um possível reforço. O convite, numa altura em que disputava a 2ª divisão, chegaria do Minho. Armando Sá, cotado como um dos bons laterais direitos do nosso campeonato, deixa então os vilacondenses para ingressar no Sporting de Braga.
O período passado na “Cidade dos Arcebispos” seria curto. Essa meia temporada, no entanto, seria suficiente para que desse novo salto na sua vida profissional. Incluído num “pacote” que abarcaria também o médio Tiago e o defesa Ricardo Rocha, o negócio levaria o lateral até ao Estádio da “Luz”. Tendo chegado em Janeiro de 2002, Armando Sá atravessaria um dos melhores períodos da sua carreira. Todavia, muito mais do que vencer a edição de 2003/04 da Taça de Portugal, o lateral direito, enquanto atleta das “Águias”, seria pela primeira vez chamado à selecção de Moçambique.
Novos títulos chegariam ao seu palmarés aquando da mudança para Espanha. No Villarreal venceria a Taça Intertoto de 2004/05. Já no Espanyol, para onde se transferiria na temporada a seguir à referida vitória, ajudaria a conquistar a Taça del Rey. Todavia, e apesar de conseguir enriquecer o currículo, a sua carreira começa a perder algum fulgor. Sem espaço no plantel dos catalães, Armando Sá, na época de 2006/07, é cedido ao Leeds United. Ainda assim, a solução encontrada acabaria por não ser satisfatória. Pouco utilizado no emblema de Yorkshire, a experiência no 2º escalão inglês pouco acrescentaria ao seu percurso.
Daí em diante as suas escolhas surpreenderiam muita gente. Após deixar o Reino Unido, o lateral opta por aceitar o convite do seu sogro, Augusto Inácio, e sob a orientação do treinador português assina por uma colectividade da 2ª divisão do Irão. A campanha feita no Foolad leva a que o Sepahan FC, um dos mais importantes emblemas do país, decida endereçar um convite ao internacional moçambicano. A transferência faria com que o defesa conseguisse, ao vencer a Liga iraniana de 2009/10, acrescentasse mais um título ao seu palmarés.
Após retirar-se dos relvados, Armando Sá decide orientar a sua vida em diferentes direcções. Investe no ramo imobiliário e abre também um ginásio. Por outro lado, e sem conseguir afastar-se da modalidade, inaugura uma escola de futebol. Contudo, e apesar desse último projecto não ter corrido como o desejado, a verdade é que a aposta numa carreira de técnico não terminaria por aí. Começa por frequentar cursos em Portugal e no estrangeiro, chega a orientar a selecção portuguesa de futsal para diabéticos e, dando seguimento ao convite de um antigo treinador da Academia do Ajax, aceita orientar a equipa s-16 dos canadianos Kleinburg Nobleton Soccer Club.